0 The Legend Of a Fighter

9 Capítulo 009: Inicia-se o treinamento: a avaliação


Capítulo 009: Inicia-se o treinamento: a avaliação.

Ryan está sentado ao lado de Cadu e ambos ficam encarando o professor Maciel.

Ryan: Bem, Maciel! Essa é a minha condição! Eu só irei participar deste torneio de artes marciais se você for sincero comigo e me explicar tudo sobre essa força sobrenatural que existe nos humanos!

Maciel: Bem... eu ainda não consigo acreditar que a sede da organização do torneio tenha contado isso a vocês. Eles não deveriam ter feito algo assim...

Ryan: Claro que deveriam! Maciel, com todo o respeito, é você quem não devia ter me escondido isso desde que você me mostrou a sua academia e me fez o convite para a competição.

Maciel: Eu até entendo que você esteja sentido um pouco por causa disso, Ryan, mas eu irei explicar os meus motivos. Lembra que eu te falei que essa seria a primeira coisa sobre a qual eu te contaria caso você decidisse entrar pra academia?

Ryan: Sim, eu me lembro...

Maciel: Então... eu não queria te contar naquela hora porque... bem, eu tinha medo de você ficar muito impressionado e querer aprender a usar essa força de qualquer maneira... e caso você decidisse por não entrar na academia, poderia então começar a treinar por conta própria para controlar essa força. Mas isso é algo muito perigoso, que deve ser feito com a instrução de alguém que conheça bem sobre o assunto, caso contrário... você pode acabar causando danos muito sérios ao seu corpo.

Ryan: Peraí, peraí, deixa ver se eu entendi. Você pensou que eu poderia não entrar pra academia e decidir treinar sozinho pra conseguir essa força, é isso?

Maciel: Sim... talvez você poderia não querer a nossa instrução e sim tentar obter essa força sozinho...

Ryan: Haha! Puxa eu não acredito, mas que besteira! Eu nunca nem ouvi falar sobre humanos que tenham força sobrenatural, como é que eu ia começar um treino desses, sozinho, eu nem saberia por onde começar!

Maciel: É... inicialmente você realmente não saberia, mas de alguma forma você poderia pesquisar e... bem, acabaria descobrindo alguma coisa, bom, mas agora eu proponho a você que esqueçamos isso tudo, está bem? Agora que você aceitou a oferta de entrar em nossa academia, eu prometo que te contarei tudo, não vou mais esconder nada, está bem?

Ryan fica com uma expressão pensativa por alguns poucos segundo até que volta a falar.

Ryan: Certo, certo... pelo menos os seus motivos foram justos...

Maciel: Mas, Ryan, eu gostaria de te perguntar uma coisa antes de te falar mais sobre a força sobrenatural...

Ryan: E o que é?

Maciel: Por que é mesmo que vocês foram visitar a sede da organização?

Os dois garotos se olham rapidamente, mas voltam a encarar Maciel.

Ryan: Ah, quanto a isso... é que eu fiquei bem curioso a respeito do prêmio do torneio, sabe, a Armadura de Orymon. Então, eu fui com o Cadu até lá pra saber mais sobre ela e foi aí que eles comentaram que existe a força sobrenatural nos humanos e que ela está presente nos lutadores que participam do torneio.

Maciel: Certo, entendo, então foi por pura curiosidade...

O local da mesa fica em silêncio por alguns segundos.

Ryan (pensando): Será que ele sabe de alguma coisa sobre os seres que estão atrás da armadura? Não... ele certamente me contaria... mas e se ele estiver querendo me proteger de novo...?

Maciel volta a falar e a mente do garoto rapidamente volta ao mundo real.

Maciel: Bem, como eu te prometi que nbão esconderia mais nada... te contarei sobre a força sobrenatural!

Cadu: Ah, mas antes que o senhor comece a falar... não precisa se preocupar comigo, está bem? Garanto que não irei fazer nenhum treinamento arriscado sozinho pra despertar esse tipo de poder.

O professor se vira para Cadu e abre um sorriso no rosto.

Maciel: Haha! Certo, certo, eu acredito em você, garoto!

Ryan: Bem, vai lá, então, Maciel! Desembucha, eu já estou bem curioso!

Maciel: Certo... de fato, garotos, a força sobrenatural está presente em todos os lutadores que fazem parte deste torneio! Essa é uma força que vai além da força física, que todos os humanos conseguem usar naturalmente.

Ryan: Além da força física... então de onde é que ela vem?

Maciel: Do espírito! É como se a força a física fosse a capacidade física do corpo, enquanto que a força sobrenatural é a capacidade do espírito da pessoa, entendem?

Ryan: Saquei... mas todas as pessoas têm esse tipo de força?

Maciel: Sim. Da mesma maneira que todas as pessoas também são capazes de usar seus músculos, todas podem usar a força sobrenatural. Mas, a única diferença é que, usar a força física é muito mais fácil do que usar a força sobrenatural. Pra falar a verdade, a diferença crucial está no treinamento que é feito para aperfeiçoar ambas essas forças.

Ryan: Está querendo dizer que o treinamento pra força sobrenatural é bem mais difícil do que aquele que é feito pra desenvolver os músculos, é isso?

Maciel: Exatamente. Por isso poucas pessoas na população humana usam esse poder, porque o treinamento é bem difícil! Bom, pra desenvolver os músculos e a resistência física, o que é que as pessoas fazem?

Ryan: Bom, elas... treinam com pesos... musculação, corrida...

Maciel: Pois é. Ou seja, para desenvolver a força física, treinam-se os meios físicos, como os músculos, por exemplo, isso porque a força física provém do corpo em si. Agora, se a força sobrenatural provém do espírito, como é que vocês acham que deveria ser o treinamento para despertá-la?

Cadu: Ah, talvez... um treinamento que fortaleça o espírito em si, não é?

Maciel: Sim, é bem lógico, não é? Se para desenvolver a força física, treina-se o corpo, para desenvolver a força sobrenatural basta treinar o espírito! É só isso! Acontece que treinar o espírito é bem mais difícil do que treinar músculos.

Ryan: Por que é tão mais difícil assim? Quero dizer, como é que é esse treinamento espiritual?

Maciel: Uma coisa que prova sua maior dificuldade é justamente o fato de que, para realizar esse treinamento, o humano já deve ter uma capacidade física bastante evoluída.

Ryan: Por que?

Maciel: Porque a força sobrenatural é muito maior do que a força física. Assim, se uma pessoa desenvolver seu espírito, conseguir despertar esse poder, mas tiver um corpo fraco... ele pode acabar sendo ferido, já que, apesar de a força sobrenatural vir do espírito, uma vez desenvolvida, ela exerce uma grande influência no corpo, ou seja, no meio físico... creio que você já saiba bem disso, não é, Ryan?

Ryan: Entendo... essa influência se reflete então naquela incrível velocidade e força que você e os demais professores da academia podem usar, não é?

Maciel: Isso mesmo! Por isso também é que eu fiquei preocupado em te contar antes, Ryan, se você por acaso conseguisse despertar sua força sobrenatural, mas tivesse um corpo fraco, você poderia até mesmo ser morto.

Ryan: Então é assim que funciona... o corpo deve ter certo nível de capacidade física pra poder suportar os efeitos do poder sobrenatural, é isso?

Maciel: Sim.

Cadu: Que foda...

Maciel É... por isso, o primeiro passo para uma pessoa que queira usar a força sobrenatural é fortalecer muito o seu corpo, para que ele não sofra danos mais tarde.

Ryan: Entendo... mas agora, por favor, Maciel, nos conte sobre o treinamento do espírito. Certo, a pessoa treina bem o corpo para que ele se fortaleça, mas e depois, o que ela deve fazer?

Maciel: Bom, uma vez com o corpo bastante evoluído, o espírito passa a ser o alvo. Eu costumo dizer que existem três etapas principais para que a pessoa possa começar a usar o poder.

Cadu: E quais seriam essas etapas?

Maciel: A primeira é a fase de reconhecimento. Nela, a pessoa deve reconhecer o espírito dentro dela, literalmente, entrar em contato com ele.

Ryan: Entrar em contato com o próprio espírito, esse é o primeiro passo?!

Maciel: Sim... a pessoa antes de tudo deve reconhecer o espírito que há em seu interior e a única maneira de conseguir isso é entrando em contato com ele.

Ryan: Puxa... mas como é que se faz uma coisa dessas?!

Maciel desvia o seu olhar por alguns segundos.

Ryan: Ah, qual foi, Maciel! Você não vai querer começar a me esconder as coisas de novo, não é?

Maciel: Não... bem, mas é sério, Ryan, deixa eu falar sobre todas as etapas e quando começarmos o treinamento sobre a força em si, aí eu te ensino todos os métodos, certo?

Ryan faz uma cara feia por alguns segundos.

Ryan: Hum! Ta bem, ta bem...

Maciel: Bom... depois que você consegue reconhecer bem o seu próprio espírito, já estará apto para passar à segunda etapa. Analisar a capacidade do espírito.

Cadu: Capacidade...? Como assim?

Ryan: É, eu também não consegui entender muito bem não.

Maciel: Calma, eu vou explicar. Quando eu digo analisar a capacidade, quer dizer que você deve conhecer o quanto de poder está adormecido em seu espírito no momento. Isso é que é reconhecer a capacidade dele.

Ryan: Espera, espera. Então, quer dizer que há um poder adormecido no espírito, beleza... mas esse poder é fixo? Ele não pode crescer se você fizer o treinamento espiritual, esse treinamento só serve pra acordar o que está adormecido, é isso?

Maciel: Não, não... calma Ryan, nessa segunda etapa, você apenas vê o quanto de poder que seu espírito tem no momento, não é um tipo de poder fixo. Depois que você analisa essa capacidade espiritual, aí sim, passa-se para a terceira e última etapa, na qual a pessoa deve fazer esse poder se misturar com o próprio corpo, dessa maneira, fazendo o uso do poder sobrenatural. Ao concluir então essa última etapa é que se diz que a pessoa conseguiu despertar o seu poder.

Ryan: Entendo... e provavelmente essa terceira etapa é a mais complicada de concluir, certo?

Maciel: Sim, sim, naturalmente. Mas, quanto à pergunta que você me fez, de o poder ser fixo ou não... bem ele realmente não é. Uma vez que você consegue acordar esse poder para o seu corpo, cada vez mais que você fizer treinamentos físicos, você estará aumentando o seu poder sobrenatural, já que ele estará mesclado com o seu corpo. E, além disso, existem também treinamentos específicos para o espírito mesmo depois de terminar as três etapas. Esses treinos específicos também são capazes de aumentar o nível de força sobrenatural.

Ryan: Saquei...

Cadu: Puxa vida, isso é mesmo foda demais! Mas com certeza passar por essas três etapas para acordar o poder vai ser mil vezes mais difícil do que fortalecer os músculos levantando pesos na academia, não é?

Maciel: Sim, sem dúvidas, Cadu! Não quero desanimar você, Ryan, mas esse treinamento espiritual é realmente bem difícil de se fazer, muito mais difícil de treinar corrida ou musculação, entretanto, uma vez que você começa e consegue acordar o poder... acaba se acostumando com o treino do espírito.

Ryan: Entendo...

Maciel: Bom, é isso o que eu tenho a te dizer sobre a força sobrenatural. Mas eu devo te lembrar que temos apenas cerca de dois meses para o torneio. Em relação ao seu treinamento, deveremos dividir este tempo, entende?

Ryan: Dividir o tempo pra que?

Maciel: Bem, eu estou pensando em deixar o primeiro mês para você fortalecer o seu corpo o máximo possível, através de musculação, corrida, exercícios aeróbicos bem variados... pra que você possa adquirir tanto força física quanto resistência.

Ryan: Ah, sim, claro, eu entendo. Você disse que, o primeiro passo para uma pessoa que queira desenvolver sua força sobrenatural é fortalecer o seu corpo para que ele possa suportar esse poder, não é isso?

Maciel: Exatamente. Neste primeiro mês, além desses treinamentos, você deve também já aprender alguns movimentos do estilo de luta que você escolher... assim, a partir do início do segundo mês, você poderá iniciar o seu treinamento espiritual.

Ryan: Certo, mas, Maciel, deixa te perguntar mais uma coisa. Você acha mesmo que um mês vai ser o suficiente pra que eu consiga despertar a força sobrenatural? Isso parece ser bem complicado...

Maciel: Eu não vou mentir pra você, Ryan, o tempo é muito, muito curto mesmo! Você terá que treinar de uma forma bem intensa para que possa participar do torneio.

Ryan fica com uma expressão um pouco preocupada.

Ryan: Isso quer dizer... que eu vou ter que ficar uma boa parte dos meu dias treinando...

Maciel: Sim... infelizmente não haverá outro jeito...

A mesa fica em silêncio por mais alguns segundos.

Maciel: Bom... eu lhe disse que no primeiro mês você também treinará fundamentos do estilo de luta que você escolher... isso já é pra adiantar... pois, dessa maneira, assim que você terminar o seu treinamento espiritual, já poderá usar as técnicas de luta com toda aquela velocidade e força que você viu nos professores da academia... bem, talvez não exatamente igual a eles porque seu tempo de treinamento será menor, mas de qualquer forma, você ficará bem mais forte e habilidoso deste jeito, considerando, é claro, que você leve o seu treinamento bem a sério.

Ryan: Sim, Maciel, pode deixar! Eu com certeza... irei treinar pra valer.

Maciel: Certo...

Ryan: Bem, então... quando exatamente eu devo começar os meus treinamentos...?

Maciel faz uma cara pensativa por alguns segundos, mas logo depois ele se volta para o garoto.

Maciel: O quanto antes melhor, Ryan, então... eu sugiro que você já comece amanhã... depois da sua aula.

Ryan: Amanhã...

Cadu rapidamente se vira para o seu amigo.

Cadu: Ei, Ryan, pensa bem, viu, cara, não se esqueça que a sua mãe ta colando no seu pé!

Ryan: É, pois é, eu já sei disso... mas não vai ter outro jeito se eu quiser mesmo participar do torneio... ta tudo certo, Maciel! Combinado. A partir de amanhã eu começo a treinar. Pode ser neste mesmo horário que eu vim te encontrar aqui hoje?

Maciel: Ah, sim, sim, pode... bem, pra falar a verdade, venha só uns trinta minutos mais tarde para que você não chegue na hora de almoço dos professores, está bem?

Ryan: Sim, certo. Ah é, eu tenho que saber de mais uma coisa.

Maciel: Pode falar.

Ryan: E quanto à mensalidade? Eu terei que pagar alguma coisa para treinar lá na academia?

Maciel: Ah... quanto a isso não se preocupe, você é meu convidado especial, Ryan! Não precisa se preocupar em pagar nada, está bem?

Cadu: Hah! Porra, mas que sorte não é não? Receber um treinamento desses totalmente de graça, incrível!

Ryan: Tá... eu te agradeço, Maciel, muito obrigado mesmo!

Maciel: Bem... eu acho que já acabamos... você vão comer aqui também?

Os dois garotos se olham rapidamente.

Ryan: Ah, não, não, eu vou almoçar em casa mesmo, vim aqui apenas pra conversar com você.

Maciel: Beleza então.

Os dois garotos se levantam e apertam a mão de Maciel.

Maciel: A gente se vê amanha, então, certo?

Ryan: Sim, claro.

Maciel: Ah, Cadu! Você também, por favor, vá lá ver a nossa academia, seria muito bom se você a conhecesse também.

Cadu: Ah, sim, pode deixar, eu vou ver sim. Adorei saber sobre tudo isso que você falou, com certeza deve ser muito foda ver um treinamento desses bem de perto.

Maciel: Heh! Sim, eu tenho certeza de que você vai gostar!

Ryan: Estamos indo então.

Maciel: Até amanhã, meninos.

Os dois saem da pensão e ficam parados do lado de fora por alguns segundos.

Ryan: Bom... agora eu só tenho que pensar no que é que eu vou dizer pra minha mãe pra que eu possa sair todos os dias depois da escola e talvez só voltar de noite, não é? Tem alguma idéia?

Cadu: Eu?! Eu?! Por que é que você acha que eu teria alguma idéia em relação a isso, é claro que eu não tenho! Pra falar a verdade, eu acho que você fez besteira, isso sim.

Ryan: Ah, qual foi, Cadu! Você mesmo disse que seria ótimo ter um treinamento como esse e agora vai ficar dando o contra, fala sério!

Cadu: Não, não é sobre isso que eu estou falando. É claro que você tinha que aceitar receber esse treino, mas você já devia estar pensando nas mentiras que você vai contar pra sua mãe. Quando digo que você fez besteira é por você ter se preocupado pouco em relação a isso.

Ryan: Ah, sei... o pior é que você tem razão, cara.

Os dois garotos começam a andar pelas ruas do bairro, indo na direção da casa de Ryan.

Ryan: Bom... eu não sei, cara, talvez eu pudesse falar pra ela que eu vou ter que ficar lá na escola mais tarde nos próximos dias pra fazer trabalho, ou estudar, não sei.

Cadu: Porra! E você vai ter que ficar saindo mais tarde durante dois meses?! Que porra de trabalho é esse?!

Ryan: Mas que saco, hein! Isso vai ser só no início, depois eu vou dizendo que... sei lá, vou na casa de alguém, na sua, não sei... ou eu falo até que tive que ficar de castigo porque respondi mal pro professor, sei lá! O importante é variar a mentira, entendeu?

Cadu: Hehe! Então ta, se você ta dizendo...

Os dois continuam caminhando por mais alguns minutos.

Ryan: Eu to é bem ansioso, isso sim! Não vejo a hora de começar esse treinamento, vai ser incrível quando eu puder usar essa tal força sobrenatural! Eu vou conseguir fazer tanta coisa...

Cadu: É só não se esquecer de que você vai ter que exercitar feito um louco, tu sabe, não é?

Ryan: É, é, mas fazer o que? Nada bom vem sem um pouco de esforço.

Cadu: Pode crer.

Então, os dois chegam na entrada da casa de Ryan. Eles entram e vêem a mãe do garoto sentada no sofá.

Mãe: Oi, querido! Como vai, Cadu?

Cadu: Eu estou bem, obrigado!

Mãe: Conseguiram terminar o tal trabalho?

Ryan: Ah, claro, claro!

Mãe: Você disse que demoraria a tarde toda praticamente, eu pensei que você fosse demorar bem mais.

Ryan: Ah... não, isso vai ser amanhã, sabe! Hoje nós só organizamos algumas coisas bem básicas mesmo...

Mãe: Sei... mas olha, Ryan, não se esqueça, eu só vou deixar você chegar mais tarde desde que você fique na escola, entendeu? Não quero você andando por aí não!

Ryan: Ta, ta, eu já sei.

Mãe: Bom, a Lu já preparou o almoço, ele está na mesa já. Pode ir lá comer também, Cadu.

Cadu: Ah, ta...

Ryan: Beleza, vamos lá então.

Os garotos entram na cozinha, e se sentam na mesa. Lu está lavando a louça.

Ryan: E aí, Lu, como você está, tudo bem?

Lu: Meu querido!

Ela pára imediatamente de lavar a louça e corre até a mesa. Logo em seguida, dá um forte beijo na bochecha de Ryan.

Lu: Meu querido! Eu fiquei sabendo do que aconteceu naquele show! Ainda bem que não aconteceu nada grave com você, graças a Deus! Mas você não ficou traumatizado não, não é? Não precisa ficar, esses caras sempre se acham e gostam de arrumar confusão ainda mais nesses tipos de evento como aquele show...

Ryan: Não, não, não, não precisa ficar assim tão preocupada, não, Lu! Eu estou bem, não aconteceu nada comigo e eu não fiquei traumatizado, pode ficar sossegada.

Lu: Ainda bem! Ainda bem!

Cadu abre um leve sorriso no rosto.

Cadu (pensando): Puxa! Parece que todo mundo aqui da casa do Ryan se preocupa demais, a Lu consegue ser pior do que a mãe dele!

Lu rapidamente olhaa para Cadu e o garoto leva um susto.

Cadu (pensando): Será que eu pensei alto demais?!

Lu: Desculpa, Cadu, eu nem falei com você! Afinal você também estava naquele show, não é? Não aconteceu nada com você também não?

Cadu: Ah... não, não, eu estou bem...

Lu: Bom... o prato do Ryan já está aqui na mesa, eu farei um prato pra você também, Cadu, espere só um pouco, certo?

Cadu: Ah, sim... muito obrigado, Lu e não precisa fazer nada rápido não, ta tranqüilo.

Ela coloca o prato de Cadu e os dois almoçam rapidamente. Ambos sobrem para o quarto de Ryan e se sentam na cama.

Cadu: Bem, Ryan, parece que a sua mãe engoliu, não é? Acho que amanhã pelo menos você vai poder treinar tranquilamente lá na academia.

Ryan: É, parece que sim. O tempo está passando, e, naturalmente, a preocupação dela está diminuindo também.

Ryan ele se levanta da cama e coloca o rosto para fora da janela.

Ryan (pensando): Tomara que eu consiga... eu preciso participar deste torneio!

O dia se passa lentamente e os dois garotos ficaram trancados no quarto o dia inteiro jogando vídeo-game e depois mexendo no computador. A noite cai e mais ou menos às nove horas, Cadu vai embora, Ryan come o seu jantar e vai dormir.

No dia seguinte, ao meio-dia em ponto, o sinal da aula bate e os dois garotos vão rapidamente para fora da escola. Ryan sai primeiro e fica esperando por Cadu, que chega quase cinco minutos depois.

Cadu: Caramba! Você está ansioso mesmo hein!

Ryan: Claro que eu to, você sabe disso!

Cadu: Certo, certo. Ah é! Ryan, eu ia te falar sobre isso ontem, só que com aquela coisa toda, eu acabei me esquecendo. Agora que o fim de semana passou e tal... você não vai procurar a Mary não? Vocês saíram no show e acho que depois daquilo, vocês nem se falaram, não foi?

Ryan: Putz! Nem me fala, cara, pode crer! Eu me esqueci completamente dela com essas coisas todas de armadura, aqueles seres... mas eu também não posso perder a hora pro treinamento, não é? Pelo menos não no primeiro dia... depois quando eu chegar em casa eu dou uma ligada pra ela!

Cadu: Ta, falo nada...

Ryan: Vamos andando pra academia, se formos devagar vamos chegar na hora.

Cadu: É, ele falou que era melhor chegarmos uns trinta minutos mais tarde...

Ryan: Sim...

Os dois vão andando pelas ruas da cidade até que chegam na academia. Eles entram e Maciel está esperando por eles na recepção, que está com algumas poucas pessoas.

Maciel: E aí? Como vão?

Ryan: Tudo beleza. Podemos entrar já?

Maciel: Sim... mas só não me deixa esquecer depois, Ryan, de fazer a sua carteirinha, está bem? Depois, na saída, a gente vê os documentos necessários e aí você traz amanhã pra fazermos logo, beleza?

Ryan: Ah, sim, sim, claro.

Maciel: Bom, vamos entrando...

Eles passam pelo corredor e, ao lado da passagem à direita que dá caminho para a sala de musculação, há uma pequena entradinha com uma escadaria de ferro em formato de caracol.

Maciel: Podem vir por aqui, essa é a parte administrativa da academia.

Ryan: Sim...

Eles dois sobem por alguns segundos até que a escadaria termina numa sala quadriculada. Nela, o chão, teto e paredes são formados de azulejos também, com uma grande lâmpada no teto, que ilumina toda a sala. No centro dela, há um banco bastante acolchoado e longo, totalmente vazio. Há duas portas de madeira em paredes opostas. Maciel começa a se dirigir para a porta da direita.

Ryan: É nessa sala aí que nós vamos começar o treinamento, Maciel?

Maciel: Não exatamente.

Maciel pega uma chave em seu bolso e abre a porta, revelando uma sala menor, também quadrada, iluminada por uma pequena lâmpada no teto. Ela tem uma pequena mesa de madeira no centro, com duas cadeiras acolchoadas na frente e uma atrás. Além disso, ao lado da mesa, há uma balança bem atual e uma esteira de corrida. Um pouco atrás da mesa, há uma pequena cômoda sobre a qual está uma caixa de vidro com diversos aparelhos em seu interior e sobre a mesa há um computador bem moderno.

Maciel: Vocês podem se sentar aí.

Ryan: Sim.

Os garotos se sentam nas cadeiras acolchoadas, Maciel contorna a mesa e se na outra cadeira, ficando de frente para os dois meninos.

Maciel: Bom, antes de tudo, Ryan, eu pretendo fazer uma avaliação física em você. Só para saber as coisas básicas, como altura, peso, porcentagem de gordura corporal, medida dos braços, das pernas, e também irei testar a sua capacidade de corrida, ou seja, aeróbica, e também testarei a sua força física.

Ryan: Está bem.

Maciel: Ah, sim. Antes de eu começar... Cadu, se você se interessar em entrar na nossa academia... bem... você também pode fazer a avaliação.

Cadu arregala os olhos.

Cadu: Ta... falando sério?!

Maciel: Sim... bem... eu só não tenho certeza se você poderá entrar de graça como o Ryan, mas talvez demos um jeito... nós nunca vimos você lutando... talvez possamos realizar uma bateria de teste em você para sabermos o seu potencial... se for muito bom, quem sabe entre aqui de graça também... isso se você quiser, é claro!

Cadu abre um grande sorriso.

Cadu: Seria ótimo, cara! Se bem que...

Maciel: O que foi?

Cadu: Eu não devo passar nesses testes, não tenho nenhuma prática de luta nem nada.

Maciel: Mas pelo que eu sei, o Ryan também não tem, mas ele lutou muito bem lá naquele show, não é verdade?

Cadu fica calado por alguns segundos.

Maciel: Bom... a proposta está feita.

Cadu: Certo... eu acho que farei sim.

Maciel: Faça mesmo. Você não tem nada a perder com isso, se não passar, não passou, mas se conseguir ir bem, poderá realizar o mesmo treinamento de Ryan.

Cadu: Sim...

A sala fica em silêncio por alguns segundos.

Maciel: Bem, Ryan, agora, acho que podemos começar, certo?

Ryan: Ta.

Maciel: Vamos lá...

O professor começa a mexer no computador por alguns segundos até que ele se volta para o garoto.

Maciel: Quantos anos você tem?

Ryan: Quinze anos.

Maciel digita no computador.

Maciel: Bebe, fuma, ou toma algum tipo de remédio freqüentemente?

Ryan: Não... tomo alguns remédios quando fico doente, gripado, com febre... mas nada que seja uma rotina...

Maciel: Entendo... tem algum histórico de doença na sua família?

Ryan: Não.

Maciel: Alguma cirurgia?

Ryan: Também não.

Maciel: Certo... vamos lá... tire os tênis e fique de pé.

Ryan se levanta, retira os tênis e as meias, enquanto Maciel vai até a caixa de vidro e pega uma fita métrica.

Maciel: Encoste na parede, pro favor, e fique bem reto.

O garoto faz o ordenado e Maciel rapidamente mede a altura dele com a fita.

Maciel: Alto, hein! Um metro e oitenta centímetros.

O professor digita no computador e se volta para o menino mais uma vez.

Maciel: Suba na balança aí.

Ele sobe e no visor aparece o número 69.

Maciel: Um metro e oitenta, sessenta e nove quilos... é... é um bom peso. Pode descer.

Ele volta a digitar no computador.

Maciel: Bem, Ryan, fique de pé, reto, para mim, encostado na parede, sem a camisa.

O garoto retira sua camisa e fica completamente estático enquanto que Maciel ajeita a webcam de seu computador na direção de Ryan. Ele bate uma foto.

Maciel: Fique de lado.

Ryan se vira dos dois lados e Maciel bate duas fotos de ambas as direções. Rapidamente o professor se senta e começa a mexer no computador, analisando as fotos que foram tiradas.

Ryan: Não tem nada errado não, não é, Maciel?

Maciel: Não, não, muito pelo contrário! Eu achei que você pudesse ter algum leve desvio de coluna e tal, mas nada! Você é bem reto, sua postura é muito boa!

Ryan: Menos mal... isso deve ser bom para a s lutas, não é?

Maciel: Sim, naturalmente... agora...

Ele se levanta e vai novamente até a caixa de vidro. Guarda a fita métrica e pega um aparelho de ferro parecido com um alicate.

Maciel: Vamos medir o seu percentual de gordura agora...

O professor vai apertando o aparelho em algumas partes da barriga, da cintura e embaixo dos braços de Ryan. Então, ele volta ao computador e digita mais algumas coisas.

Maciel: Certo... em torno de 13 % de gordura... bom, bom...

Ele volta à caixa de vidro, deposita o aparelho de ferro e volta a pegar a fita métrica. Ele começa a medir os braços, as pernas e a barriga de Ryan. Depois de alguns poucos segundos medindo, ele volta a digitar no computador.

Maciel: Bem... você tem medidas relativamente boas, Ryan, mas algumas ainda precisam ser alteradas.

Ryan: Quais?

Maciel: Bom... o seu tórax está medindo 80 cm, seu abdome está em 71 cm, cintura, 67 cm, quadril 75 cm. Agora, em relação aos braços..., seu braço esquerdo está em 23 cm, contraído e seu braço direito está em 24 cm... sua panturrilha esquerda está em 32 cm e sua direita em 33 cm... sua coxa direita mede 41 cm e a direita mede 40 cm. Bom, os braços devem aumentar, sabe... e também o seu tórax, abdome e um pouco as coxas... acho que as panturrilhas até que estão boas, talvez precise aumentar só um pouquinho... mas os principais são os braços, o abdome e o peitoral também...

Ryan: Entendo...

Maciel: Naturalmente, para aumentar essas medidas, você deverá ganhar peso, mas apenas um pouco... se você ficar com os braços medindo em torno de 27 cm, seu abdome em torno de 76 cm e seu tórax em 85 cm... acho que estará bom... aumentando também mais uns dois ou três centímetros em cada coxa. Enfim, se você conseguir ganhar uma certa massa muscular, essas medidas vão poder ser alcançadas bem fácil.

Ryan: Em resumo, essas medidas só ilustram que eu ainda estou fraco, certo?

Maciel: Sim, infelizmente... mas com a musculação você vai conseguir se fortalecer com certeza... mas não deve aumentar muito porque os lutadores devem ser bem rápidos, entende? Não adiantará nada você se fortalecer e ficar bem musculoso para não ser rápido nos movimentos. O truque é balancear os dois.

Ryan: Sim, é claro! Eu também não tenho nenhuma vontade de ficar bombadão nem nada.

Maciel: Hehehe! Certo... certo... agora eu só quero avaliar a sua força física.

Ele se levanta e pega um pequeno colchonete a um canto da sala. O joga no chão.

Maciel: Deite-se, por favor.

Ryan: Certo.

O garoto se deita e logo em seguida, Maciel pega as pernas de Ryan as dobra para cima, na direção da barriga, e começa a segurar fortemente os seus pés.

Ryan: Você vai me mandar fazer abdominais, certo?

Maciel: Sim. Vamos lá, tente fazer o máximo de abdominais que conseguir em sessenta segundos. E devem ser abdominais que venham até em cima, encostando a sua cabeça nos joelhos, está bem?

Ryan: Certo, entendi...

Maciel: Beleza...

Ele mexe um pouco no seu relógio e volta a segurar fortemente os pés de Ryan.

Maciel: Vai!

Ryan começa a fazer rapidamente os abdominais com Maciel olhando para o relógio de dez em dez segundos, até que um minuto se passa.

Maciel: Pronto!

O garoto se deita totalmente no colchonete, completamente suado.

Ryan: Fiz 38, segundo as minhas contas, não foi?

Maciel: Sim. 38. É razoável para um iniciante.

Ryan: Sei...

Maciel solta os pés e se levanta.

Maciel: Bom... agora, vamos começar com as flexões.

Ryan: Certo.

O garoto fica de frente para o chão, se apoiando apenas pelos braços e pés.

Maciel: Deixe o seu corpo bem reto e faça as flexões até que você sinta todo o seu corpo tocando o chão, está certo?

Ryan: Sim!

Maciel: Faça o máximo que conseguir. Vai!

Ryan começa a fazer as flexões em grande velocidade, até sentir seu rosto e todo o seu corpo tocando o colchonete. Ele continua fazendo até que, na última, ele demora quase cinco segundos para subir, fazendo uma expressão de dor e suando bastante. Ao subir, ele se ajoelha no colchonete.

Maciel: 23 flexões! É... mediano.

O garoto fica de pé.

Maciel: Bom, Ryan, você ainda precisa melhorar bastante a sua força física até o torneio, mas te aconselho a não ficar desanimado, porque, pra um iniciante, você está bem.

Ryan: É... pois é, eu já esperava por isso.

Maciel: Vamos para a aeróbica. Você deve correr nessa esteira, eu vou aumentando a velocidade até que você diga para parar. Deve ser na velocidade máxima que você consegue correr e eu colocarei um aparelho em você para medir as batidas do seu coração. Se eu ver que as suas batidas estão se aproximando ao máximo, eu irei reduzir a velocidade, mesmo que você diga que pode continuar correndo, entendeu?

Ryan: Sim...

Maciel: Bom... considerando então que você tem quinze anos de idade, sua freqüência cardíaca máxima é de 205 batimentos por minuto... quando chegar no máximo a 190, eu verei a velocidade e essa será a velocidade máxima.

Ryan: Sim... eu não devo me aproximar muito da freqüência máxima, senão pode acabar dando merda, não é?

Maciel: Sim... acima de 190 pode começar a ficar perigoso, se aumentar rapidamente, você pode acabar enfartando.

Ryan: É... eu entendi...

Maciel: Bom...

Maciel se dirige à caixa de vidro, apanha uma faixa de cor preta e um relógio de pulso. Ele amarra a faixa no peito de Ryan e deixa o relógio de pulso em sua mão direita. Nele, há o número 78.

Maciel: Bom... você até que tem uma boa freqüência pro estado normal, sem fazer exercícios. Vamos lá, suba na esteira. Ah, sim, antes, coloque os tênis.

Ryan põe os calçados e sobe rapidamente na esteira.

Maciel: Já está pronto?

Ryan: Sim!

Maciel liga a esteira e Ryan começa a andar.

Maciel: Não se esqueça de me falar quando sentir que não pode mais aumentar a velocidade.

Ryan: Ta.

Inicialmente, Ryan vai andando e Maciel começa a aumentar a velocidade. Quando a esteira começa a marcar 8,0 km/h, Ryan começa a trotar. Maciel deixa por um tempo e vê o relógio, que marca 120 de freqüência cardíaca.

Maciel: Vou aumentar...

Ryan: Sim.

Ele aperta o botão e a velocidade vai subindo lentamente. Ao chegar a 12 km/h, Maciel pára e vê novamente o relógio.

Maciel: Seus batimentos estão em 160 por minuto. Eu aumentarei mais um pouco.

O garoto começa a suar e a se sentir bem ofegante.

Ryan: Pode ir.

Maciel volta a aumentar até 15 km/h e Ryan começa a suar cada vez mais, correndo bastante, a sala fica tomada pelos ruídos das batidas dos pés e do motor da esteira. O professor volta a olhar para o relógio.

Maciel: 185... 186... 187.... 189... 190... 191...

Então, Maciel começa a reduzir rapidamente a velocidade e em questão de segundos, a velocidade chega a 5,0 km/h e o garoto começa a andar lentamente, muito ofegante e respirando bem forte.

Maciel: 15km/h é a velocidade máxima que você alcança em segurança, Ryan...

Ryan (ainda bem ofegante): Está... bom?

Maciel: Mais ou menos... bem mais ou menos... diria que você se saiu melhor nos testes de força física...

Maciel então reduz bem a velocidade até desligara esteira. Ele retira a faixa do peito de Ryan, que já está quase recuperado de seu fôlego.

Maciel: Hum! Quando você conseguir despertar a sua força sobrenatural, vai se impressionar com o que você conseguirá fazer, tanto em relação à corrida quanto em relação à força.

Ryan: É... eu espero que sim...

Maciel: Bom, Ryan, eu tirei suas medidas, altura, peso, fiz os testes... em questão de uma ou duas semanas a sua avaliação funcional estará pronta, eu imprimirei e entregarei a você, certo?

Ryan: Sim...

Maciel: Mas só falta uma coisa pra completar a sua ficha aqui. E diria... que é um ponto fundamental.

Ryan: O que é?

O professor fica em silêncio por alguns segundos.

Maciel: Bom... você vai querer treinar em qual estilo de luta? Já tomou uma decisão quanto a isso, não é?

Este é o último capítulo disponível... por enquanto! A história ainda não acabou.