- só Uma Chance para o Final Feliz -
8 Decisão
Notas iniciais
Capítulo Anterior: Jackie e Hiroto têm o tão esperado encontro, mas Jackie sente que ainda não está pronta para começar algo novo.
Nos três primeiros dias da semana seguinte Hiroto não apareceu na gravadora. Jackie apenas viu Tora e Nao passando pelos corredores apressadamente e sempre acompanhados de staffs. Como ela também estava sempre correndo não teve tempo de perguntar. Jenny disse que Shou também tinha ligado pouco para ela, só três vezes por dia.
De certa forma era até bom não ver Hiroto pois quando o visse teria que conversar com ele. Falar que no momento...
_ Jackie-san reunião em 2 minutos e... pára de brisar, acorda!
_ Ok Yamada-san – repsondeu Jackie rindo.
Na quinta feira Hiroto, Shou e os demais membros do alice nine apareceram. Eles estavam às vésperas da turnê nacional do VANDALIZE por isso estavam correndo muito com preparativos e ensaios.
_ Eles hoje vieram Jackie, vão ensaiar daqui a pouco no estúdio de sempre – disse Jenny – queria ver mas preciso terminar o fechamento do mês, mais um, tem noção que estamos aqui a dois meses, quase três?
_ É mesmo, nem parece... eu vou dar uma volta – disse Jackie
Jenny lhe lançou um olhar de “volta? Sei sei”. Jackie desceu as escadas por onde passavam diversas pessoas, inclusive artistas, e caminhando meio que sem rumo, incoscientemente perdida em pensamentos foi parar na porta do estúdio que o Alice Nine ensaiava, uma vez que estava lá resolveu entrar sem ser percebida, ficou encostada na parede em meio a sombra para não ser vista.
Hiroto realmente estava dando o melhor de si nestes últimos ensaios, em cada solo, em cada nota colocava toda a animação e sentimento que conseguia reunir, todos os membros queriam que este tour fosse o melhor de todos.
No meio de Kiss Twice, Kiss me deadly, Hiroto teve a sensação de que estavam sendo observados, olhou para perto da porta do estúdio em um ponto mais escuro e viu Jackie, ela também o viu e se afastou mais para o canto para ficar mais escondida. Hiroto sorriu e continuou tocando, quando olhou novamenteviu que a garota olhava séria e atentamente, mas não era para ele, e sim para o vocalista da banda enquanto cantava. Ela o encarava com uma expressão mista de desejo e desprezo. Hiroto desviou o olhar, reforçou o protetor auricular contra o ouvido e continuou tocando. Então era esse o problema, Jackie ainda gostava de Shou-kun. Nesse momento Hiroto não conseguiu pensar em nada, só continuou tocando. Se Jackie ainda gostava de Shiu-kun, então aquele encontro e tudo o que passaram juntos não significou nada? Por que aquilo estava sendo tão difícil?
Jackie saiu antes que mais alguém além de Hiroto notasse sua presença e a convidasse para ficar até o final. Estava confusa, ainda gostava de Shou, mas não sabia como dizer isso a Hiroto. Queria realmente corresponder aos sentimentos dele, mas por que não conseguia? Shou insistia em ficar na sua mente, todo o tempo, mas Shou agora era seu cunhado, que bagunça
Jackie sentou-se no chão do corredor que no momento estava deserto, abriu a revista que comprar pela manhã, que tinha uma entrevista sobre the GazettE, só pra folhear, sua cara de desânimo era visívele folheava a revista sem prestar atenção ao que fazia.
_ Oi, tudo bem? – disse uma voz que se aproximara sem Jackie se dar conta.
_Ah, oi Reita-san... pra ser sincera se eu disser que está tudo bem eu estaria mentindo.
Reita era baixista de the GazettE, cuja foto aparecia em destaque na revista que Jackie folheava.
_ É, sua cara te denuncia... ei, essa revista!! – disse apontando para a revista nas mãos da garota.
_ Ah sim, estava passando em frente a banca e vi, mas ainda nem tive tempo de ler -disse Jackie.
_ Ah, muitas coisas que a gente fala nessas entrevistas são coisas que os fãs desejam ouvir e não o que realmente somos ou sentimos – disse Reita.
_ É a parte ruim de ser famoso, precisa manter a imagem, sendo e fazendo coisas pra agradar aos outros -disse Jackie refletindo.
_ Até quem não é famoso passa por isso.
Jackie ergueu a cabeça e confirmou crispando os lábios.
_ Mas eu sei de algo que sempre anima qualquer pessoas que está pra baixo, vem comigo – disse Reita.
Sem entender Jackie se levantou e o seguiu. Ele a levou até o refeitório e a pediu para sentar e esperar na mesa. Ele retornou com uma taça contendo pelos menos 5 litros de sorvete com confetis, balas e todos os sabores de cobertura.
_ MINHA NOSSA!!!! – disse Jackie quase caindo da cadeira.
_ Nada melhor para animar do que comer, principalmente sorvete – disse Reita lhe entregando uma colher de sorvete.
_ Se eu comer tudo isso vou ter uma hipotermia – disse Jackie rindo.
_ Não vai, já comi o dobro disso e nem passei mal, eu ajudo você a comer já que insiste – disse Reita pegando outra colher.
_ Itadakimasu – disse Jackie
_ Viu? Nem começou a comer e já melhorou de humor.
_ É verdade – respondeu Jackie de boca cheia -Obrigada!
_ De nada. E o que aconteceu? – perguntou Reita.
_ Hmm... sabe quando você precisa fazer algo que sabe que precisa ser feito mas não sabe como e nem se realmente quer fazer? – disse Jackie tentando simplificar a situação, obviamente só complicou ainda mais.
_ Sim, conheço alguém que morreu disso aí – respondeu Reita.
_ Sério – disse Jackie caindo na risada.
_ Quando acontece esse tipo de coisa, você sempre tem duas escolhas, fazer o que é certo ou fazer o que é fácil, eu particularmente prefiro uma terceira opção... fazer o que será melhor pra mim. Porque não adianta você escolher fazer uma coisa por pressão, não só pressão externa, interna também, e depois vai ficar sofrendo e pode se arrepender, o meu conselho é que você veja o que no fundo você realmente deseja.
Jackie sorriu.
_ Sábias palavras Reita-san, não conhecia este seu lado, acho que não vou achar isso aqui na revista ne~ — disse ela apontando.
_ Isso é efeito do sorvete, anima e inspira, agora come antes que derreta tudo e aí não tem mais graça – disse Reita.
_ Obrigada, me ajudou bastante – disse Jackie levando uma colher lotada de sorvete á boca.
_ As palavras ou o sorvete? -perguntou Reita.
_ Os dois! – disse Jackie sorrindo.
Reita estava certo, Jackie tinha que fazer o que a deixaria mais tranqüila, o problema é que não sabia o que a faria melhorar, estava confusa, como poderia sair tranqüila daquela situação.
Pouco antes de seu horário de saída, Jackie já havia arrumado as coisas para ir embora.
_ Nossa, que milagre, se arrumando mais cedo? – disse Jenny
_ Não fale como se eu estivesse saindo antes do horário -disse Jackie
_ Antes do SEU horário sim – disse Jenny brincando
_ To te esperando lá fora – disse Jackie pegando suas coisas e saindo da sala.
Desceu até a recepção e ficou na área externa da empresa. O céu tinha um tom alaranjado, era o por do sol. Por alguma razão que na verdade sabia qual, pegou o celular e tirou uma foto da paisagem.
_ Ficou muito boa – disse uma voz conhecida que se aproximou atrás dela. Era Hiroto.
_ Ah, você está aí, resolvi te imitar -disse Jackie sorrindo.
_ Que bom! Ei, o que você foi fazer no estúdio hoje mais cedo? – perguntou ele.
_ Sei lá, eu estava fugindo um pouco do trabalho e fui parar lá – disse Jackie rindo.
_ Sei...
Jackie engoliu seco, precisava falar com ele e a hora era essa.
_ Hmmm... Hiroto-san, eu ... bem... precisamos conversar ne~ — disse Jackie – Errr.. sobre o sábado... foi mesmo muito incrível, adorei conhecer você melhor, descobri várias coisas a seu respeito, foi legal...
_ Mas...? – disse Hiroto como se tivesse lido sua mente.
_ Mas... eu acho que ainda não consigo corresponder plenamente aos seus sentimentos – disse Jackie sem conseguir encará-lo diretamente.
_ Ainda gosta de outra pessoa? – perguntou ele certeiro.
_ Bem... eu não quero enganar você nem a mim mesma, e acho que se começássemos algo agora seria muito precipitado, acho que por enquanto melhor deixarmos como está.
_ Quer dizer como estava antes de sábado né? – disse Hiroto.
_ Acho que... não, como eu disse foi muito legal, mas eu...
_ Você tem medo – disse Hiroto encarando-a e Jackie olhou novamente para baixo – Sabe... tenho que lhe falar uma coisa, isso é algo que eu, Hiroto, penso. Se nós não buscarmos as mudanças, se ficamos simplesmente esperando que aconteçam sozinhas, senão dermos uma chance, e não estou falando de mim e sim de você, uma chance para pelo menos tentar encontrar aquilo que todos sonham em encontrar, que é a felicidade simplesmente a nossa vida vai mergulhar em um mar de rotinas cruéis e escravizadores, e fica cada vez mais difícil de se livrar delas. As vezes a gente mesmo tem que decidir entre ficar se remoendo por algo que já passou bloqueando assim todas as chances de finalmente ser feliz ou desafiar o medo de começar algo novo. Não pense que estou tentando te convencer, porque a decisão é somente sua, sabe que eu realmente gosto de vocês e queria mais que tudo que pudéssemos ficar juntos mas acima de tudo desejo que escolha o que será para o seu bem.
Jackie não conseguia encará-lo diretamente, nunca tinha ouvido coisas tão profundas e tão corretas em toda sua vida, de certo modo sentia que precisava ouvir aquilo e cada frase pronunciada ecoava pela sua mente.
_ Ah... me desculpe, não era minha intenção dar lição de moral nem te deixar intimidade – disse Hiroto corando.
_ Não... eu realmente fiquei pensando sobre o que você acabou de dizer mesmo -disse Jackie -Obrigada Hiroto-kun.
Era a primeira vez que ela o chamava de Hiroto-kun. Hiroto sorriu lhe deu um beijo na testa e disse um “até mais” muito doce que soou como algo cálido e doce porém num tom como se assinalasse um ponto final de alguma história.
Pouco depois Jenny apareceu encontrando Jackie parada olhando o horizonte como se estivesse em transe.
_ Jackie? – chamou a irmã.
Jackie virou-se para Jenny com os olhos completamente cheios de lágrimas, abraçou a irmã e começou a chorar muito. Jenny sem entender a situação abraçou de volta a irmã mais velha, queria saber o que havia acontecido, quem sabe mais tarde ela poderia lhe contar, no momento sentia que tudo o que precisava fazer era sustentar aquele abraço.
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