- só Uma Chance para o Final Feliz -
3 Inocência
Notas iniciais
_Ei, ta tudo bem com você? – perguntou Tora.
_ Ta sim, desculpe sentar sem pedir licença -respondeu Jackie sorrindo.
_ Tudo bem – responderam os dois rapazes.
_ NE... nem conheci vocês direito aquele dia, vocês são guitarristas né? Eu comprei um cd de vocês hoje de manhã, Vandalize – disse Jackie
_ Por que comprou? Poderíamos lhe dar um se quisesse – disse Hiroto
_ Ah... sei lá, não ia pedir, nem conheço vocês direito ainda -respondeu ela sem jeito.
_ Já ouviu? – perguntou Tora.
_ Ainda não, mas as letras são lindas, muito mesmo – disse ela.
_ Shou kun escreve todas as letras -disse Tora.
_Ele escreve muito bem -elogiou a garota.
_ Quem escreve bem?
Era a voz de Jenny bem atrás de Hiroto, que chegava acompanhada por Shou. Jackie lançou um olhar sério à irmã, que percebeu e desviou-se.
_ Acho que conseguiu mais uma fã, Shou kun -disse Tora – ela estava elogiando as letras do vandalize.
_ Obrigado! -disse Shou sorrindo. E que sorriso era aquele, nossa senhora. Jackie sorriu de volta e por um momento uma porção de felicidade lhe invadiu o peito.
_ Bem, vou indo agora, minha avó me fez prometer ir com ela ao super mercado, óculos escuros o tempo todo novamente, impressionante o que ela inventa -disse Tora com ar revoltado.
_ Até mais – disse Jackie enquanto Tora se levantava da mesa e deixava os colegas.
_ Jackie-san, sua irmã é muito engraçada, demos boas risadas juntos.
Jenny riu e Jackie disse baixinho “é... eu vi”.
_ Shou-san também é engraçado – disse Jenny rindo.
_ Ei, porque não combinamos de sair, todos juntos a noite no sábado?
_ Puxa, seria legal né Jackie? -disse Jenny empolgada.
_ Sim, com certeza – respondeu Jackie tentando inutilmente fingir que estava tudo bem, quando na verdade sua vontade era de voar no pescoço da irmã.
_ Vamos Hiroto kun? – convidou Shou.
_ Humm... acho talvez não vá poder no sábado, agendei com uma loja para ver uma guitarra nova.
_ Não tinha comprado uma nova recentemente? – perguntou Shou
_ Sim, então... eu vou trocá-la -respondeu Hiroto.
Eles continuaram a comer por uns minutos em silêncio. Jackie geralmente comia muito rápido, mas a comida parecia não querer descer de jeito nenhum. Hiroto também comia devagar.
_ Bem, vou subir então, pra ver se adianto algumas coisas na minha mesa – disse Jenny se levantando.
_ Ah, eu também já acabei, te acompanho – disse Shou
Os dois subiram as escadas juntos e Jackie teve vontade de arremessar o garfo certeiro na cabeça de Jenny, sem dúvida teria feito um bom estrago. Em meio a sua revolta lembrou do garoto que acabara de terminar a refeição. Sorriu pra ele e ele retribuiu.
_ A quanto tempo vocês são uma banda? -perguntou Jackie, tentando arranjar algum assunto.
_ 2004. Antes eu fazia parte de outra banda, também visual kei -respondeu Hiroto.
_ Vamos andando? – convidou Jackie
_ Ah claro – respondeu Hiroto.
_ Você trabalha em uma gravadora americana, deve conhecer diversas bandas muito boas -disse ele.
_ Sim, não são extremamente conhecidas, mas fazem sucesso. Eu percebi que visual kei é algo que faz sucesso aqui no Japão também, principalmente com as garotas – observou Jackie.
_ É... temos muitas fãs mesmo, acho isso bem incrível -disse ele -a atmosfera nos show é demais.
_ Que legal, quero ir a um show de vocês logo -disse ela sorrindo.
_ Ah, vá sim, será uma honra pra nós – disse o garoto.
Caminharam conversando até chegar à sala do RH, onde Jackie entraria.
_ Bem, vocês vão embora que horas? – perguntou Hiroto.
_ 17:30 – respondeu Jackie.
_ Estão morando aqui perto?
_ Sim, na zona leste, é perto daqui.
_ Ah, eu também moro por ali agora que me mudei, como hoje vou ficar até mais tarde um pouco aqui para repassar algumas coisas com o Shou kun não quer que nós as acompanhemos até em casa?
_ Claro, seria ótimo -disse Jackie animada, na verdade por poder andar um pouco com Shou kun.
_ Então nos encontramos na recepção às 17:30, ok? – disse ele.
_ Estaremos lá, até mais tarde. – respondeu ela, entrando na sala.
As garotas saíram 17:30 em ponto da sala onde trabalhavam e foram encontrar os garoto que já as esperavam.
_ Está de carro Hiroto kun? – perguntou Shou.
_ Hoje não, levei pra trocar dois pneus e fazer uns ajustes, vou pegar amanhã de manhã.
_ Eu também não, vamos andando então.
Os quatro foram andando, Jenny e Shou conversavam bastante, e Hiroto ria do que diziam, Jackie estava de cara fechada.
_ Ei, olha, vamos tomar um café no Starbucks? – disse Jenny animada apontando para uma loja com um logo verde de uma mulher de cabelos longos em que se lia “Starbucks”.
Ela nem gostava de café! Porque essa onda de simpatia toda? Aquilo já estava dando nos nervos.
_ Jenny, melhor não, vai ficar tarde – argumentou Jackie
_ É, acho que podemos ir outro dia – disse Hiroto.
_ Então vamos dar uma passada rápida, depois eu levo ela em casa – disse Shou.
_ Pensando bem, acho que alguns minutos não fazem mal nenhum – disse Jackie mudando de idéia rapidamente -não é Hiroto san?
O rapaz concordou mas sem entender nada. Os quatro entraram e encontraram Nao e Saga que acenaram e chamaram-nos para sentar com eles.
_ Que surpresa encontrar o Nao-kun aqui – disse Shou sarcástico.
_ É, como faz tempo que não venho, estava com saudades -respondeu com o mesmo tom.
_ E ainda me arrastou junto – disse Saga -pelo menos me pagou três cookies.
Todos fizeram seus pedidos que lhes foram entregues na mesa, comeram e continuaram conversando. Jackie olhou para fora e pediu licença para tomar um ar.
O Sol estava se pondo, que coisa linda era aquilo, nunca se cansava de olhar para este tipo de coisa, e com esta visão se acalmou um pouco. Quando olhou para o lado Hiroto tirava uma foto com seu celular, aparentemente da mesma paisagem que a garota observava. Virou-se para ela sorrindo.
_ Você também gosta de ver o por do sol? – perguntou ele.
_ Sim, acho explêndido.
_ Eu tenho coleções de fotos do céu, é um dos meus hobbies.
_ Que interessante, nunca havia pensado nisso -disse Jackie.
Ficaram em silêncio um pouco olhando a paisagem, mas Jackie se sentia incomodada quando estava acompanhada e não havia uma conversa. Por isso tentou puxar assunto:
_ Hm... aconteceu algum problema com sua guitarra? Você disse hoje no almoço que iria trocá-la no sábado.
_ Na verdade eu não gostei muito do modelo, é um pouco desconfortável tocá-la então preferi ligar para o vendedor e trocar por outra melhor.
_ Ah... eu não entendo muito de instrumentos -disse ela com um sorriso sem graça
_ Mas gosta de música?
_ Sim, muito, quero escutar logo o cd de vocês que eu comprei, mas já sei que as letras são magníficas – disse ela.
_ Eu geralmente me interesso mais pela melodia, obviamente, por ser guitarrista, não que a letra não seja importante, mas a melodia vem primeiro. -disse Hiroto.
_ Eu sempre digo que é a melodia que pede uma letra e não o contrário – observou Jackie.
_ Escute a música Innocensee a musica Subaru do Vandalize e me diga o que sentiu quando as escutou, pode fazer isso? Foque a melodia – disse Hiroto.
_ Claro, será divertido, mas também não vou esquecer da letra – respondeu Jackie.
_ Como Shou kun é vocal ele é responsável pelas letras, como é ele que vai cantá-las.
_ Eu gosto muito de cantar – disse Jackie.
_ Ah, você canta? – perguntou Hiroto.
_ Errr...
_ Canta algo pra mim? – pediu ele.
_ Aqui? Agora? – disse ela chocada.
_ Sim, o que que tem? Não tem ninguém perto.
_ Ah... está bem – disse relutante -tem uma musica que eu gosto muito, da Lena Park, conhece?
_ Sim, ela canta muito bem – respondeu ele.
_ Bem, vou cantar uma parte, não ria – disse ela sem graça.
Ele concordou com a cabeça, e Jackie começou a entoar a canção que era uma de suas músicas favoritas. Hiroto prestava muita atenção, bem sério, talvez estivesse preocupado em não sorrir pois ela havia pedido isso. Era como se analisasse cada nota, cada tom, cada timbre da voz suave da garota. Quando ela terminou ele estendeu os braços e disse “YATTA”. Ela achou aquilo um pouco estranho, mas relevou.
_ Nossa, você... você é o máximo, quero dizer... a sua voz é o máximo, é linda, você... você precisa correr atrás disso, porque não usa o estúdio e grava algo só seu? Você poderia até nos ajudar também com back vocals femininos, porque sua voz é divina mesmo, você não pode desperdiçar esse talento.
Jackie riu muito da empolgação que ele demonstrava e agradeceu.
_ Desculpe, fiquei meio empolgado – respondeu rindo.
_ Vamos entrar então? – disse ela.
_ O que vocês dois estavam fazendo sozinhos lá fora hein? – disse Saga – Hiroto com essa cara de santo nunca me enganou hein?
_ Estavam olhando o por do sol juntos, que romântico – brincou Nao.
_ Parem, a gente só estava conversando – disse Hiroto sem graça, enquanto Jackie ria.
O que era pra ser uma passada rápida se transformou em três horas de risada e conversação, até que Hiroto chamou Shou e as meninas para irem logo, pois estavam a pé. Eles concordaram e se despediram de Saga e Nao, que iriam para o outro lado da cidade. Os quatro caminharam até a casa das meninas, as deixaram na porta e se despediram. Shou acabou indo para a casa de Hiroto.
_ Shou kun... sabia que a Jackie canta muito bem?
_ É mesmo? Que interessante, quero ouvi-la – respondeu Shou.
_ Ela até poderia nos ajudar quando tivéssemos back vocal feminino, como tem em Kouchouran – disse Hiroto.
_ Pode ser sim – disse Shou — Hiroto kun onde você guarda o outro futon?
_ Dentro daquele armário alí- disse apontando.
Os dois se deitaram e logo Shou estava dormindo. Hiroto não conseguia para de pensar naquela voz tão linda e suave que ouvira. Acreditava que algumas pessoas eram abençoadas com o dom da musica, e sem duvida ela era uma dessas pessoas. Realmente ela era uma garota especial, queria saber mais sobre ela.
Notas finais
Se quiser ouvir a música que Jackie cantou para Hiroto acesse > http://www.youtube.com/watch?v=s26YRlvwwAU&feature=channel_page
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