- Estranha Obsessão -
18 Dúvidas, medos e decisões
Dúvidas, medos e decisões
Não sei por quanto tempo ficamos dentro daquele carro, de tão cansada e esgotada nada conseguia ver, pensar ou mesmo falar, suas emoções estavam transbordando dentro de si.
Sentia culpa por ter se afastado de Pamella e também de ter desobedecido Victor, apesar de tudo ela se conhecia e sabia que nunca conseguiria viver sendo controlada,mesmo que dessa vez isso tivesse salvado a vida de ambas, sempre viveu por ela mesma, aprendeu que ao contar com outras pessoas no final essas sempre acabavam a machucando, mais uma prova disso foi a situação de sua amiga, confiou tanto, se entregou e no final o que tinha ganhado? Apenas Dor...
Jamais confiaria em um homem, gostava de Victor tinha que admitir, ele era protetor e sempre estava ali por ela, mas sabia que quando encontrasse outra que desse tudo o que ela dá a ele, este não pensaria duas vezes antes de deixá-la ir.
Era difícil mas o que ocorreu com sua amiga a fez novamente voltar a realidade da vida, isso era a vida, não um conto de ilusões, amores, sonhos, finais felizes, era melhor acordar e tirar o aproveito de tudo que podia, sabia que aos poucos poderia ganhar muito, tudo que tinha que fazer era se envolver com as pessoas certas e as conquistá-las aos poucos, precisava ser mais ambiciosa e conseguir a única coisa que traria a ela segurança “DINHEIRO”, tudo girava em torno do dinheiro.
Ao mesmo tempo estava grata por nada de mal acontecer as duas, o que poderia ter acontecido se Victor não estivesse ali? Quanto mais pensava nisso mais grata ficava e o respeitava, Por que tudo estava tão confuso agora em sua mente?
Quando o carro parou foi que percebeu estar próximo ao escritório de Victor, estranhou e quando ia perguntar algo deu de cara com Mara entrando no carro e Victor saindo, ainda tentou segurá-lo, mas antes que conseguisse Mara falou que ele precisava resolver algumas coisas e ficar um tempo só, apesar de estar a cada dia gostando mais dela isso a irritou e muito, por que sempre estava no meio de tudo? Não tinha por acaso uma vida própria? Apenas balançou a cabeça e virou seus olhos vendo agora que Pamella estava dormindo devido o desgaste e de tanto chorar.
Como queria também dormir, queria esquecer de tudo e de todos, por que viver era tão difícil?
Ainda pensando nisso percebeu que chegou a sua casa, o portão como magia estava agora aberto e pelo jeito consertado notando isso, ainda pode ver Sandro na porta nos esperando, quando nossos olhos se encontraram vi ali, raiva, medo e ao mesmo tempo preocupação.
Estava ali, não estava sozinha tinha Mara, Sandro, Pamella e o homem na direção mas a única pessoa que ela realmente queria nesse momento era Victor, precisava do abraço dele, sentir seu cheiro, seu calor, ele conseguia fazer com que ela se esquecesse de tudo, seu passado, seus receios e medos.
Percebendo que todos saíram levemente tocou o rosto de Pamella, tentando acordá-la, mas ela assustada começou a gritar, fazendo com que eu me assustasse e a segurasse mais forte para não se machucar.
Estava tão mexida que não conseguia dar a força que ela tanto precisava.
– Calma Pam, Calma, sou eu, sou eu amor.
– Nada de ruim vai acontecer com você, você esta protegida.
Ao ouvir minha voz, ela foi se acalmando. Mas quando Sandro veio ajudar e tentou pegá-la no colo para entrar na casa , ela começou a gritar de novo e soluçar sem parar.
Vendo isso eu e Mara a ajudamos, com dificuldade conseguimos, apesar de Pamella estar mais magra do que eu recordava, seu rosto estava cheio de orelhas, inchado e vermelho de tanto chorar, também percebia que não tinha dormido para valer há muito tempo.
Em cada observação minha, mais ódio eu sentia de André e desejava que ele estivesse morto, esperava que Victor o tivesse matado, ele era um animal! Pessoas assim mereciam morrer para nunca mais causar dor a ninguém, do que adiantava prender e depois aprontar de novo? Melhor dar fim, pensei.
Quando conseguimos chegar no quarto de hospede, vi que estava também esgotada mas ao ver Pam assim precisava primeiro cuidar dela e depois eu me viraria.
Em todo o momento notava Mara quieta e zangada, estava surpresa de não estar falando, uma vez que ela sempre foi de falar, em todo o momento que encontrava ela a via olhando para Pamella, seus olhos estavam sempre nela, sentia que estava com dó e incomodada com a dor que ela transmitia mesmo inconsciente.
Mara saiu do quarto, me deixando com Pamella, sabia que precisava tirar suas roupas e tentar dar um banho nela, mas por um momento quando comecei a desabotoar sua roupa, meus dedos começaram a tremer, eu tinha medo de ver que o filha da Puta tinha feito algo a mais nela.
Mara entrou e ao ver minhas mãos tremendo, sem nunca perguntar nada começou a me ajudar.
Tinha que admitir que ao tê-la ao meu lado sentia mais forte para encarar a situação, respirei aliviada e só pude dizer.
– Obrigada, eu não sei se conseguiria sozinha, ela é muito importante para mim.
Ainda desabotoando sua blusa vi que tinha vários sintomas de machucados pelo seu peito, ombro, pernas.
Quando Mara viu, senti que ficou tensa e revoltada.
– Puta merda, se meu irmão não tivesse dado fim naquele bosta eu mesmo ia lá e o matava, mas eu não iria facilitar a situação para ele não! Eu ia fazer ele sofrer e implorar pela sua vida.
– Como alguém pode machucar uma pessoa tão delicada e feminina, disse agora passando a mão sobre as marcas.
– Ela parece um anjo, tão inocente, como alguém pode machucar algo tão perfeito?
Apesar de notar que ela estava exagerando muito, para alguém que até o momento nunca ouviu se quer falar, me mantive calada e tentei ajudar no que podia, queria logo tomar um banho e deitar um pouco, me sentia suja.
Não demorou muito, ainda nos duas cuidando dela a porta do quarto foi aberta e uma moça deveria ter seus 40 anos, bem morena , alta e magra entrou no quarto, fiquei sabendo que era uma enfermeira, e que estaria com Pamella até que essa se recuperasse e estive bem.
Respirei aliviada agradecendo Mara por tê-la chamado, essa só sorriu.
Agora mais calma e quase desabando, me retirei não antes de ver que Mara estava sentada ao lado de Pamella e segurando sua mão quando a enfermeira estava aplicando nela um sedativo para poder dormir.
–
Meia cambaleando entrei no banheiro tirando minha roupa, antes de pensar joguei tudo que estava usando no lixo, não queria me recordar de nada.
Preferia que esse dia fosse apagado de sua mente, e faria de tudo para que Pamella também esquecesse.
Mas a quem estava enganando? As marcas estavam ali, ela bem sabia que certas coisas nunca se esqueciam, podia passar o tempo que fosse sempre seriam uma marca que em algum momento, algum dia viria à tona.
Ainda assim pensando e tentando lavar seus cabelos sentiu que a porta foi aberta e viu Mara tentando entrar.
– O que esta fazendo aqui? Perguntei alterada.
Não antes de notar que Mara não estava olhando para mim, tinha apenas aberto a porta.
– Quero saber se precisa de algo? Sei que também esta esgotada, ficarei aqui até que saia dai, se algo te acontecer meu irmão pira de vez.
Sorri pelo modo que ela falou, como se isso fosse realmente acontecer, triste não pude deixar de falar.
– Se ele estivesse tão preocupado, estaria aqui e não trabalhando. Me arrependi na hora de ter falado isso, mas de fato estava chateada de não tê-lo aqui comigo.
Mara apenas bufou alto e exageradamente dizendo que ele não estaria lá se não fosse realmente necessário, tinha que assinar alguns documentos urgentes e que não tinha outra solução, mas tão logo pudesse estaria aqui comigo.
– E para que saiba, ele já avisou que não vai hoje no jantar da Confraternização.
– Sabe quando ele já fez isso em sua vida? Nunca, para ninguém...
– Não reclame Aline, ele faz coisas por você que eu fico de boca aberta, estou começando a achar que meu irmão foi abduzido, disse rindo de si mesma.
– Eu não sei o que você tem, mas deixa meu irmão em suas mãos. Falou agora mais seria.
Por mais que eu estivesse amando ouvi-la, estava cansada demais, e ao me vestir, fui em direção a minha cama e deitei.
Não antes de pedir para que ela ficasse com Pamella.
Agora quase dormindo devido ao esgotamento, acho que ouvi ela dizendo algo mas não tenho certeza se foi isso...
– Agora que eu a encontrei não deixarei sozinha nunca mais... Ela é perfeita... Perfeita demais...
Notas finais
_O_
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