O sangue ainda escorria pelos meus dedos quando ouvi a porta bater.


Um som seco, rápido. Como um aviso.


Meu corpo reagiu antes da mente. A adrenalina corria sob a pele feito veneno líquido, e por um segundo, esqueci como respirar. O quarto escuro parecia menor, sufocante, como se estivesse prestes a engolir tudo — inclusive a mim.


Ele estava ali.

Eu sabia.

Eu sempre sabia.


— Está fugindo de novo, Clara? — a voz dele era baixa, grave, carregada de deboche e algo mais — algo que nunca consegui nomear, mas que sempre me atingia feito uma lâmina.

— Não vim pra isso — respondi, tentando manter a postura mesmo com o coração disparado.

— Mentira.


Dominic deu um passo. Depois outro. Suas botas marcaram o chão sujo como se cada pegada fosse um lembrete de que aquele lugar, aquela dor, aquele passado — tudo ainda era dele.


Inclusive eu.


Notas finais
> Se você chegou até aqui, obrigada por acompanhar a história. Me conta o que achou desse reencontro nos comentários 🖤
Você chegou ao fim do livro. Parabéns!