日没
1 Capítulo Único
Notas iniciais
Shiba Isshin POV.
Olhei pela janela da clínica o céu já começando a ficar alaranjado. Quase anoitecia, e o relógio marcava seis e quinze da noite. Sentia-me aliviado. Finalmente poderia encerrar o trabalho e relaxar um pouco.
A tarde havia sido realmente cansativa. Os pacientes foram muitos, principalmente alguns velhinhos chatos, o que colaboraram pelo meu mau humor momentâneo. E para completar, a visita não tão agradável de Urahara, somente para me atormentar um pouquinho e falar algumas novidades do que ficara sabendo sobre o que acontecia na Soul Society.
Ascendi um cigarro e pensei em ficar na clínica um pouco mais. Aquele céu alaranjado, quase beirando ao vermelho, me trazia algumas lembranças.
Lembranças daquela tarde que convidei Masaki para ir ao cinema. Aquela mesma tarde cômica, que mesmo assistindo um filme tão chato, e ao mesmo tempo tão engraçado por causa da Kurosaki estar chorando enquanto o assistia, eu percebi quem me fazia feliz.
Kurosaki Masaki era meu sol. Tudo girava ao seu redor, e só com ela eu me sentia completamente feliz. Só de estar ao seu lado eu me sentia bem. Como eu poderia viver em um mundo onde meu sol não existisse?
Apesar de algumas mentiras, como a do meu suposto banimento da Soul Society por ter violado leis, eu sabia que ela já havia percebido que eu mentira para ela. Mas em seus olhos eu via que apesar disso, ela havia me perdoado. Não era necessário contar-lhe a verdade, isso poderia fazê-la sentir-se culpada por algo que não fez. E mesmo assim, ela parecia entender. Se eu não havia a dito a verdade, era porque tinha algum bom motivo. Ela esperaria até eu me sentir pronto para dizer a verdade.
Pelo menos eu não havia mentido em contar que havia perdido meus poderes de Shinigami, certo?
Não demorou muito tempo até nos casarmos. Sem duvida nenhuma eu agora me sentia feliz por completo. Tudo o que eu mais admirava, de agora em diante viveria comigo. O meu sol, agora era apenas meu de verdade. Masaki era minha mulher, minha amante, minha companheira, minha melhor amiga.
O que mais eu poderia querer?
Oh sim, eu queria mais. Muito mais, e ela também.
Uma família.
Mas ainda era cedo. Masaki estava na universidade, e eu não poderia atrapalhar. Tínhamos um longo futuro pela frente, então poderíamos esperar um pouco mais.
Os curtos cabelos da Kurosaki se estenderam. Longos, ondulados e cheirosos cabelos castanhos claros que faziam meu coração disparar quando eu sentia seu perfume quando íamos para a cama descansar. Masaki ainda tinha o péssimo habito de querer ficar acordada até tarde conversando e fazendo brincadeiras, e eu, mesmo tendo que trabalhar cedinho, não me importava de sacrificar meu sono somente para fazer tudo o que ela desejasse.
E assim, dois anos se passaram. Masaki terminou a universidade, e seu tempo para ficar comigo na clínica ou dentro de casa se estendeu um pouco mais.
Talvez tenhamos ficado muito afobados por termos mais tempo juntos. Tal afobação foi a causa de um pequeno acidente que causamos.
Sim, que causamos. Nós dois. Jamais admitirei que a culpa fosse totalmente minha, porque se ela não fosse tão afobada quanto eu, isso não teria acontecido.
E por causa desse acidente, Masaki começou a mudar. Eu já não a entendia mais. Um dia feliz e outro triste, outro completamente irritado e outro cheio de carência.
Desejos por comidas bizarras e enjoos frequentes.
Sem contar que Masaki começou a ficar... Hum... Um pouquinho acima do peso...
Descobri que falar que ela estava engordando era uma péssima coisa a se fazer. Por esse pequeno detalhe, fiquei três dias sem almoço e janta como castigo. E como se já não bastasse, Masaki me fez dormir no sofá.
“Eu não estou gorda? Pois então, vou ocupar a cama inteira. Vá dormir na sala Isshin!” Essas foram as doces palavras vindo de um monstro com instabilidade emocional.
Meu cigarro havia chegado ao fim. O sol já havia quase sumido e eu resolvi subir. Masaki havia dito mais cedo que tinha uma novidade.
Com pressa, cheguei até a cozinha. Minha Quincy preparava o jantar, e parecia mais linda que nunca. Seus olhos brilhavam, e ela cantarolava uma musiquinha enquanto mexia em algumas panelas. Inevitavelmente um sorriso formou-se em meu rosto, e senti a necessidade de tocá-la.
Sorrateiramente fui até onde ela estava. Abracei-a e depositei um singelo beijo em sua nuca, onde eu sabia que ela mais se arrepiava.
Após o jantar, fomos até o quarto. Tomamos banho juntos e nos preparávamos para dormir. Quando Masaki foi até a janela e ficou alguns minutos observando o céu. Levantei-me da cama e coloquei-me ao seu lado, a abraçando e depositando beijos por todo seu rosto, a fazendo rir um pouco.
— Nee, Isshin... — Sua mão foi de encontro com sua enorme barriga, enquanto a acariciava com cuidado — O que acha do nome “Ichigo”?
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