ピンキー – Pinky
1 Capítulo 1
Livro um
Primavera
1
Realização Inicial
O deslizar suave da porta foi menos que suficiente para chamar a atenção dos alunos, que faziam um barulho irritantemente repetitivo.
– Aquietem o facho, seus pivetes malditos – estalou com mau humor. Era evidente que Itachi não teve uma boa noite de sono – São somente sete horas da manhã, porra!
– Foda-se, Sr. Doninha. Você é só um velho solitário que namora com os próprios livr...
Um livro voador interrompeu a fala de Naruto, um pivete que Itachi particularmente odiava. O objeto bateu certeiro na sua testa, e o loirinho gritou em puro horror quando sentiu um filete de sangue escorrer pelo ferimento.
Sr. Doninha. Como odiava esse apelido.
– Se não querem ter o mesmo destino que seu colega anão, bando de anões, é melhor abrirem a página 85 do livro de ciências e começarem a copiar.
Imediatamente uma série de reclamações foram ouvidas entre os alunos inquietos, mas quem disse que Itachi Uchiha ligava? Ele estava tão irritado que poderia mandar seus pivetes fazerem duzentas flexões sem dó nem piedade. A propósito, o fato desses monstrinhos serem extremamente mal educados e delinquentes não tornava as coisas melhores.
Sentando na sua cadeira, Itachi colocou os famosos óculos e jogou os livros sobre a mesa do professor, ajeitando uma poeira invisível no jaleco. Ele estava prestes a começar de forma decente sua aula quando um grito ecoou dos fundos:
– Doninha de óculos!
Gaara, que recitava essa frase como um mantra, conseguiu recuperar a coragem dos outros pivetes e a bagunça havia recomeçado com força total. Mesas e cadeiras eram jogadas para todos os lados, e o anão que fora acertado pelo livro começou uma guerra de bolinhas de cuspe.
Ótimo, pensou o Uchiha sarcasticamente. Que merda estava pensando quando decidiu virar professor do fundamental?
*
Não era segredo para ninguém que a parte que Itachi mais gostava na hora de ir trabalhar era, definitivamente, ir embora.
A classe da manhã foi um verdadeiro inferno, o que é uma melhora significativa em relação à semana passada. Dessa vez, ele só proferiu 40 palavrões ao invés dos habituais 60.
Um recorde.
Além disso, ainda haviam as classes de tarde com os alunos do segundo e terceiro ano. Nessas séries ele esperava um pouco mais de maturidade em relação aos seus pivetes do primeiro ano, mas ele sabia que seria um desejo inútil.
Até porque pirralho é pirralho, e por alguma razão todas salas em que Itachi é designado como professor acaba sendo uma baderna.
Falando em baderna, a entrada do seu apartamento estava estranhamente calma. Seus vizinhos, que ele com muito desgosto constou que se chamavam Uzumakis, no geral estão fazendo mais bagunça dentro de casa essa hora da noite. Ainda mais juntando Karin, a maldita irmã menor do anão delinquente, e a mãe Kushina, que parece ter a mesma idade mental dos seus dois filhos.
Mas, como dito antes, a família não estava fazendo a bagunça de sempre, o que causou um imenso alívio para o Uchiha mal-humorado. Ele não esperava para pôr os pés no seu quarto, abrir um bom livro e...
– Ahh, vai mais rápido, amor...
– Abre mais as pernas.... Ahhh....
Vá para o inferno, Nagato.
Nagato Uzumaki talvez seja a única pessoa a quem ele considera algo como quase amigo mas, porra, ele não precisa mesmo saber os detalhes do que está fazendo no seu quarto e com quem está fazendo!
E infelizmente, os gemidos são tão altos que daria para ouvir do outro lado do corredor.
Ele fechou a porta do seu apartamento com força, tentando transmitir a ideia que já estava em casa e que podia ouvir muito bem o que acontecia no cubículo ao lado, mas Nagato ou não ouviu ou fingiu que não ouviu, porque os sons do casal só ficavam mais altos a cada segundo.
Porra.
– Ahh, acho que vou... ahhh...
Mil vezes porra.
*
Por algum motivo, o diretor Sarutobi tem estado muito preocupado com o humor de Itachi, então essa manhã ele declarou que o moreno deveria ficar em casa e descansar a mente um pouco.
Na verdade, o mais estranho do dia não foi nem Itachi aceitar essa folga sem questionar (já que ele é um maldito workaholic). O mais estranho foi Nagato se oferecer para ocupar seu lugar na turma dos pirralhos – visto que o próprio detesta crianças quase tanto quanto ele mesmo.
De qualquer forma, Itachi deu um meio sorriso quando soube da notícia.
Pobres monstrinhos. Nagato não é mais tolerante do que eu.
Colocando as mãos nos bolsos, o jovem professor saiu pelas ruas de Toronto em busca de uma loja de doces que venda Anmitsu branco, sua sobremesa favorita.
As ruas estavam desertas, e somente poucos cidadãos circulavam aquela hora da manhã. A maioria era composta por idosos aposentados que não tinham nada mais para fazer e mães com suas crias.
Hm, menos mal. Pelo menos não tem nenhum pivete-
– U-Um, d-desculpe-me, s-senhor – ouviu uma voz tímida e suave, seguido por um puxão na barra da sua camiseta.
Ele olhou para baixo e viu um par de olhos verde esmeraldas. Era uma garotinha com cerca de dez a doze anos de idade.
Criança (ou como ele gosta de chamar, “pirralho”) era a última coisa que Itachi queria ver naquele momento. Entretanto, o moreno não pôde deixar de ficar no mínimo curioso com a cor exótica dos cabelos da garotinha que havia puxado sua blusa.
Era cor de rosa. E natural.
Ela também usava um vestido verde esfarrapado que com certeza já esteve em um estado melhor. Seus pés, nus, tocavam o chão frio da manhã cobertos de lama. Seu rosto tinha fuligem espalhada pela testa e bochechas, além dos braços e pernas.
Francamente, Itachi sentiu pena da pirralhete. Por isso, ele deu um dos seus raros sorrisos e falou em a voz mansa:
– O que foi, querida?
A menina pareceu relaxar a postura. Parece que esperava uma reação bem pior, então certamente Itachi não fora a primeira pessoa a quem pediu ajuda.
– B-Bem, m-meu p-padrasto disse que eu n-não poderia voltar p-para casa sem conseguir p-pelo m-menos cinquenta d-dólares... – ela encarou o Uchiha nos olhos – H-hum, o s-senhor p-poderia m-me dar d-dez centavos?
A primeira reação do jovem moreno foi ficar estático. Então ele sentiu uma raiva súbita, e um gosto estranho percorreu sua boca.
Uma das coisas que Itachi sempre odiou, provavelmente desde a sua infância, foi violência infantil.
É até irônico ele pensar assim, levando em consideração que havia tacado um livro de ciências na testa do anão loiro um dia desses, mas era um caso completamente diferente.
O anão merecia. Ah se merecia. Entretanto, ele está quase certo que essa pirralha não. Além disso, ela parece tão adorável com esses cabelos cor de chiclete...
– Qual o seu nome, pivete?
A garota se assustou com o repentino tom rude do professor. Percebendo isso, ele suavizou a expressão e refez a pergunta com o tom mais morno:
– Qual o seu nome, pivete?
– Sakura.
– Bem, Sakura – ele sorriu com falsa inocência – Leve-me até seu padrasto. Tenho certeza que poderemos resolver isso como adultos.
*
– O que você quer comigo, seu Índio cretino?
Mas é óbvio que, com aquela coisa, não dava para se resolver nada como adultos.
– Vim conversar com o senhor – Itachi recitou, tentando o seu máximo para não soltar nenhum palavrão na frente da pirralhete cor de rosa que se escondia atrás das suas pernas.
– Conversar? Tsk – a figura deplorável de um velho barrigudo bebeu um gole da bebida não identificada – Vá embora antes que eu quebre essa garrafa no meio da sua cabeça, pivete.
Pivete? Ora, ele tinha dezoito anos! Era um professor respeitado (talvez nem tanto) na instituição em que trabalhava e foi considerado um verdadeiro prodígio ainda com seis anos.
Itachi Uchiha, meu bem, não era um simples pivete.
– Senhor – ele forçou com a voz tensa. Se sentia um idiota resolvendo pacificamente algo com alguém que está implorando para levar um chute nas bolas – Eu peço que me ouça. É sobre sua afilhada, Saku...
– Ahh, então foi aquela vadiazinha que me dedurou? – ele virou os olhos furiosos para a garotinha, que se encolheu ainda mais atrás do adolescente – Escuta aqui, sua vagabunda, eu disse para arranjar dinheiro, não um moleque com cara de fuinha para me dar lição de moral – então o velho sorriu sadicamente – Parece que você ainda não aprendeu a lição, não é mesmo? É igualzinha a cadela da sua mãe. Ainda bem que aquela desgraçada morreu. Ela não parava de encher o meu saco o tempo todo, hehehe.
Os olhos verdes começaram a brilhar com as lágrimas que se acumulavam sem piedade. Ela apertou a calça do moreno com mais força, decidida a não mostrar fraqueza perante a única pessoa que a enxergou naquela rua.
Sinceramente.
Em toda sua vida, pouquíssimas pessoas conseguiram deixar Uchiha Itachi louco. Mas esse velho, esse maldito velho bêbado, conseguiu realizar um feito que nem mesmo as pestes que o moreno ensinava conseguiram um dia.
Resumindo, agora a porra ficou séria.
Itachi baixou a cabeça, cerrando os punhos com tanta força que a qualquer momento suas mãos poderiam sangrar. As franjas laterais, que normalmente estariam moldando o rosto fino do Uchiha, juntaram-se em uma só quando um vento repentino soprou, cobrindo praticamente toda a sua face e fazendo um efeito muito foda e sinistro.
– Cale a boca, seu resto de bosta.
O adulto pigarreou, com a voz zombeteira:
– O que você disse, Índio dos Palmares?
– Eu disse – de súbito, ele levantou o olhar, inclinando levemente a cabeça para o lado. Poderia ter sido a luz, mas seus olhos estavam em um tom vermelho sangue muito macabro – Para calar. A maldita. Boca.
A tensão no ar era tão densa que mesmo um recém-chegado poderia perceber. O olhar mortal e assassino do Uchiha sanguinário era um aviso claro do que viria a seguir.
Mas mesmo com todas essas dicas, o velho não arredou o pé. Mesmo que seus pelos estivessem eriçados, suas mãos suando incontroláveis e seu corpo tremendo mais que uma gelatina, o padrasto de Sakura continuou com a pose artificialmente confiante.
– C-Como se eu fosse te obedecer, cara de doninha.
O Uchiha sorriu com uma expressão medonha.
Oh, o que o maldito orgulho faz com as pessoas.
*
Uma semana depois, Itachi se encontrou sentado no escritório de – olhou para a placa de identificação – Tsunade Senju, uma mulher teimosa que insistia em entedia-lo com lições sobre o seu novo cargo, e como era importante manter a responsabilidade e a postura que um tutor legal deveria transparecer.
– ...e se eu souber que você anda maltratando essa pequena menina, vai se ver comigo, Sr. Uchiha!
Itachi enviou um olhar azedo para a loira. Merda, eu a salvei. O que no mundo te faz pensar que eu vou maltratá-la?
– Acabou? – perguntou seco, depois de cinco segundos sem que Tsunade gritasse mais alguma coisa.
– Sim. Agora você só precisa assinar esses papéis.
Ah, moleza.
– Pronto – deu um sorriso arrogante para a mulher, que somente riu com escárnio.
– Eu quis dizer todos os papéis, Sr. Uchiha.
E uma pilha de folhas foi colocada diante do rosto incrédulo do jovem, que arfou em pura descrença.
Que diabos? VOCÊ SÓ PODE ESTAR BRINCANDO COMIGO!
Dez minutos depois, Itachi sentia sua mão formigar. Ele havia assinado seu próprio nome em um papel mais vezes que uma celebridade em sessão de autógrafo.
Mas pelo lado positivo, agora era legalmente responsável por Sakura Haruno, uma garotinha de nove anos que achou na rua.
Cor de rosa, não se esqueça.
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