Notas iniciais
Para o melhor Francis que já vi, DivineBonnefoy, que me pediu para escrever uma fic sobre a insanidade do meu querido Rússia.

Ele arrastava o cano de metal, deixando um rastro de sangue pela neve alva. Sangue inimigo ou amigo, tanto importava para ele. Caiu de joelhos na fria tundra, se curvando pela dor quase inexistente depois de levar tanto dano, podendo sentir cada ferida aberta. Ele era a inteira Rússia, sofrendo por uma das derrotas do seu povo. Ele era um soldado desconhecido, Ivan Braginsky. Uma risada maníaca escapou pelos seus lábios, enquanto olhava para os corpos mutilados á distância. Tinha gostado de fazê-los sofrer, assim como já tinha sofrido pela mão de outras pessoas. Gostou de sentir os ossos quebrando pela arma excêntrica, porém eficaz. De ver os rostos amedrontados, pedindo e implorando por suas miseráveis vidas mortais. Não adiantava pedir por piedade, não. Ele já a tinha abandonado há muitos anos atrás. Em sua cabeça passavam-se um turbilhão de pensamentos, se confundindo. Sentia as emoções á flor da pele, como nunca tinha sentido antes. Porém estavam mescladas, indecifráveis. Não conseguia mais distinguir o certo do errado, o bom do mau. Percebeu que estava sozinho.

Deixado, abandonado. Afinal, quem seria amigo de um homem louco, não é mesmo? Suas irmãs, seus subordinados. Nem mesmo seu chefe, ou próprios soldados estavam em seu lado ainda. Restou-lhe a neve, e um objeto inanimado de metal. Os únicos em quem podia confiar. Se o vento estava querendo dizer algo, não disse. Mas ele ouviu. E ah, como ouviu. As vozes lhe diziam coisas, das mais variadas. Estavam no vento, na escuridão que se formava entre os pinheiros, na sua mente. Elas reverberavam, o deixando cada vez mais confuso, e por mais que não gostasse de admitir, com medo. Então ele realizou. Não eram simplesmente vozes anônimas. Era a sua voz. Todas aquelas coisas horríveis, ele já havia dito. Já havia feito o quê ameaçara. E estava com um sorriso doce de vitória estampado no rosto. Porém estava com medo. Medo do seu real interior.

A quão insensível ele poderia ser? A que tipo de monstro cruel ele poderia se tornar, se é que já não havia se tornado? Também tinha medo do quê aconteceria em seguida. Seria invadido, largado para morrer? Alguém o salvaria, mesmo tendo assassinado em sangue frio toda aquela gente, muitos inocentes? Mas no fundo, preferia que não fosse salvo. Já não merecia mais a vida bela como ela é, apesar de todos os sorrisos falsos e amizades interesseiras. E definitivamente, ele não queria que fosse visto por ninguém neste estado. Se outro país o encontrasse, estaria perdido. Pois além de humilha-lo, poderia tomar seu território. E se sobrevivesse, nunca seria respeitado de novo. Pois estava chorando. Chorava, ainda sorrindo de um jeito vicioso e claramente desamparado. As lágrimas se misturavam com o sangue, seu e das vítimas, que manchavam a neve fria. Ele já não estava entendendo o quê se passava. Não sentia mais culpa, nem queria ser perdoado. A solidão, que já fazia parte dele, apenas se agravou. E logo, ele não sentiria mais falta de alguém ao seu lado. Somente sua mente debilitada, quebrada e perturbada já seria difícil de manter, imagine uma amizade. Não que conseguisse, claro. O temiam mais do quê necessário, porém agora ele dera motivos para o temerem. Outrora ocorrera um romance, mas este foi devastado. Claro que o pobre menino russo se culpou na época, mas quem disse que não foi sua culpa?

Tentou se levantar, falhando miseravelmente. Estava fraco demais. Provavelmente uma grande parte do país havia sido tomada por inimigos, ou talvez ele tivesse se abatido demais. Ele não se rebaixaria ao ponto de clamar por ajuda, á algum herói. Por fim deitou-se, virado para cima. O cano, deixado ao lado do corpo, pronto para caso de algum ataque surpresa. Deixou a neve o consumir, a mente se levar pela vastidão branca. E então fechou os olhos, se esquecendo de tudo o quê tinha pensado, do que havia feito, desejando por um amanhã melhor.

Notas finais
Sim, Braginsky com ''y''. Com ''i'' seria um sobrenome de origem polonesa. Não espero reviews, mas gostaria de saber o quê acharam.
Você chegou ao fim do livro. Parabéns!