Último verão
10 Joe Yong
A nossa casa na árvore estava uma bagunça, dá ultima vez que estivemos aqui saímos as pressas, estava chegando uma tempestade e não queríamos ficar parado na estrada atolados na lama. Não demoramos muito para colocar as coisas em ordem, mesmo com as reclamações de Nick a cada cinco minutos e suas insinuações de que Noah e eu bagunçamos a casa toda transando em toda parte, o que de certa forma não era mentira e nem verdade, não transamos na cozinha, Noah até me colocou em cima do balcão uma vez enquanto eu estava preparando uma macarronada, mas foram apenas alguns beijos antes do molho cheirar a queimado e precisarmos mudar o cardápio para panqueca com queijo.
Pete ainda não tinha chegado, talvez por isso Nick continuava irritado, algumas noites atrás, Pete pediu minha ajuda, claro que depois de tudo, eu não poderia negar uma ajuda a ele. Uma pessoa da qual ele considera como um irmão, estava vindo de Atlanta, ele perguntou se ele poderia passar o Ano Novo com a gente, não seria um problema pra mim, Noah também concordou, mas Nick tentou de todas as formas me convencer a não permitir que ele viesse, no início pensei que era ciúmes ou sei lá, Nick só queria um momento a sós com seu namorado, sem outras pessoas por perto, mas ele acabou me confessando que o “Irmão” de Pete, era Joe Yong, justamente Joe Yong.
Joe era o melhor amigo de Theo, eles se conheciam dês de a infância. Quando Theo ferrou as coisas comigo pela primeira vez, alguns amigos me arrastaram para uma festa que estava rolando no campus da faculdade, segundo eles, essa era uma das melhores festas, rolava muita bebida, tudo o que eu precisava naquele momento. Depois de meia hora de músicas desagradáveis e bebidas ruins, despistei meus amigos e fugi para o telhado do prédio, fiquei sentado lá aquela noite, com um copo de bebida na mão e um fone que tocava uma música qualquer da Taylor Swift, Joe surgiu do nada e se sentou do meu lado, ele se desculpou pelo amigo, não que ele precisasse fazer isso, mas ele sabia bem como Theo era escroto as vezes. Ficamos conversando por muito tempo, não sabíamos que tínhamos tanto em comum, Joe mostrou um lado que eu não conhecia, nos tornamos tão próximos, mas ele se afastou quando voltei com Theo, nos falamos bem pouco depois disso, até a noite em que ele viu Theo beijando um garoto no vestiário, ele pensou que ninguém veria eles aquela hora da noite, a coincidência é que Joe também estava levando alguém para lá e acabou vendo toda a cena.
Os dois brigaram feio aquele dia, Joe disse que ele era um merda e que eu merecia alguém melhor, acabou confessando que gostava de mim e a partir desse dia os dois nunca mais se falaram. Sim eu ainda voltei com Theo depois de tudo isso, eu era um imbecil naquela época, até o dia em que ele me deu um soco, foi o mesmo dia em que ele soube que eu beijei Joe. Seus pedidos de desculpa foram em vão, eu o desprezei tanto, sempre que ele se aproximava eu me afastava, tive nojo e raiva dele por muito tempo. Ele continuou saindo com outros caras pensando que eu ficaria com ciúmes, então resolvi ir embora, vir pra Falls City não foi para esquecer dele, eu já fiz isso a muito tempo, mas foi uma forma dele me esquecer e parar de tentar mostrar pra mim que seguiu em frente, eu realmente desejo que ele siga e nunca mais apareça na minha frente.
Mas como vou encarar Joe agora? Ainda me lembro quando fui me despedir dele antes de vir pra cá, ele sabe que eu não sou de conversar por mensagens, Sarah reclama disso toda vez, dizendo que me esqueci dela e tals, mas eu sempre respondo que não gosto de mandar mensagens, foi isso que disse a ele a última vez que nos falamos, ele disse que preferia dessa forma, pois ele precisava me esquecer, concordamos que seria o melhor para nós, mesmo que eu tivesse algum sentimento por ele. Nós nos beijamos aquele dia e ai eu fui embora.
— Porque você não foi com ele até a rodoviária? Estaria menos estressado – Brincou Noah olhando o nervosismo de Nick, o rapaz olhava toda hora para a direção da estrada enquanto arrumava as almofadas no sofá
— Eu queria deixá-los a sós, eles são meio que irmãos e... faz tempo que eles não se vêem, então... – Nick continuava olhando para a estrada
— Gentil da sua parte
— Eu sou um poço de gentileza Sardinhas – Nick parecia orgulhoso
— Sei... vou fingir que acredito – Falei enquanto me aproximava de Noah, finalmente tínhamos acabado de arrumar toda casa.
— Vou deixar vocês dois agora conversando e vou tomar um banho – Noah deu um beijo em minha testa antes de se afastar
Nick se sentou no sofá próximo a lareira e ficou mexendo com um ferro para ajeitar as lenhas que estavam pegando fogo
— Ele sabe? Sobre Joe? – Nick estava com a voz mais séria dessa vez
— Não
— Tommy, acho que você deveria contar a ele
— Eu sei Nick... mas é só que... já basta a questão de ir embora, agora mais isso, não sei se consigo lidar com tantas coisas de uma só vez
— Eu entendo, é por isso que eu tentei te convencer a não deixar ele vir – Nick se virou para mim apontando com o ferro
— Ah claro, o que você queria que eu fizesse? Que eu olhasse para Pete e dissesse “Olha seu irmão não pode passar o Ano Novo com a gente”
— Sim, isso seria uma opção, mas sei lá, poderia ter contado que vocês... tiveram um caso? Na verdade eu não me lembro muito bem
— Não foi um caso.... a gente só... sei lá, se entendeu, se beijou
— Um caso – Ele insistiu
— O que eu faço agora?
— Sinceramente? Não sei
— Obrigado pela ajuda
— Não tenta botar a culpa em mim, eu tentei te ajudar
Ele estava certo, eu deveria ter pensado um pouco mais sobre isso, deixar alguém passar um tempo com a gente sem antes saber quem é essa pessoa, foi um erro meu. Mas agora eu precisava lidar com isso, precisava saber como agir nessa situação, mais importante, precisava de uma maneira de contar isso ao Noah.
Quando entrei no quarto, ainda ouvi o som do chuveiro ligado, as roupas de Noah estavam espalhadas pelo chão, entrei no banheiro que ficava ali em nosso quarto, tirei minhas roupas enquanto ele estava de costas no Box suado, abri bem devagar, ele ficou surpreso quando abriu os olhos e me viu ali, nu a seu lado enquanto a água quente caia sob a gente.
— Eu amo quando você entra comigo no banho – Ele disse segurando minha cintura
— Sério? Vou entrar mais vezes então – eu o beijei, nossas línguas estavam se encharcando com a água que caia da ducha bem em cima de nós.
Fiquei com as mãos no Box enquanto Noah beijava suavemente minhas costas, em seguida nos viramos um para o outro e voltamos a nos beijar, a forma como ele me acariciava era tão suave, poderia ficar assim por horas.
— Eu preciso te falar uma coisa? – Coloquei a mão em sua boca e fiquei sério por um momento
— Sério? Agora?
— É que....
“ Aqueles dois já estão transando?” – ouvimos os gritos de Pete
Noah deu uma risada e em seguida abriu o Box e esticou o braço para pegar uma toalha que estava pendurava bem próxima na parede em um suporte redondo de prata.
— Que saudade de quando viemos aqui sozinhos – ele já estava se enxugando – vamos Querido Tommy, você pode ir me falando enquanto nos vestimos
— Quer saber... tudo bem, a gente conversa em outro momento – Falei
— Tem certeza? Não é algo importante? Se for, tudo bem, a gente pode conv....
— Deixa pra lá, não é tão importante assim – eu o interrompi, rindo mas era de nervoso
Noah me deu um selinho e em seguida saiu do banheiro em direção ao quarto. Eu ainda fiquei um tempo ali, pensando em como deveria agir, como eu contaria isso ao Noah, o que eu diria ao Joe, como me comportaria? Eu diria que o conheço? Diria que é um amigo? Fingiria que não o conheço... Muitas coisas se passaram pela minha cabeça.
Terminei o banho e vesti uma calça quadriculada e uma blusa com o desenho de um urso, era minha roupa de frio favorita para ficar em casa, fofa e confortável. Cheguei a sala e todos já haviam se cumprimentado, eles lançaram um olhar pra mim assim que cheguei, Pete correu do meu lado, puxando o rapaz que estava com ele, o mesmo que eu conhecia, ele ainda estava com aquele cabelo nos olhos, Joe tinha descendência asiática era um garoto lindo, uma pele tão clara quanto a neve que caia lá fora, sua boca bem vermelha sempre me chamava a atenção, o rapaz congelou ao me ver e não foi de frio.
— Então esse é....
— Tom... É você? – Joe não esperou Pete terminar as apresentações e pulou para me abraçar, todos ficaram olhando confusos enquanto ele se recusava a me largar.
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