Notas iniciais
Esse capítulo foi dividido e agora tem a parte 2 dele. Boa leitura! Link para a música: http://www.vagalume.com.br/lana-del-rey/dark-paradise.html

– Emma, o que aconteceu com seu braço? — perguntei e ela fingiu não ouvir. — Emma??

– Ah? Oi? Desculpa, eu estava distraída. O que foi?

– Eu que lhe pergunto. O que foi que aconteceu com seu braço?

– Ah, não é nada, só um gatinho que eu encontrei na rua e eu fui fazer uma carícia, mas ele acabou me arranhando.

– É sério, Emma. Não minta para mim. O que está acontecendo? Você sabe que pode contar comigo para conversar e desabafar e tudo mais.

– Eu sei, Hanna. Relaxa, não é nada — Louis já estava buzinando e gritando para Emma ir. Ela terminou de colocar tudo nas malas de qualquer jeito e eu a ajudei. Então ela veio me dar um abraço e eu insisti:

– Tem certeza que não vai contar o motivo?

– São só problemas.

– Conversa comigo sempre que precisar e, por favor, não faz mais isso.

Ela deu um beijo na minha testa, desceu as escadas correndo e gritou de lá de baixo:

– DIZ PRO BEN QUE EU DESEJEI BOA SORTE NO JOGO!

– Emma! Emma, espera!

– Tchau, Han! A gente se fala!

– Mas, Emma...

Ela entrou no carro e partiu. Partiu sem me explicar o que está acontecendo em sua vida, o que me deixa ainda mais preocupada do que ver cortes em seu pulso. Há algo de errado, mas eu não posso ajudá-la por não saber o que está acontecendo... Me senti uma inútil a partir desse momento e aparentemente Tom percebeu meu semblante nervoso e me perguntou o que eu tinha.

– Não é nada, Tom. Eu apenas vou sentir saudades.

Fui até a cozinha e preparei uma sopa, pois já havia passado a tarde sem comer e não queria ir dormir sem comer também. Enquanto a sopa não ficava pronta, aproveitei para tomar um banho.

Com a água caindo sobre meus cabelos, eu entrava em um certo estado de psicose, como se a água me anestesiasse, e esquecia de todos os meus problemas, o que aliviou em parte meu nervosismo em relação à Emma. Depois de uns 20 minutos, saí do banho, coloquei meu pijama, enrolei meu cabelo numa toalha e fui me servir da sopa, que já estava pronta.

Todo o alívio que o banho me trouxe em relação à Emma foi embora no momento em que me deitei para dormir. Por mais que eu tentasse, não conseguia parar de me preocupar com ela, nem dormir, e quando o fiz tive um dos piores pesadelos de que me recordo.

Eu estava em um quarto todo branco, sem nenhuma mobília, janela ou porta. Estava tateando as paredes em busca de uma saída, quando ouvi gritos atrás de mim. Me virei e vi, há uma certa distância, Emma caída gritando por socorro. Quando me aproximei notei que haviam cortes por todo o seu corpo e o sangue havia formado uma poça em volta dela.

Tentei gritar. Não sei se estava gritando por ajuda, não sei se tentava chamar ajuda ou se simplesmente gritava por a imagem ser muito perturbadora, porque nenhum som saía da minha boca.

Tentei me mexer, fazer algo para chegar mais perto e tentar socorrer Emma, mas minhas pernas e braços não respondiam aos meus comandos.

Todos os esforços eram em vão. Eu não podia ajudar. Assim como na vida real, não havia nada que eu pudesse fazer por Emma.

Notas finais
Segunda parte daqui a pouco :)