Notas iniciais
Olá, pessoal, como vocês estão? Não sei se alguém notou, mas ontem era dia de post e eu não consegui vir aqui atualizar pra vocês :( Me desculpa por isso, mas hoje venho com um capítulo consideravelmente grande. A respeito das atualizações, vou tentar manter o esquema, mas, quando não conseguir, podem ter certeza que virei no dia seguinte. Antes de começarmos o capítulo, gostaria de agradecer imensamente a Ann Vinyso que favoritou essa história, a Miss Melindre por estar acompanhando e a todos vocês que comentam a cada capítulo novo. E também aos leitores fantasmas, claro! Todos vocês são importantes pra mim

Capítulo Sete

Bernardo já sentia em seu interior o sentimento de dever cumprido. Agora, sentia-se até de bom humor, o que não era algo muito comum. Akira ficaria satisfeito e sua vida finalmente voltaria ao normal, sem ter que se preocupar em cuidar de uma garota infantil. Ele não sabia ao certo porque tinha esse sentimento de repulsa com ela, mas agora não importava mais. Eles iriam cuidar dela e ele poderia se preocupar somente em ajudar a Aliança com o plano contra Dominic e Callum. Não estava sendo uma tarefa fácil, mas, se Akira estivesse certo, todos os planos iriam funcionar com Aurora ao lado.

Precisavam pensar logo em algo significativo, concreto; essa missão não poderia falhar. Todos os planos que tinham eram baseados em fatos duvidosos e Bernardo sabia que teriam diversas falhas em uma possível aplicação. Ele sabia que ainda tinham tempo... Aurora iria demorar vários dias para aprender tudo, quem sabe até meses. E ele odiava isso! Callum cada dia mais se fortalecia e o Rei Dimitri perdia diversos soldados de Arlow.

Os dois irmãos estavam em áreas bem distintas e extremas de Íria. O Rei Dimitri juntou-se a Arlow, uma vila ao norte de Íria, que abrigava seres mágicos voltados à magia branca, ou seja, jamais faziam encantamentos destinados ao mal. Dimitri também contava com seu próprio exército de soldados humanos, que estava ficando cada vez menor. Já Dominic, seu irmão, se afugentou em Callum, a área mais sombria e temida pelos habitantes de Íria. Em Callum era possível encontrar todo tipo de criatura com magia negra, até aqueles que mal eram possíveis de se imaginar. Dominic estava com seu exército cada vez maior e mais forte. Se continuassem naquele ritmo, ele mataria todos de Arlow. E logo encontrar Althea seria seu principal objetivo.

Bernardo não conseguia dormir com toda aquela adrenalina em seu corpo; satisfação e preocupação. Dois fatores capazes de tirar o sono de qualquer ser vivo. Um murmúrio baixo o fez voltar à realidade e a ficar alerta novamente, pareciam lamentações bem baixinhas. Seu primeiro pensamento foi de que alguém estava por perto e ele se levantou em um pulo. Havia feito o feitiço de proteção, mas nunca confiava plenamente na magia. Sempre havia a possibilidade de haver alguém mais poderoso que ele. Bernardo demorou a descobrir que, na verdade, a origem do barulho era Aurora.

Ele franziu a testa sem entender direito o que estava acontecendo. A garota estava distante dele, deitada de lado, com suas costas viradas para ele. Devagar e sem fazer barulho, Bernardo se aproximou tentando raciocinar sobre a situação. Para seu espanto ela dormia tranquilamente, seus cabelos espalhados pela grama, ainda mais vermelhos com a luz da fogueira, que permanecia acesa. Porém, ao contrário do comum, ela falava enquanto dormia. Na verdade, sussurrava e, nesses momentos, se agitava. Seus braços estavam expostos, e, por um instinto que ele não pôde controlar, Bernardo se abaixou a tocando levemente com seus dedos. Os Guias ainda possuíam algumas habilidades de anjos, então, conseguia deixar sua mão incrivelmente leve, e Aurora nem sentiu. Sua pele estava muito gelada. Em outro impulso, Bernardo tirou seu próprio casaco e colocou devagar em cima da garota, que suspirou.

O Guia ficou observando a cena ao se levantar; olhando-a daquele jeito, se lembrou da noite em que a havia levado ao orfanato. Um pequeno bebê de olhos assustados e ao mesmo tempo curiosos, que ele havia ninado diversas vezes com o objetivo de acalmá-la; às vezes sentia que somente sua voz já era capaz de deixá-la tranquila. Naquele dia, ele poderia ter se colocado no transe durante a viagem entre os mundos, mas não o fez. Ele se manteve o tempo todo a olhando, para que não se assustasse com nada. E de fato não se assustou. Seus olhinhos só o olhavam. Seu Anjo da Guarda. Aquelas lembranças ele nunca seria capaz de falar em voz alta, muito menos de confessar a alguém.

****

Na manhã seguinte, Aurora acordou ouvindo o cantar dos pássaros, as folhas dançando com o vento e... Um belo sol bem no seu rosto. A garota, que não estava acostumada com essa claridade logo ao acordar, não achou a sensação muito agradável. Ali, o clima era bem tropical, comparado à Londres. O calor parecia reinar durante o dia e o frio vinha à noite. Havia também a questão da umidade, já que estava bem no meio de uma floresta, então, tudo estava diferente para a garota. Aurora sentiu em seus ombros, antes de se sentar, o peso de um casaco. Ficou confusa e não conseguia se lembrar de ter se coberto, o que a levou a pensar que, talvez, não havia sido ela quem tinha tido tal atitude. Alguém a teria coberto no meio da noite. E só podia ser uma pessoa. Bernardo.

O homem estava de costas para Aurora, em pé, a uns quinze passos de distância. Não usava seu casaco e ela concluiu que estava com o objeto nas mãos. Parando para pensar nisso, ela não sabia qual conclusão seria plausível. Bernardo sempre demonstrou hostilidade ao conversar com ela e sabia, de longe, que ele não gostava da garota. Não conseguia entender muito bem o motivo, mas o sentimento era recíproco. Aurora bem que tentou, mas, mesmo com todos esses pensamentos em sua mente, não conseguia tirar os olhos daquele homem. O observando somente com a camisa na parte de cima, podia ver seus braços fortes e definidos, suas costas desenhadas na camisa, deixando visíveis seus músculos. Novamente veio a dúvida: ele ainda possuía asas? Acreditou que talvez ficasse curiosa para sempre.

Por fim, levantou-se fazendo o mínimo de barulho possível e, após deixar o casaco delicadamente no tronco em que fizeram de banco, bateu sua roupa, com o objetivo de tirar o pó e as folhas. Essa atitude fez com que Bernardo se virasse e a olhasse, com a mesma expressão de sempre: neutra.

– Bom dia. – a garota falou, na esperança de quebrar um pouco o clima de tensão que sempre ficava entre os dois. Afinal, conforme ele havia dito, ainda tinham uma boa caminhada pela frente.

– Bom dia. – Bernardo respondeu, sem demonstrar muito interesse. – Trouxe alguns frutos, coma. Irá precisar de energia hoje. – ele falou enquanto apontava a um pequeno punhado de frutos que estavam depositados na outra extremidade do tronco; ela se surpreendeu por não ter notado.

– Frutos?

– Sim, frutos. – ele disse, se controlando para não revirar os olhos. – Maçã, amora. Você não gosta?

– Eu gosto, mas... – Aurora parecia receosa e ele levantou as sobrancelhas, como se pedisse para que ela prosseguisse. – Onde encontrou esses frutos? Você não...

– Não, eu não materializei nada. – ele completou, adivinhando o que a garota iria falar. Pela expressão em seu rosto, pôde ver a total desconfiança dela. Com um suspiro, ele continuou: – Depois de tudo que você passou para chegar aqui, vai desconfiar de mim agora? Eu colhi esses frutos e, antes que me pergunte também, não são venenosos. Eu conheço esse lugar como minha vida. Mas, se não quiser, fique a vontade. – sua voz se mantinha calma, mas, no fundo, ela sabia que ele tentava esconder a irritação. Quando terminou, virou-se de costas novamente.

O silêncio permaneceu durante alguns minutos. A intenção de Aurora não era deixá-lo irritado, mas, aparentemente, tudo que ela fazia o irritava um pouco. E, como em um efeito dominó, tudo que ele fazia a deixava com o mesmo sentimento, principalmente quando a tratava com desdém. Por fim, falou:

– Você tem um bom argumento. – falou ao mesmo tempo em que se sentava no tronco da árvore e pegava uma maçã. Estava linda e parecia suculenta.

– Mereço certo crédito, não acha? Você veio até aqui comigo e eu nem tive que usar minha magia em você. – Bernardo falou ainda de costas.

– Claro, claro. Mas, aposto que você seria punido se fizesse algo do tipo comigo. – Aurora disse e dessa vez era ela quem fazia voz de desinteressada e deu de ombros.

– Que atrevida você. – ele comentou, mas não se moveu.

Aurora abriu um pequeno sorriso, quase imperceptível, e, então, finalmente deu a primeira mordida na maçã. Como havia previsto, estava deliciosa e, ao sentir o sabor, sentiu também o quanto estava com fome. Ela mordiscava os frutos enquanto observava Bernardo, que andava de um lado para o outro, sempre olhando o horizonte. Aurora tinha ciência de que ele estava impaciente e que necessitavam chegar logo ao local de destino. Então, ela terminou de comer e o que sobrou, guardou em sua mochila. Levantou-se e deu um leve pigarro, chamando a atenção dele.

– Acredito que isso te pertença... Bernardo. – Aurora falou assim que ele se virou para olhá-la. Ela esticava o casaco na direção dele e havia dito exatamente as mesmas palavras que ele havia dirigido a ela, no dia em que se conheceram.

– Tem razão, Srtª. – ele falou após soltar uma breve risada. – Essa é a diferença entre uma pessoa educada e uma pessoa sem noção nenhuma de etiqueta.

– Vou fingir que eu não ouvi isso. – ela disse revirando os olhos, mas não pôde deixar de sorrir. A garota pensou que agora a situação iria ficar melhor entre os dois, mas logo no momento seguinte, ele colocou no rosto novamente sua expressão fria e sem interesse.

– Temos que ir. Já nos demoramos demais.

Aurora apenas assentiu com um leve balançar de cabeça e eles prosseguiram a viagem. Bernardo tinha passos mais apressados, enquanto a garota tentava ver todos os detalhes daquele lugar; então, consequentemente, ela ficava alguns passos atrás dele. Por várias vezes sentiu o olhar do homem em cima de si, repreendendo-a por estar tão lenta. Nesses momentos ela apressava o passo, mas, depois de poucos instantes, já se distraia novamente com algum pássaro, coelho, esquilo e outros animais e insetos; alguma flor diferente que via; ou até mesmo sons que não conhecia. A cada passo, uma nova distração aparecia. Imaginou qual reação teria ao chegar a Íria, se, somente com uma floresta, ela já tinha ficado um tanto surpresa. Após algumas horas de caminhada, Bernardo parou e falou:

– Estamos entrando nas terras de Íria. A partir de agora as coisas começam a ficar perigosas. Então, nada de se afastar de mim e nada de se distrair. Isso é tão sério quanto à transição.

– Certo. Irei ficar em alerta.

– Perfeito. Nós vamos pelo caminho mais fácil e seguro, porém, é o mais longo. Como não posso usar feitiço de proteção em nós dois em movimento, é o mais sensato a se fazer. – ela concordou e, antes que continuar, ele completou: – Se encontrarmos alguém ou alguma coisa pelo caminho me deixe cuidar disso. Não se apresente, em hipótese alguma. Ninguém pode saber que está aqui.

– Sem problemas.

Dessa vez, ela iria manter-se próxima, já não queria mais ficar explorando a bela floresta. Nesse momento, tudo na visão da garota era perigoso. Ele havia falado com o mesmo tom de voz que usou ao falar sobre a transição entre mundos, então, ela sabia que estavam sujeitos a qualquer coisa, a qualquer momento. A floresta ficava cada vez mais fechada, mais escura e, consequentemente, mais sombria. O clima também estava mais fresco e um arrepio percorreu seu corpo e ela cruzou os braços, na tentativa de se proteger e se aquecer. O silêncio era terrivelmente profundo. Por mais uma vez, a adrenalina correu em seu sangue e Aurora se obrigou a respirar pausadamente para se acalmar. Antes que pudesse prever, Bernardo parou abruptamente e esticou o braço, impedindo a passagem dela.

– Espere. Estou ouvindo algo.

Notas finais
O que acharam?! Quero saber detalhadamente ein! haha. Esse capítulo foi muito divertido de escrever e eu espero, de verdade, que vocês tenham gostado. Mil beijos e até o próximo capítulo!