Épica
2 Despedida
Helena tinha os olhos aguados mas não permitia nenhuma lágrima cair. Ariel estava partindo e não tinha o que falar para a mulher que amava. Não queria dizer adeus, apesar de que aquilo era uma despedida. Ela o abraçou forte e ele retribuiu. Sentiu o calor dos braços dela pela última vez, aproveitando aquele momento. Fechou os olhos para intensificar a sensação. Helena soluçava com o rosto escondido em seu peito mas tudo o que ele pôde fazer era abraça-la mais forte e acariciar seus cabelos.
“Eu preciso ir agora.” Ariel sussurrou quando se deu conta de que o carro a vapor ainda o esperava.
“Você vai voltar?” Helena perguntou com a voz embargada e com trilhas de lágrimas em suas bochechas.
“Não posso prometer isso.” Ele respondeu com pesar. Observou o queixo de Helena tremer enquanto mais lágrimas desciam de seus olhos. Beijou seus lábios macios, quentes e salgados pela última vez e pensou consigo mesmo se devia mesmo fazer isso, se devia deixar tudo o que conhecia para trás e ir em uma jornada procurando respostas que possivelmente nunca seriam encontradas. O que estava fazendo? Onde poderia achar o que estava procurando? Ninguém possuía a verdade absoluta nas mãos e mesmo se sim, não seria Ariel que a conseguiria. Era completamente tolo em achar que encontraria uma razão. Mas agora não tinha mais tempo. O motorista já bufava e checava seu relógio de bolso.
Adeus.
Ele nunca dissera a palavra. Nem ela.
A despedida foi somente sentida.
Respirando fundo, Ariel subiu o automóvel, proibindo-se olhar para Helena. Não queria ter um lapso de fraqueza. Não agora. Sentiu o carro roncar e observou a paisagem passar ao seu lado. O inverno estava chegando e por isso, Londres se tornara ainda mais cinza e fria. As pessoas na rua passavam abraçando a si mesmas em busca de calor enquanto o vento fazia os vestidos, capas e até mesma as cartolas de alguns cavalheiros distraídos voarem.
Pensando em Helena, outra pergunta surgiu em sua cabeça. Por que Deus me fez sentir? Sua partida seria tão mais fácil se o amor que sentia pela mulher não existisse. Essa e outras perguntas ainda seriam respondidas, ele iria fazer de tudo para que sim. Disseram-lhe que era loucura, mas Ariel não se importava pois quando adquirisse o conhecimento que procurava, não seria mais tão insano quanto todos pensavam que ele fosse. Seria um visionário. Um sábio. Um grande pesquisador.
Com essa ideia em mente, sua jornada começou.
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