Notas iniciais
Talvez as coisas estejam dando errado. Talvez aquilo não era o futuro que America esperava, nem Maxon, nem Aspen. P.s.: Se vocês lerem esse capítulo acompanhado dessa música (https://www.youtube.com/watch?v=beKPRA-EEO8) fica um pouco mais emocionante! Aproveitem.

America
Já fazem dois meses que me casei com Maxon. Ele é o cara que toda garota sonha em ter. Do tipo perfeito, com defeitos, claro, mas sempre procura fazer o melhor para me ajudar em tudo. E eu não deveria estar mais do que satisfeita com tudo que ele fazia por mim? Eu não o amava?
Então por que pensava em Aspen?
De repente me senti estranha, como se não pertencesse àquele lugar, estava em meu quarto, mas me sentia invadindo a privacidade de desconhecidos, a ficha não havia caído de que eu era a rainha, nunca iria cair, aquilo não era pra mim, Aspen havia me dito que eu não era capaz de ser princesa, e eu sempre soube disso. O que eu estava fazendo ali? Corri em direção ao jardim, exatamente como na minha primeira noite no palácio quando participei da Seleção, Maxon havia me deixado sair, mas ele não estava lá agora. Eu via o olhar acolhedor de Aspen e via em seu corpo o que me parecia ser certo. Estava ficando louca.
Ele tinha se casado com Lucy, e eu me sentia presa a ele, mesmo com Maxon me dando o máximo de conforto. Algo me puxava pra ele, algo forte, e pensei ser as marcas da nossa relação que havia se passado, mas foram anos importantes para mim, e não podiam simplesmente ser esquecidos. Fui até ele, o mandei abrir os portões, ele obedeceu, então o puxei pra fora. Maxon estava trabalhando no primeiro andar, os guardas não atrapalhariam a rainha, então eu estava tranquila.
– O que vossa Majestade deseja a sós comigo?- perguntou Aspen com cara de confuso.
– Preciso conversar. — respondi só para deixar ele ainda mais confuso, podia ver a pergunta se formando, "Mas por que escolheu a mim para isso?". — Sobre nós.
Aspen pareceu hesitar por um instante. Mas logo retrucou:
– Meri, não existe mais "nós". -disse em tom de preocupação — Primeiro, eu estraguei tudo. Agora, você está casada, e eu também, estou apaixonado!
–Sim, eu sei. Também estou. Mas... -desviei os olhos dele- ultimamente tenho pensado muito em nossos momentos roubados na casa da árvore.
Senti seus olhos fixos em mim, passando e repassando cada momento, cada frase, cada sentimento, cada descoberta nova. E achei também que ele estava pensando em como tudo mudou quando chegamos aqui. Nossos mundos se encontraram mais uma vez, só que numa situação diferente. Não havia mais "America e Aspen", ou pelo menos não para os outros, eu estava lá pelo coração do príncipe Maxon, o que eu consegui, dentre todas. Só que meu primeiro amor estava praticamente todas as noites na porta do meu quarto. E, meu Deus, ele estava mais irresistível do que nunca! Mesmo agora, não é fácil fingir que nós nos esquecemos, ou que somos nada nas vidas um do outro.
– America, eu te amei. Ainda posso dizer que você tem um pedaço do meu coração, mas acho que você está confundindo as coisas. Sim, eu me importo muito com você, meus instintos sempre foram protegê-la. Mas não, não acho que nós ainda podemos ser algo a mais que "irmãos". E se me dá licença, tenho trabalho a fazer.

...

Aspen
Cara, como eu havia aprendido a mentir tão bem daquele jeito? Confesso que quando a vi, desejei incessavelmente pra ela falar comigo. E ela fez mais, me chamou para uma conversa, e o tema, foi inesperado, achei que ela ia falar sobre como seu casamento está sendo perfeito e tal. Mas não... ela queria falar sobre mim. America ainda me amava? Porque foi o que pareceu. Posso dizer que não sou louco por ela, agora eu tenho Lucy. Mas menti profundamente ao insinuar que ela não mexe mais comigo. Ela foi o meu primeiro amor... Por quase três anos eu só via ela, só amava ela, só lutava por ela, porque era tudo o que eu sabia fazer, era tudo o que eu queria fazer.
Dizer que nós ainda não poderíamos ser nada demais, me doeu, doeu demais. Eu já tinha muitas vezes dito a Lucy que America era passado, e que queria o futuro apenas com ela. Eu tentava mais me convencer, do que a ela.
Porque America foi meu passado mais lindo. E ter a certeza de que não poderia tê-la como "algo mais", só me fazia manter uma pequena chama acesa me fazendo desejá-la. Eu sabia que tinha que afastar esse pensamento de mim. Então procurei a única pessoa que estava disponível a mim a qualquer momento, e que eu podia chamar de "minha".
– Lucy, meu amor!


Maxon
Eu havia passado o dia no escritório. Mentiria se dissesse que não havia pensado em America. Ela é minha esposa, meu verdadeiro amor, minha rainha. America me traz as melhores sensações que alguém poderia sentir, ela é o tipo de esperança que se sente em meio ao medo, ela não é o mundo, mas é tudo que torna o mundo bom. Nós tivemos muitos altos e baixos, mas eu sentia que aquilo só nos fazia nos amarmos mais.
Pensei em nosso primeiro beijo... Que pra mim realmente foi o primeiro, de toda a minha vida. Naquele momento eu não sabia o que estava fazendo, tudo o que sabia era que desejava aquela garota mais do que desejava qualquer coisa em toda a minha vida. E quando dei por mim, nossos lábios estavam se encaixando. Ela, meio que hesitou, e se afastou. Naquele momento eu achei que tinha feito a pior burrada da minha vida. Droga! Que ridículo eu sou! Achando que assim ela poderia simplesmente se apaixonar por mim. Corei na hora, achei que ela nunca mais iria aceitar algum pedido meu de encontro. Então, como se houvesse percebido que queria ser beijada por mim, ela veio em minha direção, "apagou" o beijo fracassado e me deu um de verdade.
Então, por um segundo, meu coração havia parado, aquilo parecia... tão certo, como se eu tivesse nascido para reproduzir aquela cena, a noite não estava quente, mesmo assim, senti um calor inexplicável subir pela minha barriga até minha cabeça. Meu coração palpitou de uma maneira esquisita, e me dizia que aquilo era o que eu tinha de seguir, o que eu tinha se sentir, aproveitar. Mas então uma lembrança me veio.
America estava no palácio não só para mandar dinheiro para sua família, ela também queria esquecer, alguém de seu passado, alguém que havia partido seu coração, e se não o queria ver, significa que ainda o amava. Eu não podia! Simplesmente não podia me deixar levar por uma paixão, sabendo que o perdedor poderia ser eu. Ela poderia sair da Seleção, poderia voltar para os braços de seu amado, e eu seria apenas o cara que a ama, mas que não a pode ter. Casaria-me com outra, sendo obrigado a isso, e viveria infeliz pelo resto da vida. Só que America foi apenas, digamos... um terço dos meus pensamentos aquele dia. Eu mal havia trabalhado.
O pensamento de que eu poderia ter me casado com outra garota, me trazia a tona tudo pelo o que havia passado antes e durante a Seleção, mas o que não incluia America, resumindo em duas palavras o que estava me intrigando:
kriss e Daphne.
Não posso dizer que as amei. Não como amava America. Mas algo estava tirando minha concentração. Como eu estaria se tivesse aceitado a proposta do meu pai e procurado Daphne? Será que estaria feliz? Daphne nunca foi pra mim a figura de esposa, não enquando a gente convivia, mas e agora? Eu tenho pensado nela, tenho me perguntado se eu não estaria feliz se tudo fosse como meu pai queria que fosse, aliás, pelo que eu me lembre, todos os momentos da minha infância ao lado de Daphne me pareciam bem verdadeiros e felizes...
Então eu me lembrei de Kriss, todos os dias em que nos encontrávamos, ela fazia questão de dizer o quanto era feliz por eu ter ela como favorita. Bom, para ela era verdade, e para todos fora do palácio, até para mim estava começando a fazer sentido. Até America sair do palácio e me fazer falta. Só que Kriss me trazia paz, ela nunca brigava comigo como America, ela era doce. A imagem que eu sempre tive de mulher perfeita pra mim. Então eu estaria me arrependendo da minha escolha?
Eu não amava America?

Notas finais
Espero que tenham gostado! Farei de tudo para atender aos pedidos de vocês, obrigada!