É muito mais que A Escolha
3 Recomeço. Ou fim?
Notas iniciais
AMERICA
Acordo com o sol entrando pela janela, percebo que está aberta, a brisa de Angeles toma conta do meu quarto. A porta do banheiro aberta, cheiro de Maxon... então percebo que ele já saiu. Eu sinto um cheiro do jardim, me viro pro lado onde ele costuma dormir e tenho uma surpresa.
Um enorme buquê de flores!
São lindas! Têm mais ou menos duas dúzias, estão no ápce da beleza. Bem abertas, cheirosas... Pego-o no colo e vou até o espelho, e pelo contraste... elas... elas têm a cor do meu cabelo! Lindas, simplesmente!Parecem feitas pra mim, e então me lembrei, sim, sim, elas eram feitas pra mim, Maxon as deixara lá. Notei uma espécie de cartão que mais parece um bilhete, dizia: "Minha querida, me perdoe por não ter tanto tempo pra você, me encontre às 22:00, esteja arrumada... Surpresa".
Caramba! Era como na Seleção, ele estava me chamando para um encontro! Sorri só de pensar. Eu daria o meu melhor, afinal, não são todos os dias que se consegue um tempo do Majestoso Rei de Illéa.
–--
Ás 22:00 em ponto, lá estava eu. Mandei minhas criadas prepararem um vestido de gala, mas um pouco discreto. Como sempre, elas capricharam, me fizeram um vestido lindo, de uma manga só, com caimento na outra, era acinturado, e não muito rodado, me fazia parecer mais elegante do que eu era. A cor, um azul tão escuro que era quase preto, me fez lembrar o que a Rainha Amberly tinha usado no último Halloween. Amberly... ela disse que eu poderia chamá-la de mãe... e foi embora antes mesmo de saber quem seria sua nora, embora já tivesse insinuado que achava que seria eu. Eu sentia tanto a falta dela! Senti as lágrimas chegando, ela morreu pra salvar o marido! O antigo Rei que sequer merecia. Não deixei as lágrimas virem, hoje era um dia de felicidade. Iria ter Maxon só pra mim por uma noite inteira.
Dei uma última olhada no espelho, e sentei-me na cama esperando por um chamado.
– Majestade? — chamou um guarda.
– Sim, soldado?
– O Rei Maxon a espera no jardim.
Dei um sorriso. No jardim, é claro! Ao pensar no jardim, mil lembanças me vêm na cabeça, foi o local onde nós nos conhecemos antes de todas as outras, era onde nós íamos sempre que tínhamos um tempo a sós na Seleção... E agora seria o lugar onde iríamos recomeçar. Suspirei. Sim, recomeçar. Não importa o que eu ou Aspen pensamos um do outro. Pelo menos não mais. Não vou deixar passar a chance de falar a Maxon o que eu estou sentindo, ao dizer "sim" pra ele, naquele dia tão especial, eu me entreguei a ele, eu sou dele! E ele é meu. É assim que as coisas são. E não devemos esconder segredos um do outro. Para começar, me desculparei pela noite passada.
– Bom, vamos lá, acompanhe-me, soldado. — disse.
MAXON
Sim, eu estava ansioso. Parecia que era o meu primeiro encontro com America, mas, de certa forma, era o que eu queria que fosse. Queria um recomeço, e a melhor parte, é que ela já era minha Rainha, eu era o seu Rei, passaria por cima de tudo por ela. Bom, já tinha provado isso com meu pai.
Afastei o pensamento, aquela noite seria boa, eu iria tentar fazê-la sentir um pouco do que eu sinto quando estou com ela, ela é simplesmente maravilhosa. Poderia procurar por mil anos, não encontraria uma pessoa assim. Encontraria talvez alguém mais bonita -o que eu duvidava que fosse capaz- ou mais inteligente. Mas nunca com os mesmos defeitos, ninguém mais gritaria comigo sem ao menos me conhecer, ou me acusaria de ser baixo. Ninguém discutiria comigo quase sempre, fazendo-me questionar tudo em que eu acreditava. Ninguém conseguiria meu coração pelo simples fato de não querê-lo. Sorri. Bom, a gente gosta do que é difícil. Estava mergulhado em meus pensamentos quando avistei de longe seus cabelos cor de fogo, levantei-me ao passo de que ela se aproximava acompanhada de um guarda, que logo saiu quando me viu. Eu sorria feito um idiota.
– Majestade. — ela fez uma reverência.
– America, não é necessário. Essa noite não somos Rei e Rainha de Illéa, hoje somos apenas Maxon e America. — olhei bem fundo em seus olhos, com uma mão em sua cintura e a outra em seu pescoço — A propósito, você está estonteante, desse jeito me sinto um bicho — disse, e nós rimos juntos.
– Ninguém pede pra nascer perfeito, — rebateu com cara de triunfo, e logo acrescentou — Maxon Calix Schreave, você é sinônimo da perfeição. Modéstia a parte.
Puxei America para mim, e ela fez o mesmo. E então eu podia dizer sem medo, era o homem mais feliz do mundo! Eu sentia ali, com ela em meus braços, que nada nem ninguém poderia nos afastar. Sentia ali, que o que tínhamos era algo realmente verdadeiro. Afastei-a para olhar em seus olhos, mas não conseguia decifrar, lágrimas começaram a brotar de seus olhos... Meu sorriso desapareceu.
– O que houve, querida?
– Maxon... eu queria primeiro me desculpar por ontem a noite. Eu também te amo, meu amor. E... e... — ela gaguejou.
– E?
– Também vim aqui com o intuito de conversar sinceramente com você, Maxon. Decidi que se nós somos um casal, precisamos ter uma relação aberta a qualquer assunto.
– Pois bem, vamos conversar, preparei nosso cantinho. — apontei com a mão o banco em que nos conhecemos, o nosso banco. Ela sorriu ao lembrar.
– Olhe, Max, é que... ultimamente eu tenho pensado muito em Aspen... — aquilo doeu, minha expressão endureceu- Não quero que ache que estou deixando de te amar, ou te trocando por ele, é que nossas lembranças na casa da árvore estão invadindo minha mente e meu coração com certa frequência. Quando estou com você é muito fácil me sentir muito feliz e pensar que você é só o que eu preciso, mas aí eu o vejo, e as coisas voltam. Não quero que seja assim, não quero mais esconder nada de você, então...
Qualquer voz ou pensamento nesse momento foi interrompido por um barulho estridente, minha primeira reação foi puxar America pro chão. Eram rebeldes! Só podia ser, e pelo barulho, sulistas...
Oh, meu Deus, nós dois, o Rei e a Rainha -principais alvos deles- estamos a mercê! Como pude deixar isso acontecer? Pude notar um guarda tentando correr até nós. Até ser derrubado. Droga, droga, droga! E então eu escuto um grito. Bem ao meu lado.
Oh, não!
Fale com o autor