É Secreto E Não Secreto
2 Letreiro
No dia seguinte, Himeko nem se mexia, estava realmente cansada, dormia como uma criança, Chikane levantou antes para ver a copa das árvores cantando aos pássaros... Foi para a varanda e gastou boa parte de seu tempo ali, tomando um sol, já que tem uma pele tão branca quanto a de Himeko, ás vezes parecia uma caixinha de leite com olhos azuis.
Ficou sentada na varanda observando a paisagem do seu jardim, até que ouviu gemidos em protesto ressoarem da cama, Himeko estava acordando, com certeza ficaria com uma cara manhosa se não encontrasse sua Lua ao lado dela...
Chikane voltou para dentro e se sentou na cama, quando Himeko abriu os olhos encontrou os olhos azuis escuros como a noite a encarando com um sorriso.
–Ohayo, Himeko.
–Ohayo... Chikane-chan... -sonolenta-
–Você dormiu quase que a manhã toda, você conseguiu dormir bem a noite?
–Hun, mais ou menos, senti uma falta de ar muito grande, mas também não é para menos, senti meu pescoço sendo enforcado pelo meu pijama...
A loira esfregava um dos olhos, ainda bocejando muito, tentou levantar da cama, mas o que conseguiu foi cair de costas quando fechou os olhos quase dormindo de novo... teria batido a cabeça fortemente se Chikane não a segurasse, o susto de sempre...
Himeko acordava todas as manhãs quase caindo da cama, normalmente caía de quatro no carpete, mas quando escorregava para o lado Chikane caía junto fazendo um barulho estremecedor no andar de baixo deixando todas as criadas da casa acordarem no susto.
Himeko tem um hábito infantil de se mexer até demais quando dorme, por dormir abraçada com sua Lua, muitas vezes a apertava dormindo, por conta do aperto repentino, Chikane acordava assustada e corada já sabendo de quem era aquele forte abraço, como fica ressentida em acordá-la acaba deixando ser apertada cada vez mais por inúmeros abraços que ela nem sabia dizer se eram mesmo abraços. Gemia algumas vezes, fazendo Himeko apertá-la mais ainda, deixando certas marcas roxas na morena.
Mas fora esses pequenos detalhes, Chikane admite que adora esse jeito criança de seu Sol, pois reflete exatamente como ela é...
–Bem, se não se importar em acordar querida, eu gostaria que você levantasse, meus pais virão para cá hoje. -tentou Chikane acordar a loira-
–Hunn, eu já tô... levantando...
Himeko acaba por dormir de novo e Chikane sem muita opção a deixa mais um tempo descansando, então vai para a mesa do quarto, viu seu diário em cima da estante e o pegou para ler, quando notou a última vez em que escreveu nele, se sentiu estranha, parecia tanto tempo desde que as férias começaram, na verdade, desde que se formou na escola parou de escrever em diários, como se não houvesse mais necessidade, pois tudo de bom ou ruim que acontece, contava para Himeko, como se ela fosse seu diário vivo.
Mas ainda sim, resolveu escrever...
Primeiro vieram os rabiscos, depois umas ideias sem noção de x e y... e por fim algo para escrever, lembrou de quando se casou com Himeko, as tantas bebidas que jogaram uma na outra e como foi difícil dormir depois do matrimônio... Se sentia boba rindo sozinha em silêncio, afinal, seu Sol ainda dormia, não queria acordá-la.
Foi escrevendo mais um pouco e mais um pouco, até que chegou a conclusão de estar escrevendo mais uma vez em seu diário com muita dificuldade, não sentia o mesmo ânimo de antes, as palavras apareciam do nada e preenchiam o papel como água preenchendo um copo vazio.
Até escreveu mais, agora com mais vontade... se empolgou tanto que escreveu umas cinco páginas sem parar.
Numa delas havia anotado o que nunca percebeu ter passado antes.
"Bem, como descrever isso?... Mesmo depois de tantas vidas passadas com Himeko, é como se toda vez que reencarnamos, sempre houvesse a primria vez para nós, nada acontecia como sempre acontece há tanto tempo. Mas algo crucial me deixou intrigada, por que nesta vida, Ele não voltou? Será que por que Orochi o possuiu? De todos os personagens desta história, ele foi o único a não voltar, ele não deveria tentar algo contra o mundo? Tentar tirar a Himeko de mim? Tentar ao menos menos matar aquela pessoa?... O que o fez não reencarnar na história desta vez?
Mesmo com tanta coisa para pensar, eu poderia simplesmente fingir que ele jamais existiu, porém, seria um fato impossível, Himeko lembra de seu rosto e sua atitude, infelizmente ou felizmente ele faz parte da vida dela e eu como sua Lua, mesmo que quisesse negar, teria de aceitar, ele fez Himeko sofrer tantas vezes para depois no final sumir do mapa como se fosse poeira, ela não diz nada, mas sei que sofre e não há nada que dê para fazer. Se essa foi a escolha de Deus, não tenho como protesta-lo, se essa foi a escolha de Oogami, então é duas vezes pior, porque agora ele fará Himeko sofrer mais sem ela jamais saber o que houve. E por mais que eu deteste ele, tenho que confessar, estou preocupada com esse maldito ser..."
Depois de finalmente fechar o diário, percebeu que Himeko acordava mais uma vez.
–Chikane-chan... cadê você?! -choramingou-
–Espero que tenha acordado de vez, Himemiya-Sama... -Chikane brincou-
–Acordei sim, Kurusugawa-Sama! -esbraveja-
Chikane deu seu sorriso meigo e foi até o andar de baixo, mas... Himeko notou algo que faltava...
–Hey, mocinha, cadê seu roupão? Tá achando mesmo que vai descer assim é? -ciumenta-
–Por que a pergunta? Pensa que vou desfilar num carnaval? Não preciso de tanta roupa assim não mocinha dois, estou bem assim.
–Bem nada! Tá prticamente sem roupa!
Himeko odiava admitir, mas nunca gosta quando sua Lua está com poucas roupas assim, melhor dizendo, quando as roupas encurtam seu tamanho no desenhado corpo de Chikane, apenas ela tinha permissão de vê-la em tal traje, um ataque de ciúmes aparecia do nada só de imaginar a morena no andar de baixo com pijama nem um pouco sutil rodeada pelas criadas da casa. Como se fosse assédio, ela pensava assim, se via tão vermelha quanto uma maçã até Chikane chegar perto e lhe soprar o ouvido...
–Boba, acha mesmo que vou descer assim? -sussurrou calmamente-
–C-Chikane-chan... -corou-
–Acho que vou passar a te chamar de tomatinho, está mais vermelha do que o normal. -brinca-
–Hmph, eu não sou um tomate!
–Ok, ok... -sorriu Chikane- Então vamos descer, de roupão...
Himeko assentiu e as duas desceram, mal puseram a mesa do café e os pais de Chikane já estavam lá.
–Ohayo meninas! -disseram os dois grandes empresários-
–YAAAAAAAAAAAAAAAAHHH!!!
As duas gritaram de susto quase caindo uma em cima da outra na escada, tanto Chikane quanto Himeko levaram um tombo de aterrissagem suave, fácil assim, já que Otami passava em frente a escada e amorteceu a queda das duas.
–Por que não avisaram que chegariam de manhã?! -a morena esbravejou-
–Gomenasai querida, até tentamos avisar, mas seu pai é um tanto que impulsivo em relação a tecnologia. -irônica-
–Impulsivo?! Ainda bem que minha filha só tem seu rosto! -retrucou-
–MEU ROSTO?!
–Ah, vai começar...
Chikane revirou os olhos de tédio, sabia que isso aconteceria mais cedo ou mais tarde, Himeko apenas se levantou ajudando Otami a se levantar também.
–Gomenasai, você está bem Otami-san?
–Sim, Himeko-Sama.
Mesmo com um tom agúdo de dor na voz ela voltou pra cozinha e deixou a reunião em família começar...
Todos se sentaram, Chikane na cabeceira, Himeko sentou a esquerda da esposa, Shimaru, o pai da morena, sentou-se a direta da filha e Haruka, a mãe dela, sentou ao lado do marido.
–Bem, me digam, o que fazem tão cedo aqui? -perguntou Chikane sem empolgação-
–Nossa, que desanimo filha, você dormiu bem? -disse Haruka-
–Teria dormido melhor se "alguéns" não tivessem me ligado as 03:00 da manhã! -se referindo aos pais-
–Por quê? Estava ocupada com a Himeko?
–PAI! -Chikane corou de raiva-
Himeko quase engasgou com o pão na boca e por fim ficou corada.
–Himemiya-Sama... -ela tentou dizer-
–Caramba Himeko, já disse pra me chamar de Shimaru!
–Gomenasai, é que vai ser difícil me acostumar. -sorriu-
–Se conseguiu se acostumar com a insônia da Chikane você consegue se acostumar com o nome do seu sogro.
–Claro... -assentiu-
Chikane estava se sentindo um ovo de páscoa em meio a tantas crianças...
–E eu não tenho insônia! -esbravejou a Lua-
–É mesmo? Então como você me explica aquela vez em que foi obrigada a faltar na aula porque não conseguiu dormir direito e acabou dormindo em cima da mesa? -revidou Haruka-
–Sabia que é difícil dormir com você gritando a noite?
–Como acha que fizemos você?!
Himeko olhou assustada para os dois e virou para sua Lua quase chorando fazendo um bico ineditamente peculiar...
–EU NÃO QUERO MAIS TOMAR CAFÉ! -saiu da mesa-
–Eu já volto! -disse Himeko-
Ela foi atrás de Chikane com uma certa pressa, a parou na cozinha, Otami tentava acalmá-la, mas ela parecia traumatizada.. coisa de animação...
–Chikane-chan... -Himeko se aproximou-
–Que nojo... eu fui feita... com...ai que nojo...
–Ok, chega de palhaçada agora, vamos voltar para a mesa, e dessa vez sem brigas!
Quando a loira ordena, não tem como Chikane dizer não, afinal, seu Sol tem um auto poder sobre ela que ninguém imagina.
As duas voltaram para a sala e logo sentaram.
–Tudo bem... -sorriu Himeko-
O café seguiu, mas o almoço...
parte 3 a vista!
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