Águas Marinha
3 Ligação mais que estranha!
Notas iniciais
– O que?? Como assim 1412?
– Ei, calma- Ele disse tocando em meu ombro.
– Como eu posso me acalma? 1 hora atrás estava na casa da minha tia e era 2013, agora estou num navio pirata em 1412.
– 2013? Como assim 2013?
– É, eu acho que fiz uma viagem ao passado. Não sei como, mas fiz.
– Então... Você é do futuro?? — Ele deu um berro, que primeiro me assustou, mas percebi que ele também estava assustado, imagina você lá no passado, tranquilho no seu navio pirata e de repente aparece uma menina do futuro, já vi que isso não ia ser fácil pra ninguém.
– Sim — Disse sentando em uma escrivaninha velha e triste, pois nunca conseguiria sair dali.
– Nossa! E então, como é o futuro? — Ele falou sentando do meu lado.
– Ah nada de mais, a gente corda vai pra escola, volta, brinca, come, bebe, mexe no computador etc.
– Ei, aquela ali é minha mochila?- Disse olhando para um canto da sala.
– Sim, estava boiando junto com você. — Senti um sorriso enorme aparecer em meu rosto. Corri e a peguei rapidamente, abri e fiquei feliz, pois todas as minhas coisas estavam lá, minhas roupas, minha maquiagem, um lanche, chocolates, meu Iphone que ganhei da minha mãe mês passado. Raphael olhava muito curiosa para todas aquelas coisas, e pegando um Blush na mão, questionou:
– O que é tudo isso?
– São coisas que preciso para sobreviver!
– Você precisa de um pózinho rosa para sobreviver? Pra que serve isso?
– Você passa na cara e fica mais bonita.
– Passa na cara inteira?- Ele perguntou cheirando meu Blush.
– Não, é só na bochecha. — Peguei o Blush e passei um pouco
– Não vi diferença nenhuma. — Ele disse rindo.
– Não é pra você ver nada, é pra ficar quieto!
– Então tá. — Ele disse pegando meu Iphone. — E isso?
– É um celular.
– E pra que serve um ce...celular?
–Ah, fazer ligações, mandar mensagens, mexer na internet, jogar, ouvir musica e muito mais.
–Hm, e... o que é tudo isso? — Ele fez uma cara tão engraçada que não aguentei e respondi rindo:
– São coisas que fazemos no celular, olha — Peguei o Iphone e comecei a mostrar — Por exemplo, aqui é onde fazemos ligações — Coloquei na agenda — Aqui são todos os meus contatos, os números de todos os meus amigos e...
– Numero do que? — Mas uma vez, ele me interrompeu.
– O numero do celular deles, ai é só eu ligar, eles atendem e a gente conversa.
– Como assim? A voz deles sai desse negocio ai?
– Sim, e se a gente falar, a nossa voz vai sair do outro lado, pra eles escutarem.
– Nossa que legal que são as coisas do futuro. — Nesse momento, imaginei como será possível alguém viver sem celular, sem computador, sem TV, sem tecnologia? Foi ai que comecei a agradecer por não ter nascido naqueles tempos, imagina que horror, Raphael parecia tão receoso com todas aquelas minhas coisas, ele parecia viver tão normal sem tecnologia, meu Deus, ainda não entendo como vim parar no passado.
– É, olha vou tentar ligar pra alguém. — Disquei o numero da minha tia, eu sabia que era impossível ela atender, na verdade eu nem sei por que eu fiz isso, mas parecia que meus pensamentos estavam errados, foi quando senti meu coração acelerar ao ouvir a voz da minha tia do outro lado:
* Ligação on *
– Alô?
– Ai meu Deus, tia, sou eu a Malu.
– Oi Malu, onde você esta?
– Olha, é meio complicado eu te explicar com estou, por que nem eu mesma sei, não sei como mas eu fiz uma viagem ao passado, também não sei como, mas consegui ligar pra senhora, olha presta atenção...
– O que? Não estou escutando nada querida, pode repetir?
–Tia, tia ta me ouvindo?
– Agora estou. O que estava dizendo mesmo?
– Tia eu preciso de sua ajuda... – A ligação tinha caído.
* Ligação off *
– Que diabo foi isso? — Raphael me olhava espantado e assim como eu não havia entendido absolutamente nada.
– Boa pergunta. — Assim que terminei de falar, a porta se abre a nossa frente, era Stevens.
– Raphael, venha aqui um minutinho, por favor.
– Claro, fique aqui tá. — Assenti e ele se foi.
Um segundo depois estava sozinha lá, ainda estava perdida em meus pensamentos confusos, ai lembrei que estava com fome. Peguei o lanche que estava na minha mochila e o comi, mas não foi o suficiente então tomei liberdade e comi algumas frutas que se encontravam em cima da mesa de centro também, quando terminei minha refeição e olhei por uma janelinha que havia lá, vi que já estava escurecendo, olhei em meu relógio e marcava exatamente 18:12, mas será que a hora estava certa? Eu achei que estava, pois a aparência do céu parecia dizer que sim, não tinha mais nada para fazer e Raphael ainda não tinha voltado.
Comecei a explorar o ambiente e vi ainda naquela sala, uma estante encostada na parede, uma estante enorme, que ia do chão até o teto, e que estava lotada de coisas, livros, garrafas, papeis por todos os cantos, mapas, coisas feitas de madeira que não consegui identificar, pois nunca havia visto antes, e mais livros, um deles em especial, me chamou atenção, era um livro antigo e empoeirado, decidi pega-lo para ler e ver se o tempo passava, o nome era Mensagens da Água. Sentei em uma poltrona do lado de uma mesinha onde havia um lampião que até iluminava bem e comecei a ler.
Ta, confesso que não consegui entender nada do livro, então deixei ele de lado e recomecei a fuçar na estante, agora, porém, o que chamou a atenção foi um mapa, um mapa do planeta, preto e branco, e o que mais me espantou foi ver que todas os continentes estavam grudados, me entende? Completamente grudados como se fosse apenas um. Peguei outros mapas e percebi que todos, absolutamente todos eram iguais, coloquei vários sobre a mesa e comecei a estudá-los, foi quando uma onda de sono me invadiu e acabei dormindo ali mesmo, deitada em cima de todos aqueles mapas.
Fale com o autor