Às Vezes é Complicado...
1 Capítulo único
Notas iniciais
Não fora apenas naquela semana que eu notara Uruha agindo estranhamente. Já fazia um certo tempo que ele sempre me olhava pelos cantos e, quando eu o encarava por muito tempo, ficava adoravelmente vermelho. Eu não sabia o porque.
Era sexta-feira, dia de boliche, e eu havia desmarcado com o pessoal porque não estava com cabeça pra diversão. Além disso, o tempo estava meio estranho e parecia que choveria a qualquer momento.
Eu estava sentado no sofá de meu apartamento quieto e em total silêncio quando campainha tocou. Abri a porta e vi que Reita, Kai, Ruki e Uruha cancelaram o boliche.
- Gente, o que estão fazendo aqui? E o boliche? – perguntei.
- Uruha nos convenceu que era melhor vir pra sua casa, não seria a mesma coisa sem você!
- Valeu Reita. Brigadão — Uruha disse, meio sem graça.
- Que isso. Conta sempre.
Eu sorri sem perceber e os mandei entrar.
As horas se passaram muito rápido e eu ainda percebia Uruha me olhando daquela forma estranha, como se estivesse escondendo algo. Logo ele voltou a desviar o olhar, totalmente corado.
- Está ficando tarde eu tenho que ir. Reita, Kai, vão querer carona? — Ruki perguntou, já se levantando.
- Não Ruki. Obrigado mesmo, mas eu vim com meu carro — disse Kai, aparentemente cansado
- Quero sim! – Reita disse. — Você vem Uruha?
Antes de responder, Uruha me olhou mais uma vez, com uma expressão serena, quase como se quisesse que eu pedisse pra ele ficar lá em casa, comigo.
-Vou sim. Sayonara, Aoi.
-Sa-sayonara.
Logo todos se levantaram e saíram do meu apartamento. Começara a chover, a luz ameaçava acabar, mas foi só ameaça mesmo. Eu me sentei no sofá e percebi que Uruha esquecera seu casaco. Peguei-o em minhas mãos e senti o forte perfume que ele usava, um perfume bom, suave, mas que ao mesmo tempo deixava bem claro que era ele não era tão... "fraco" assim.
Levei um susto com a campainha tocando, me levantei depressa e abro a porta. Surpreendi-me com Uruha, ele estava muito molhado, parado em minha porta. Mandei-o entrar.
- E-eu esqueci meu casaco. – esse negócio de ele gaguejar já estava me irritando.
- Sim, eu percebi isso, sempre se esquecendo das coisas. – ri levemente e ele corou mais.
Aproximei-me dele com o casaco em minha mão esquerda. Avistei uma gota escorrendo em sua face. Não pude conter minha vontade e, com minha outra mão livre, deti aquela gota. Uruha permaneceu imóvel e com cara de espanto. Eu simplesmente sorri.
- Você deveria estar vendo sua cara de espanto agora, Uruha. – ri mais um pouco.
- Eu não estou a-assustado.
- Não disse que estava assustado, disse que estava espantado. Tome seu casaco.
- Obrigado.
- Não é melhor você ir? Ruki deve estar impaciente já.
- Estaria se ele ainda estivesse me esperando, acho que ele estava com pressa.
Estranhei o fato de que Ruki não esperara alguém buscar um simples casaco. Não era bem a cara dele recusar dar uma carona, mas não comentei nada.
- Vamos pro meu quarto?
Uruha arregalou os olhos, parecia não entender nada.
- Hã? Eu... Ir pro seu quarto...?
- É. Você precisa tirar essas roupas, eu empresto umas pra você. Se continuar com essa roupa vai molhar o chão, além de pegar um resfriado.
Ele apenas deu um sorriso meio sem graça e concordou com a cabeça. Acho que naquele momento ele entendeu que não era um convite pra algo a mais. Só fiquei intrigado com uma coisa: a cara de decepção que Uruha fez quando eu disse que era apenas para ele poder tocar de roupa.
Enquanto nos dirigíamos pro meu quarto, eu olhei para minha mão esquerda, que antes segurava o casaco. Atendi à minha vontade e a trouxe para bem perto de meu nariz. Respirei de leve sentindo naquele momento o doce perfume que ele usava. Chegamos ao quarto, Uruha ficou parado atrás de mim esperando que eu pegasse as roupas. Assim eu fiz, e entreguei junto uma toalha pra ele poder se secar.
Uruha mantinha o olhar longe de mim. Quando chamei por seu nome, ele me olhou, fitando-me de frente. Não sei dizer como ou o porque, mas eu senti algo bem estranho naquele momento. Fiquei parado alguns segundos, apenas olhando pra face dele.
- Hhm... Uruha... — não havia percebido que o chamei de leve, como se eu estivesse gemendo.
- A-Aoi...? — ele cortou meus pensamentos e eu apenas pedi desculpas.
Uruha tirou a camisa branca que antes vestia e abaixou as calças, ficando apenas com sua roupa íntima. Naquele momento eu estava com cara de espanto. Ele riu e fez um comentário meio infame, na tentativa de me irritar, provavelmente.
- Você deveria ver sua cara de espanto. – ele repetiu minha frase, fazendo uma cara marota.
- Cala a boca, eu não estou... Espanta... Do — não consegui terminar muito bem a frase, eu prestava mais atenção no corpo de Uruha que em meus próprios pensamentos. Senti meu corpo inteiro tremer, como se cada partícula minha estivesse pedindo por ele, por seu corpo, para tê-lo só pra mim.
Eu o encarava enquanto ele vestia as roupas. Uruha estava seco agora e eu ali parado na porta do meu quarto, desejando-o. "Aoi o que você está fazendo?", pensei comigo mesmo. Eu não podia estar daquele jeito, pensando naquilo, nas curvas delineadas de Uruha, não podia estar desejando-o.
Voltei à realidade e notei que Uruha tinha deixado meu quarto de dirigindo novamente pra sala. Ele parecia estar indo embora.
- Uru... Vai aonde?
- Vou embora. Já esta tarde e não quero te incomodar — ele disse com uma voz muito suave e doce. Ainda assim ele não me encarava.
Ele virou as costas e saiu fechando a porta. Eu percebi que não podia deixá-lo ir daquele jeito. Pensei rápido em alguma desculpa e fui atrás dele. Uruha ainda estava no corredor, esperando o elevador.
- Kouyou, espera! — mal percebi que o tinha chamado pelo nome verdadeiro.
- Hm... Aoi? – ele perguntou, meio incerto.
- Fica! Fica comigo? — eu o encarava naquele momento, mas ele desviou o olhar.
- Eu... Eu não posso Aoi. Você não sabe porque mas... Quer dizer... Eu... É melhor não. — Uruha olhava para o chão, furiosamente corado, evitando encontrar meu olhar.
- É, eu não sei. Porém eu poderia saber?! — o que eu estava fazendo? Estava querendo perder o controle -Uruha me faz companhia até essa chuva passar? Não posso deixar que vá desse jeito, quer dizer, nessa chuva. Eu quero que fique.
- Bom, já que me pediu com tanto jeitinho, vou ficar mais um pouco.
Quanta ironia, aquela era a última vez que eu seria educado com ele. Uruha entrou novamente em meu apartamento e me empurrou pra parede, ficou de frente, me encarando. O olhar dele ficou marcado, ele me olhava como se me quisesse, ou talvez eu imaginava coisa demais. Logo Uruha me cortou com um beijo. Isso mesmo. Uruha me beijou e eu, sem prensar direito, o empurrei.
- Porra Uruha, tá maluco? O que pensa que está fazendo?
- Aoi, me desculpa... Eu pensei que quisesse... Eu...
- Não, eu não estava querendo, a desculpa do casaco foi a melhor que conseguiu foi? Se você é gay, desculpe, mas eu não sou! Eu não quero nada com você entendeu? Só quero distância!
Eu havia sido muito ríspido e frio com ele, nem pude perceber direito o que falava. Quando me dei conta do que falei já era tarde, ele permaneceu imóvel na minha frente. Naquele momento percebi que eu o magoara muito. Tudo isso porque meu orgulho era maior que eu mesmo. Avistei algumas lágrimas no olhar de Uruha, ele estava quase chorando. Ele pediu desculpas e correu pro meu quarto, o único lugar que dava pra ele ir naquele momento. Merda, eu fui muito infame não precisava ser assim.
Bati na porta que estava entreaberta, e entrei, Uruha estava com o rosto vermelho de tanto chorar. Eu ainda podia escutar pequenos soluços do choro.
- Uruha, me desculpe... Eu não tinha o direito de ter falado aquilo pra você, ninguém tem esse direito e... — eu estava me sentindo muito mal por ter dito aquilo. À medida que eu falava, eu sentava na cama e me aproximava um pouco mais dele.
- Você está certo Aoi, o casaco só foi uma desculpa pra eu poder voltar ao seu apartamento, pedi ao Ruki que fosse embora eu disse que voltaria pra buscar o casaco e depois iria passar na casa de um amigo meu. Sinto muito.
- Uru...
- Pra falar a verdade, eu tento esquecer essa minha vontade maluca de te ter. Só sei que é mais forte do que eu, sempre quando eu penso que queria seu beijo eu... É... Melhor... Eu ir embora
Mal pude deixar Uruha acabar de falar, ele estava se sentindo muito mal. E mais, ele me queria. Eu também o queria, então eu sufoquei suas palavras com um beijo. O beijo dele era inexplicável, nem com todas as palavras eu podia descrever o que eu senti naquele momento, enquanto o beijava. Ah, era tão bom.
A medida que nosso beijo se aprofundava, eu o deitava na minha cama. Enquanto estava por cima dele, meu telefone tocou e eu parei de beijá-lo naquele instante. Uruha me puxou de volta, a secretária eletrônica atendeu, era Ruki. Eu me separei dele e estava indo atender o telefone quando Uruha falou.
- Então esse é seu limite? Vai deixar um telefone atrapalhar?
Eu não iria deixar nada atrapalhar aquele momento, logo estava voltando. Então escutei a campainha de meu prédio tocar, era Ruki com o Reita. Ele disse que se não abrisse a porta, iria arrombá-la. Então eu a abri e Ruki entrou depressa, perguntando pelo Uruha. Eu disse que ele estava no quarto e Ruki passou direto como um tufão, Reita veio o acompanhando e mandou segura-lo. Eu não entendi muito.
Ruki entrou no quarto com pleno ódio. Quando Uruha iria se levantar pra cumprimentá-lo, Ruki o surpreendeu com um soco no rosto. Uruha caiu pra trás e ficou parado por conta do susto.
Eu entrei no quarto, já segurando o baixinho e mandando-o se acalmar.
- Ruki, o que foi isso? Fica calmo.
- CALMO? Sua mulherzinha! Você beijou o Reita hoje cedo e quer que eu fique calmo?!
- Que? — eu soltei Ruki e o deixei explicar o que aconteceu.
— Yuu, não foi isso que aconteceu... — Uruha tentou se explicar, mas lhe faltaram palavras. — Não era minha intenção, mas...
- Fica quieto, Uruha! — Ruki falava, cada vez mais irritado com aquela situação toda.
E eu? Ainda não tinha acreditado nisso. Uruha fizera aquilo mesmo sabendo que Ruki e Reita estavam juntos? Por que Uruha, por quê? Aquilo tinha me magoado tanto, minha cara de decepção foi enorme e visível.
— Ruki, me explica uma coisa. Porque na hora que vocês foram embora, o Uruha não foi com vocês?
- NÃO! Aoi, eu já te expliquei, acredita em mim! — Uruha disse rápido, como se tentasse esconder algo e eu o mandei calar a boca. Logo Ruki explicou.
- O Uruha disse que precisava fazer algo desnecessário, mais que tinha muita importância, logo depois disse que iria tentar ficar com você... Por pura vontade de esfregar na cara todos que havia conseguido um beijo seu.
— RUKI! Chega, vamos embora — Reita tentava puxar Ruki, mas fracassava. O baixinho era forte pra caramba.
- Uruha, isso é verdade? — eu não podia acreditar nisso.
- Yuu... Não, não é...
- Mentiroso! Diz a verdade antes que eu quebre sua cara! — Ruki tentava partir pra cima dele e Reita tentava segurá-lo.
- JÁ CHEGA, RUKI!! — eu estava furioso com Uruha e comecei a perder o controle da minha raiva. — É VERDADE ISSO OU NÃO URUHA? RESPONDE!
- Yuu... Não... Não foi assim que as coisas aconteceram. — Uruha começou a chorar, mandei Ruki ir embora junto de Reita. Então tranquei a porta de meu apartamento e comecei a discussão.
- O que estava pensando, Uruha? Você queria que eu fosse só um fantoche seu? Se for isso, está perdendo seu tempo!
- Yuu, não... Eu não...
- NÃO me chame de Yuu... Você não merece. — levantei a voz algumas vezes.
- A-aoi, eu... Eu não disse que estava indo ficar com você... Eu... — Uruha parecia dizer a verdade, ele chorava muito, só que minha raiva ainda me dominava.
- Pára de mentir Uruha! Eu acreditei em você...
- AOI! Veja o que está falando! Eu juro que não foi assim que aconteceu... Eu juro!
Meu telefone tocou mais uma vez, dessa vez era Reita. Ele falava muito baixo, como se tivesse com medo de que Ruki escutasse. Conversei com ele durante alguns minutos. Naquele momento senti algo atravessar meu coração e me cortar. Então desliguei o telefone e permaneci sério Uruha me olhava com cara de quem estava muito confuso.
- Uruha, era o Reita. Ele me explicou o que está acontecendo.
— Hã? Então?
- Ele me explicou do beijo, disse que era um ensaio fotográfico e vocês não beijaram. Disse que o ensaio foi contra a vontade de Ruki e quando você esqueceu o casaco... Na verdade, Ruki que havia deixado em cima de meu sofá, então na hora que chegaram no carro, Ruki mandou você ir a pé pois tinha descoberto tudo e pra não brigarem você voltou pra minha casa. — dei uma pausa para respirar e prossegui. — Uruha, desculpa... Eu...
- Não acha que é meio tarde pra pedir desculpas? Você deveria ter acreditado em mim e não nele! — Uruha disse isso chorando muito, provavelmente com raiva. Merda, eu acabei com nossa amizade ao duvidar dele.
- É, mas eu estou te pedindo agora — tentei ajeitar as coisas, mesmo que fosse tarde.
Uruha se levantou e se dirigiu a porta. Ao perceber que estava trancada, ele somente pediu que eu a abrisse. Eu já estava acabado para ele e tentar segura-lo não daria certo. Iríamos acabar caindo na porrada. Ele chamou o elevador e eu insisti.
- Uruha, me diz o que posso fazer pra você me desculpar?
Entrando no elevador e, um pouco antes da porta se fechar, ele respondeu:
- Prova que se importa comigo e nossa amizade de verdade. Não da boca pra fora!
A porta do elevador se fechou, eu dei um soco muito forte no aço. Voltei pra casa, havia uma mesinha de vidro no centro da sala, eu me sentei no sofá e deixei minha cabeça cair para trás. Refleti sobre tudo o que acontecera naquela noite e soquei com todo meu ódio o vidro daquela mesa, fazendo-a em pedaços.
Cortei minha a mão esquerda, sangrava bastante. Então eu, ainda com o sangue escorrendo, me dirigi pra garagem onde se encontravam Reita, Ruki e Uruha. Não sei como consegui achá-los. Ruki ainda tentava discutir com Uruha impedindo-o de passar e o provocando.
- O que aconteceu com a bichinha do Aoi? Amarelou, foi? Agora que consegui acabar com tudo estou mais feliz!
- Então parabéns, porque desse jeito você vai acabar com o The Gazette.
- Não, você será o único substituído aqui. O Aoi deve estar te odiando muito agora e era isso que eu queria, ver as duas mocinhas brigando!
Naquele momento perdi o controle. Não podia ficar escutando mquilo sem fazer nada. Percebi que Kai chegava em um taxi e agora eu poderia começar o show. Eu gritei o nome de Ruki e os olhares assustados dos 3 se voltaram pra mim e minha mão sangrando. Aproximei-me rapidamente de Ruki.
- Aoi, o que quer? Quer conversar um pouco mais com a mocinha?
Eu o segurei pela gola da camisa e o joguei com toda força contra a parede. Ruki bateu com as costas e se levantou com um pouco de falta de ar por conseqüência da batida.
- TÁ MALUCO AOI? — escutei Kai gritando, quase se desesperando totalmente.
Mal deixei Ruki levantar, o segurei de novo e soquei seu rosto com muita força. O sangue que antes saía da minha mão agora escorria no rosto de Ruki, se misturando com o dele. Recomecei a bater nele, quando Reita e Kai me seguraram e me afastaram dele.
- Isso é pra você aprender a nunca mais falar nada do Uruha! Porra! Você nem pode se comparar a ele... Seu desgraçado, se você tentar me fazer brigar com ele de novo eu acabo com você!
— Pra que? Se os dois já estão à beira de se matar? — Ruki disse isso limpando o sangue que escorria pela sua boca.
Kai e Reita me seguraram mais forte. Então eu decidi que não queria mais brigar porque minha mão estava sangrando. Apenas virei as costas e encarei Uruha. Ele parecia mal poder acreditar que eu bati no Ruki por sua causa.
- Aoi, sangue! — Uruha disse isso olhando pro corte feito em minha mão.
- É... Isso não foi nada... Eu... Me desculpa. – podia descrever a mim mesmo como um monstro. Essas eram as palavras que eu usaria pra descrever o que eu estava pensando de mim mesmo.
Ainda me sentia péssimo por tudo que disse a ele. Então apenas virei as costas, minha mão ainda pingava sangue e fui para o elevador, com Uruha me seguindo de perto. Reita e Kai levaram Ruki para o carro e o levaram pra casa.
No elevador, chegando perto do andar de meu apartamento, Uruha tirou a camisa que antes vestia e me mandou estender a mão esquerda (a que eu tinha feito o corte). Sem conseguir encará-lo depois de tudo, eu estendi minha mão, começara a doer e latejar. Uruha amarrou sua blusa na minha mão, fazendo-a, pelo menos, parar sangrar.
- Yuu... Está se sentindo bem? — ele dizia de forma serena, como se não tivéssemos brigado naquele dia. Sem falar que me chamou de "Yuu" novamente.
- Estou... Melhor agora.
Voltamos para meu apartamento e Uruha me levou até o quarto. Sentei na cama enquanto ele pegava uma maleta de primeiros socorros, estava no armário do banheiro. Ao voltar, ele começou logo a cuidar do meu ferimento. Já passava das 3 da manhã e eu acabei pegando no sono junto ao Uruha. Quando acordei, o vi dormindo de uma forma que mexeu muito comigo. Senti-me muito mal de ter brigado com ele.
- Aoi... Aoi...
Escutei Uruha me chamar e notei que ele estava sonhando comigo. Eu acariciei a face dele, que logo despertou com meu toque. Olhei para a direção oposta e lhe pedi desculpas. Uruha sentou-se na cama.
- Aoi, você está pálido e seu ferimento aparenta estar sangrando ainda. Não acha melhor ir pro hospital? — ele disse isso olhando para o lençol, que estava manchado de sangue.
- Uruha, por quê? — deixei minha curiosidade falar mais alto.
- Hum? — Uruha estava confuso e eu mais ainda.
- Eu... Eu falei tanta coisa que não queria e duvidei tanto de você. Porque ainda me trata tão bem?
Eu não tinha coragem de olhá-lo. Ainda me sentia um mostro, mesmo assim ele continuava doce para comigo.
- Você ainda não percebeu, não é mesmo?
- Não – respondi, sendo sincero, olhando naqueles olhos cor de mel.
- Eu me senti profundamente magoado quando você preferiu acreditar no Ruki, que adora uma briguinha de vez em quando, do que em minhas palavras...
Já imaginava isso e dava razão à ele. Eu ficaria assim comigo mesmo.
- Imaginei isso.
- Só que quando eu o vi brigando com Ruki por mim, naquele momento, entendi que você realmente estava arrependido e, de alguma forma, se importa comigo.
“Sempre me importei. Você não sabe o quanto. Mas o medo de revelar isso era grande”, pensei em dizer isso, porém preferi não falar nada. A medida que Uruha falava, meu coração batia com mais intensidade, minha respiração saía mais rápida e um pouco densa.
- Aoi — Uruha me chamou pelo apelido, mas muito sério. — Eu poderia muito bem sair pela porta do seu apartamento agora, sem olhar pra trás.
A verdade era que eu estava com medo. Sim eu tinha medo, medo de perdê-lo. Não sei o porquê de tanto medo. Engoli minhas palavras, apavorado com o que ele iria fazer e falar naquele momento.
- Uruha, eu... – merda! Eu não queria... Não podia perdê-lo.
- Eu odeio isso! Odeio me importar tanto com você, mas você acha mesmo que eu suportaria ficar longe de você sabendo que está mal?
Uruha falava enquanto se aproximava. Até demais... Não que eu esteja reclamando... Não estou reclamando!
- Não... Eu acho que não faria isso. — eu começava a sentir a respiração dele, Uruha estava muito perto.
Senti algo similar a uma descarga elétrica percorrendo todo meu corpo. Era uma sensação estranha, como se eu... O quisesse novamente. Logo ele prosseguiu.
- Basta apenas dizer que me quer. — Uruha me olhava de um jeito que...
Eu não sabia como reagir diante daquela situação. Realmente não sabia se ele estava brincando ou falando sério. Tirei um pouco da franja do rosto dele, que parecia incomodá-lo, e coloquei atrás de sua orelha. Então escorreguei um pouco a mão até seu pescoço e me inclinei um pouco para frente, respondendo ao pé do ouvido.
— Você não imagina o quanto... — as palavras pareciam ter fugido dos meus lábios de forma lânguida.
Formou-se um sorriso pervertido nos lábios bem definidos dele e nos beijamos. Uruha segurava firmemente meus cabelos e tentava me despir. As luzes da cidade e dos apartamentos vizinhos eram os únicos meio de enxergamos alguma coisa. Uruha parecia ainda mais belo sendo iluminado pela pouca luz que entrava pela janela do meu apartamento. Ele se apressou e tirou a camisa que vestia. Enquanto nos beijávamos, eu tirava o casaco.
Eu beijava o pescoço de Uruha e ele me arranhava com força, parecia estar muito excitado quando percebi que estava "alerta". Tirei minha blusa azul, Uruha me beijava e ia descendo pelo meu corpo. Passava pelo tórax e ainda sim descia, eu joguei a cabeça pra trás e fechei os olhos.
- Kou... — eu gemi baixinho o verdadeiro nome de Uruha.
Agora ele passava pelo umbigo. Uruha parou me fazendo erguer a cabeça e abrir os olhos, ele estava parado me olhando maliciosamente. Arregalei os olhos então Uruha abriu o botão e o zíper da minha calça.
- Acho que você precisa relaxar um pouco.
Desgraçado. Sem me tocar ainda, ele conseguiu me deixar louco e me render completamente.
Eu tentei me ajeitar melhor, só que quando fui apoiar minhas mãos no colchão, meu ferimento se abriu e sangrou um pouco. Senti dor, tentei esconder aquilo do Uruha só que ele percebeu. Tratou de parar por ali mesmo e então ele se dirigiu a mim.
- Yuu... Acho melhor esperar isso cicatrizar um pouco, certo?
Eu concordei. Ao mesmo tempo em que Uruha era pervertido, também tinha seu lado inocente. Ele trocou os curativos cuidado.
Naquela madrugada Uruha estava comigo. Eu não me sentia só. Adormecemos abraçados. Uruha com a cabeça apoiado no meu peito e minhas mãos em suas costas. E ali permanecemos a noite toda, os dois juntos. E o Ruki? Ah, resolvemos isso quando amanhecer, ou no próximo ensaio, não queria estragar aquele momento...
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