À flor da pele

34 Tudo começa em bolo!


Notas iniciais
Oie =) Então, capítulo difícil de escrever, não fosse a linda amanta Rain, eu teria seguido por caminhos obscuros u.U Então, amiga, obrigada pela força, por betar e por tudo mais! E queria agradecer a WowLovely que recomendou AFP, adorei, sua lindona! Dedico esse capítulo a vocês :) Boa leitura!

Theodor Blake

Complicada. Muito complicada. E bonita. E perigosamente sexy. E... Tantas outras coisas.

Nem frio sinto mais. Diana Weber vai acabar com minha sanidade se continuar assim. E quero que continue. Quero que fique mais complicado ainda. Quero que ela se perca em mim até que eu seja sua tábua de salvação. E por que tudo isso? Não faço a menor ideia.

Nunca tive que esperar tanto tempo para dormir com uma mulher antes. Estou praticamente sem transar desde que nos conhecemos oficialmente. Essa mulher teimosa me encanta, distrai-me de minhas próprias necessidades.

— Isso, definitivamente... – Ela coloca a taça de vinho na mesa de centro e faz careta. — Não combina com tanto açúcar.

Nós dividimos o bolo e, inacreditavelmente, ela come. Mesmo comigo roubando seu garfo algumas vezes. Parece que ela não tem TOC, afinal.

Minha ex-namorada tinha horror a compartilhar talheres. Entre outras bizarrices de que Diana parece livre. Mas não estou tão certo sobre desconsiderar essa opção ainda. Ela continua lembrando Tessa em algumas coisas.

Sinto-me andando em uma corda bamba algumas vezes. Mas tem sido interessante. Especialmente agora, vendo-a se soltar lentamente. Em partes pela bebida, aposto. Mas não está bêbada. Diana parece comprometida com ela mesma a não cair esta noite. Ela está bebericando a mesma taça há quase meia hora, e se não fosse pelo que já tomou na festa, estaria cem por cento sóbria.

— Tudo combina com doce — Digo, derrubando o último pedaço de seu garfo e espetando com o meu.

— Isso é tão deselegante, Sr. Blake.

— É bolo, Diana, não dá para ser elegante nestas horas.

Levo o garfo à boca com o último pedaço do doce e saboreio com prazer. O bolo todo era uma delícia, mas o último pedaço... Sempre parece ser mais gostoso.

— Estou tão cheia! — ela reclama, escapando do sofá. — E está tarde, Theodor. Você deveria ir descansar.

Suas palavras não condizem com o rosto corado, com os lábios que são constantemente umedecidos com a língua, e com os olhos brilhantes. E sem contar a respiração forte que manteve enquanto estávamos abraçados. Se tem uma coisa que Diana Weber não quer neste momento é que eu vá embora. E eu também não quero ir.

Mas esta coisa de “Não vamos transar” está me perturbando. Ainda assim, acho que posso conviver com isso. Ou poderia, caso ela se comportasse.

O roupão constantemente se move, e aposto que nem percebeu. Enquanto estava no sofá, ela cruzava e descruzava as pernas com frequência, movendo o tecido e deixando alguma carne exposta. Acho que não usa nada por baixo...

Nesse cenário, fica difícil exercer o cavalheirismo e não tentar seduzi-la, fazê-la mudar de ideia e implorar no final.

Agora, em pé ao lado do batente da porta, Diana não poderia estar mais desejável. Os cabelos, que ainda não secaram completamente, ganham alguns cachos. Gosto muito de seu corte, emoldura seu rosto e a deixa delicada.

Depois de deixar a festa, devidamente carregado com meu bolo, passei no apartamento e tomei banho. Se ela for tão parecida com Tessa quanto imagino, vai começar com aquela coisa de “Você está sujo” logo, logo. Não custava estar ao menos apresentável e tentar pular essa etapa. Embora eu não me importe de passar por isso com ela.

Ao contrário de Tessa, Diana parece ter sob controle sua situação. Ou sabe disfarçar muito bem. Talvez sejam os remédios. Thomas diz que é possível suavizar certos sintomas com tratamentos.

Mas, mesmo assim, já que não tenho uma confirmação do que se passa realmente com Diana, e acho que dizer que ela está bem não é correto, tenho medo de investir demais e assustá-la. Ou investir de menos e frustrar a nós dois.

Levanto-me e caminho até ela.

Diana não se move, apenas me estuda. Coloco uma mão no batente da porta, ao lado de seu ombro, e a outra em sua cintura. Vejo-a fechando os olhos por um momento, respirando com mais dificuldade a cada instante. Um reflexo de como estou, acredito.

Não é apenas fazer sexo. Na verdade, essa palavra faz até parecer sujo. Eu simplesmente gosto de sua companhia. Gosto de ouvi-la falar. Sua voz é doce e calma. Como poderia ser apenas sobre sexo? Nunca será.

Ultrapasso sua cintura, indo para a base das costas e a puxando para perto.

— Não quero ir para casa. — Sou sincero. — Sua companhia é realmente agradável.

— Só comemos bolo, como pode deduzir que sou uma boa companhia só com isso?

— E estava delicioso, mas não estou falando sobre nossa interação. Estou falando da sua companhia. Observar você me agrada.

Então ela desvia o olhar, focando-o no chão, a bochecha ganha um tom escarlate. É automático, só fazer um comentário mais picante ou até mesmo um elogio e ela fica assim. Talvez deva provocá-la mais, afinal, ela fica linda dessa forma. Puxo-a em minha direção, afastado-a do batente e conduzindo-a sutilmente de volta para o sofá. E ela não se afasta, se deixa ser guiada.

Quando ela para de lutar é quando minhas dúvidas estão de volta. Não sei se ela me quer ou se apenas está farta das minhas investidas.

Paro quando sinto o sofá em minha perna, então me sento e a deixo livre para escolher. E há uma luta grande dentro dela, seus olhos bonitos a entregam.

Por fim, ela se senta ao meu lado e me encara.

— Quero beijá-la. — Fica vermelhinha de novo, mas desta vez os lábios se curvam em um sorriso. — Posso?

Então ela me encara, finalmente, e com um aceno de cabeça libera-me para tocá-la. Pelo menos os lábios...

Não há necessidade de pensar. Se eu parar e fizer isso, é possível que ela mude de opinião. Então, com menos delicadeza do que ela merece, seguro seu rosto entre minhas mãos e aproximo nossos lábios para um beijo. Começo com calma, apenas mordiscando e sugando levemente. Espero ela me acompanhar, para então aprofundar e pedir passagem com a língua.

Sem afastar nossos lábios, ouso tocar-lhe o roupão, na altura da cintura, onde está feito o laço.

As mãos dela encontram meu pescoço e me forçam mais em sua direção.

Quando o roupão está solto, o afasto. E seguro-me para não quebrar esse beijo e dar uma boa olhada nela. Contento-me, no momento, em levar minha mão para baixo do tecido. Não encontro sua pele, mas uma malha fina, o que me faz soltar um gemido de descontentamento. Ela fica tensa, solta meu pescoço e tenta se afastar, mas retiro a mão do que acho que é sua barriga e lhe seguro a nuca. Obrigo-a a manter seus lábios nos meus.

Estou sendo afobado, desesperado demais, isso não posso negar. Mas não consigo levar de outra forma. A impressão que tenho é a de que a qualquer momento ela irá recobrar a consciência e fugir. Não estou disposto a permitir.

Quando sinto seu corpo se encostar no sofá e relaxar de novo, tento outra vez tocar por dentro do roupão.

Encontro a malha fina novamente e desta vez ela não fica tensa, não tenta fugir. Ela me toca. Mexe em meus cabelos, algumas vezes segurando com força, outras apenas acariciando.

Minha mão continua a subir até que toco um monte macio. O seio...

Ela geme em minha boca e isso é mais que suficiente para me incentivar a continuar. Solto a sua nuca e levo a mão para junto da outra, envolvendo cada seio em uma palma.

Dia sempre usa roupas comportadas. Sem decotes, sem muita perna à mostra, o que é uma pena. Eu seria muito grato se ela fosse mais... Desinibida com seu corpo. Mas, mesmo com as roupas comportadas, a bunda dela se sobressai. Não é grande e, definitivamente, não é pequena. Quando ela anda é impossível desviar o olhar.

E então tem os seios, que chamam atenção até mesmo sem um decote. São fartos. Pelo menos para mim, que tive duas modelos como namorada no último ano. Não havia muito para pegar.

Diana deixa qualquer homem maluco, só imaginando o que vai encontrar por baixo de toda roupa. E, como muitos, eu sou um desses. E a ideia de finalmente matar essa curiosidade me deixa ansioso.

Isso é estúpido. É só uma mulher.

— Theo... — ela se fasta dos meus lábios e começa, ofegante.

— O quê? — Não paro de tocar seus seios, começo a massageá-los, só esperando o momento de livrá-la dessas peças e finalmente poder saboreá-la.

— Rápido demais... — diz, quase em um sussurro.

Eu acho que depois de tanta insistência a respeito de não fazer sexo, está na hora de aceitar que a noite não promete muito mais que alguns amassos. No entanto, eu insisto em me agarrar a um fiozinho de desejo mais que declarado em seus olhos. Seus lábios continuam a repetir que não, mas o resto de seu corpo não concorda. Seria forçar demais se eu insistisse?

As mulheres têm esta coisa sobre dizer não. Nunca dá para saber quando é realmente não. Cresci com quatro delas ao meu redor, sei bem do que estou falando. Então, como interpretar esse "Rápido demais"? Seria um falso "não" disfarçado, eu sendo um completo babaca e passando dos limites ou apenas um charminho? Tão complicadas!

— Devemos parar e ver um filme? — pergunto, na torcida para um não que signifique não realmente, e continuando a massagem em seus seios. Ela luta para se manter sã, posso ver em seus olhos. É até bonito esse seu momento de incapacidade de raciocinar. É bom saber que não sou o único.

— Sem... seios.

Sem seios? Mas ela está adorando cada toque meu e sem esconder isso. De onde é que eu tiro forças para me afastar? Complicada é um elogio.

Desvio meus olhos dos seus e finalmente dou uma secada em seu corpo. Fico sem ar por um breve momento. Carne! Finalmente carne. Não gordura, ou ossos, carne.

A regata branca é praticamente transparente. O tecido é fino e os mamilos durinhos estão em evidência. As coxas dela são grossas, em comparação às modelos, obviamente. Diana não é gorda. Na verdade, acho até que emagreceu desde que a vi pela primeira vez, e magra ela já era.

— Ah... — Ela solta meu cabelo e segura minhas mãos que estão sobre seus seios. Não que isso adiante muito. Continuo mexendo. — Theo... — ela diz e fecha os olhos, perdida.

— Você tem certeza, Diana?

Ela deixa a cabeça pender para trás e aproveito o momento para tocar-lhe o pescoço com os lábios, o que a faz arquear a cintura em minha direção.

Solto seus seios e consigo escapar de suas mãos. Seguro-a pela cintura e a puxo com força. Ela não reclama quando a coloco em meu colo. Ajeita os joelhos ao lado de minhas coxas, sentando justamente sobre a minha ereção, o que tira o foco de tudo por um instante.

Mais alta do que eu agora, sou obrigado a levantar a cabeça para olhar em seus olhos. Pergunto-me como essa mulher não entrou em combustão espontânea ainda. Continua corando e corando e corando e agora, mais que bonito, chega a ser preocupante. Acaricio sua bochecha e então seus lábios.

— Você é a coisa mais linda em que já coloquei minhas mãos, Srta. Weber.

Sinto seu corpo ficar tenso. Não deveria ser assim. Mulheres gostam de elogios, certo?

— Por deus, Theo! — diz, em meio a uma carranca e então esconde seu rosto em meu pescoço, enroscando os braços à minha volta.

Será que minha adorável Dia é daquelas que curtem violência na hora da intimidade? Porque eu me recuso a bater e a xingá-la. A não ser que ela insista muito.

— Não diga tolices, você já me tem em seu colo... — Sua voz sai abafada, mas consigo compreendê-la. E não gosto nem um pouco da suposição implícita em suas palavras.

— Poderia tê-la nua sobre meu pau, ou vestida de freira à minha frente, ainda assim, a minha opinião seria a mesma. Bem, talvez um pouco menos no segundo caso. A situação não tira sua beleza. Você é linda.

Ela não responde. Continua me abraçando, escondendo seu rosto e fazendo cócegas em meu pescoço com sua respiração.

— Você é perfeita... — Viro meu rosto, concentrando-me na pele do pescoço exposta. Passo a língua ali e ela estremece, se aperta com mais força a mim, mas continua em silêncio.

O que eu fiz agora? Por deus! Quando eu penso que entendo finalmente uma mulher, a vida mostra que ainda tenho muito caminho pela frente.

— Diga alguma coisa — peço.

— Não sei o que dizer.

Mantenha o controle...

E eu não sei o que pensar. Diana parece tão inocente em alguns momentos. Toda esta vergonha e indecisão. E em outros, há tanto fogo... Eu pensei que a tinha entendido, que queríamos a mesma coisa, mas agora... Acho que ela não sabe o que quer.

Mulheres! Por que tão complicadas? Por que negar o que desejam?

— Você faz sexo com a Amy?

Impressionante a precisão que o sexo feminino tem em levantar questões desnecessárias em horas completamente inapropriadas.

Levo as minhas mãos até minha nuca e seguro as dela, forçando-a a me soltar do abraço.

Diana se ajeita em meu colo, pressionando-se contra minha ereção e causando mais um momento de confusão.

Respiro fundo, tentando recuperar o controle, e a encaro.

Eu já sabia que essa pergunta viria cedo ou tarde. Tyler fez o favor de plantar esta sementinha e uma hora ou outra eu teria que colhê-la. Mas não esperava agora. Justo agora!

Não é fácil focar na conversa no meio dessa situação. Mas me obrigo a não prestar atenção nas sensações.

— Estou realmente ofendido por pensar que estaria aqui com você enquanto mantenho algum relacionamento com outra pessoa. Pensei que já tinha deixado isso claro também na semana passada. — Ela morde o lábio, estreita os olhos e me estuda. — Eu, Theodor Blake, sou solteiro — digo, e desta vez espero que ela esteja prestando atenção. — Não tenho uma esposa, e nem uma ex. Nunca fui casado. Não estou em um relacionamento, a não ser que esteja pensando em nomear isso. — Aponto para ela e então para mim. — Não tenho nenhuma ficante, nenhuma amiga de sexo e, definitivamente, não tenho um caso com a Amy. E você, Srta. Weber, algum marido, namorado ou amigo colorido com que eu deva me preocupar?

Ela suspira, abre a boca, mas não diz nada, então a fecha. Seus olhos estão arregalados e, embora pareça preocupada em como responder, está completamente à vontade em meu colo, não posso deixar de reparar.

— Talvez um ex-marido... — diz, finalmente. O que é mentira. Eu dei uma fuçada na sua vida... Só para me certificar de que Tyler e a “Amante”, como Jane me disse na primeira vez, não estavam planejando um golpe. Ou mais um. Então, nada de marido.

— Algo me diz que você está me provocando...

E então ela sorri. O sorriso mais doce da noite, mais bonito e encantador. Um sorriso sincero. Sem nervosismo, ou vergonha. Ela é linda e a cada dia parece ficar ainda mais. Talvez eu esteja ficando maluco, é uma percepção meio distorcida para mim.

— Posso voltar a beijá-la agora ou tem mais alguma questão?

Ela nega, mordendo o lábio.

Toco seu rosto mais uma vez, aproximando-o do meu e tomando seus lábios. Suas mãos ficam espalmadas em meu peito. Gosto quando ela me toca. É como se o calor ultrapassasse minha pele e se alastrasse pelo meu corpo todo, se concentrando especialmente... Na cabeça debaixo. É uma boa sensação, embora, ao mesmo tempo, angustiante.

— Tira isso... — digo ao tocar o roupão.

Seus olhos encontram os meus e ela parece travar uma guerra dentro de si. Então, ela nega.

— Rápido demais... — repete, e eu desisto!

Oh, mulher difícil!

Relaxo no encosto do sofá, deixo minha cabeça descansar e fico apenas a observando.

— Está com raiva? — pergunta depois de um tempo.

Como se fosse possível...

— Nunca.

Desanimado, definitivamente! Mas não com raiva.

— Você quer que eu vá embora? — pergunto, tentando manter minha voz calma e tranquila. Tentando não pensar sobre o que Diana está sentada. Dizer não e continuar ali é um pouco... Sacana! Mas eu é que não irei reclamar.

— Não se prenda por mim.

Que tipo de resposta é essa?

— Você quer que eu vá embora? — pergunto de novo. Sério.

Ela nega.

— Ótimo, porque estou muito bem aqui.

E o sorriso bonito está de volta e é impossível não correspondê-lo.

Ela faz menção de sair de onde está, mas a seguro. Agora o sacana sou eu! Estou me torturando.

— Você não precisa sair...

— Acho que preciso sim... Você está... Duro.

E Diana consegue a bola da noite. Minhas bochechas começam a aquecer e não me lembro de sentir isso uma única vez em minha vida antes de conhecê-la.

Constrangimento... Isso é novo.

— E a culpa é de quem?

Ela morde o lábio e tenta sair de novo, mas a seguro ali.

Isso foi um pouco... Estranho. Adoro ouvir e falar sujeira na hora da transa, mas isso não soou como algo sujo. Foi mais como um momento de espanto e constatação.

Parece que me enganei sobre essa mulher. Achei que a conhecia, que era fácil desvendá-la, mas a cada minuto se torna mais difícil. E tentador.

— Você me distrai — digo.

Você me distrai. — responde de volta com uma confusão visível dançando em seus olhos.

Estico o braço para alcançar seu rosto.

— Jane está bem? — pergunta.

— Sim.

— Oh... Que bom.

E o silêncio se instala entre nós, não o desconfortável. Pelo menos não da minha parte.

— Você tem irmãos? — Ela tem. Uma irmã. Amy descobriu isso a meu pedido. Mas seria muito assustador dizer a ela que sei sobre sua família, instituições de ensino... Aliás, ela estudou em um colégio de freiras por um ano todo em sua adolescência. Isso significa muita coisa. Esta quietude e inocência que nem os anos e as experiências amorosas puderem tirar. Porque, segundo Amy e suas pesquisas, ela teve lá um bom número de namorados. Essa informação foi mais difícil de conseguir, mas perguntando às pessoas certas, e pagando, sempre dá para conseguir alguma coisa.

— Uma irmã mais nova, três anos de diferença.

— Janet tem sete anos a menos. Ela foi uma coisinha encrenqueira e grudenta.

Ela sorri.

— Janet...

— E o segundo nome é ainda pior. Brigitte. Uma homenagem a Brigitte...

— Bardot — ela me interrompe e completa. — Minha mãe a adorava.

— A minha adora pensar que é ela.

— É um bom exemplo a se copiar — ela fala.

Diana vira o rosto e leva a mão à boca, na tentativa de esconder o bocejo. Está cansada. Fico só à espera do “está tarde” de novo. Mas, em vez de fazer isso, ela sai do meu colo, fecha o roupão, e senta ao meu lado, descansando a cabeça em meu ombro.

— Como se chama sua irmã? — Afasto-a por um momento, para passar o braço sobre seus ombros e acomodá-la melhor, agora em meu peito.

— Julie. E ela tem um filho, Liam, de quatro anos — conta, animada.

— Pela empolgação, eu diria que você gosta de crianças.

— Talvez... Não tenho certeza quanto a isso. Mas adoro o meu sobrinho.

— Você tem uma foto?

Ela se afasta e me encara.

— Está sendo simpático?

— Curioso, na verdade. Gostaria mesmo de ver.

Ela sorri e se afasta, fica em pé e sai da sala. Só nessa hora paro para reparar no que usa nos pés. Viro a cabeça e a acompanho até que fica fora de vista. Pandas!

Respiro fundo. Ainda estou... Duro, como diria ela. Mas começo a me controlar. Já desisti de qualquer coisa que não seja apenas sua companhia agradável. Estico-me e pego minha taça de vinho, virando-a de uma vez. Fico em pé e tiro a blusa. Estou com muito calor...

Vou para o banheiro que fica no corredor e jogo água no rosto, conseguindo recuperar o controle sobre mim mesmo.

Então estou pronto para ser o amigão por mais uma noite.

Notas finais
* Brigitte Bardot - Atriz francesa que teve seu auge em 1950-1960. E só, tô pescando de sono XD Bj bjs