Notas iniciais
Eu não vou nem dizer muita coisa, vejam vocês mesmos... Aliás, já vou até pedir desculpas antecipadas pelo que vai acontecer no final desse cap... Boa leitura!

–Chegamos tarde demais! – disse Holmes, no corredor, ao constatar a porta aberta. – Esther! Esther!

Ainda no limiar da porta, observando Holmes adentrar a casa de maneira aflita, um catatônico Reid se deixava aturdir-se.

Como ele sabe o nome da moça?

Havia alguma bagunça e sinais de violência na sala. Um quadro estava torto e objetos de vidro tinham se quebrado sobre o chão.

–Veja, Mr. Holmes. – chamou Reid, enquanto Holmes vasculhava a casa, com uma aparente e estranha naturalidade, como a de quem conhecia aquele terreno muito bem. – É sangue.

Holmes estava à prestes de um ataque de nervos e ansiedade, mas controlou-se como pôde.

–Eu vou pedir reforços. Pedirei para que bloqueiem portos, estações, e vigiem as estradas. Certamente ele fez a moça de refém para escapar disso com maior facilidade.

Enquanto isso, Reid andava pela casa, provavelmente à procura de pistas. Chegou até uma sala, com aparência de escritório, e fitava algujs livros sobre a prateleira.

–Há um exemplar da Torá aqui. Certamente, ela é a judia dona do colar. Uma possível próxima vítima.

Holmes sentia vontade de mandar Reid calar sua boca, junto com suas conclusões óbvias e dolorosas, mas o desejo de reparar seus erros e salvar a mulher que ele amava era muito maior, a ponto de ignorar as observações do inspetor.

De repente, Reid foi interrompido por um policial da Yard.

–Chefe, há notícias de James Stewart. Ele foi preso após brigar com os policiais em sua casa. Ficou muito transtornado com as acusações.

Reid ergueu as sobrancelhas. – Oh, ótimo! Mais um engomadinho encrencado com a Lei! Eu vou até lá agora mesmo! Constable Gary, chame o Inspetor Lestrade e o deixe liderar as buscas por Mr. Carlston e apurar este aparente sequestro. Afinal, esta é a sua jurisdição da Delegacia de Westminster, não da Divisão H.

Apressadamente, o inspetor deixou a casa, deixando Holmes sozinho, com sua culpa e a dor de uma casa vazia.

–Mr. Holmes? O senhor vem? – perguntou Reid, ainda estranhando o comportamento do detetive.

–Arhm... Não. Vou esperar por Lestrade, deixa-lo a par da situação. – disse, despedindo-se de Reid, que acenou, ainda intrigado com a maneira estranha que Holmes adotou, desde que descobrira o endereço da próxima vítima.

Será que ele já a conhecia? Talvez. Talvez uma cliente antiga... Não, ele teria comentado sobre isso.

Ou seria um parente? Provavelmente.

Reid riu de si mesmo. Porquê eu nunca cogito a hipótese mais óbvia quando se trata de Mr. Holmes? Afinal, eu também teria um comportamento assim, se levassem a minha Norah... Não, aqui estou eu a pensar bobagens. Um interesse amoroso de Mr. Holmes... Não, não aquele homem. Só posso estar enganado.

Holmes decidiu se concentrar, e tornar a utilizar sua mente racional e afiada, em busca de evidências. Ele procurou pela cena, e percebeu que agiu ali um homem sozinho. Havia marcas de dedos, sujos com sangue, em uma parede. Dedos femininos. Dedos de Esther. Que a ferida não tenha sido grave. Procurando entre os objetos sobre a mesa, Holmes encontrou uma espécie de diário. Ao abrir e verificar seu conteúdo, percebeu que se tratava de hebraico. Mas aquela não era a grafia de Esther. Ele já tinha visto Esther escrever algumas vezes, e a grafia dela não era tão garranchada quanto aquela. Ainda que nada pudesse lhe dizer sobre a possibilidade de aquilo ser uma evidência ou não, ele decidiu manter aquilo consigo, e entregar a Mycroft com o intuito de achar alguém que pudesse traduzi-lo. Sem pensar duas vezes, colocou o pequeno diário no bolso do colete.

Holmes encontrou sobre a mesa a bolsa de Esther e vasculhou em seus pertences. Entre um caderno de notas, havia um folheto comunista, com um endereço escrito no verso. No East End.

Claro! Esther era professora de James Stewart e Jeffrey Carlston Holmes. Certamente, pela maneira impetuosa de sua mulher, Carlston Holmes lhe entregou isso, por mero convite ou qualquer motivação, o que já é alguma coisa. Holmes lembrava que a polícia não possuía o endereço certo do local de reuniões comunistas do grupo de Carlston Holmes. Ele pode ter levado Esther até lá, afinal aquele é um local seguro e desconhecido.

Sem pensar duas vezes a respeito disto, Holmes foi até a pequena gaveta, onde um revólver Colt estava guardado, recarregou-o e seguiu até os confins de East End.



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Os punhos de Esther já estavam doloridos. Jeffrey tinha amarrado as cordas ao redor deles com força. Ela assistia, amordaçada e amarrada à cadeira, Jeffrey colocar um remédio suspeito no copo de água, depois que ele pôde reunir o maior número de pertences possíveis.

Sua boca, no entanto, doía. Não pela mordaça, mas pelo forte tapa que recebera, minutos atrás, e que fizera Jeffrey optar em amordaçá-la,

“Porquê você está fazendo isso, Jeffrey? Você ainda pode ser diplomata em outros países...”, ela tentava lhe conhecer. “Ainda há tempo de desistir...”

“Eu quero a Rússia!!!”, ele gritou. “O Czar maltrata aquelas pessoas, você me disse que morou por lá, sabe do que eu estou falando. Há uma Revolução eminente e eu quero estar lá! Quero ser mais que um ouvinte, quero ajuda-los!”

“Porquê não continua agindo aqui mesmo, na Inglaterra? Afinal, este é o seu lar...”

Jeffrey riu. “Meu lar... Eu jamais senti isso, sabia? Não quando se tem um pai como o meu, que estraga todos os meus planos, que não quer me ver em outro lugar que não aquele maldito banco... Aqui eu não tenho liberdade para ser quem eu verdadeiramente quero.”

Esther percebeu que estava conseguindo deixa-lo emotivo.

“Eu sei como você se sente, Jeffrey. Vivendo uma vida que não é sua, camuflando-se para sobreviver. Eu também já estive em uma situação assim. Fugindo de mim mesma, a ponto de me encontrar sem saber quem eu sou, mas eu consegui me libertar, sem derramar uma gota de sangue. Não sei se meus problemas são maiores que os seus, até duvido que sejam, mas eu consegui. Agora, sou eu mesma, e você também pode conseguir, Jeffrey. Você é jovem demais para carregar tantas mortes. Ainda há tempo para o arrependimento, eu sei que há. Deixe que esse Jack apodreça nos anais da História como um homem sem identidade, Jeffrey. Se a polícia não o encontrou há anos, não será agora que o farão. Eu sei que pode, Jeffrey, basta interromper agora esse rastro de violência e seguir com sua vida, da mesma forma como eu seguirei com a minha.”

Mas, infelizmente, ele fechou-se outra vez.

“Curioso, Mrs. Sigerson. Você se recusava a me chamar de Jeffrey, e agora trata-me como amigo íntimo. A senhora é mesmo uma mulher cheia de artimanhas.”

“Preciso ir até o fim com isto.”, ele disse. “A Revolução é muito maior do que minhas fraquezas, meus tremores. Maior do que a mim mesmo. Eu sou apenas um objeto da vontade maior, da liberdade de um povo sem os grilhões da Corrupção, da Religião, do Capitalismo e da Maldade, compreende?” – ele disse, sacando sua faca.

“Não... Por favor, não...”

“E você está tentando me desvirtuar de meu caminho, com suas tentações...”

“Jeffrey... Escute...”

Então veio o tapa.

Depois, lágrimas e silêncio.

Esther tremeu com esta lembrança recente. Jeffrey era um homem obcecado, capaz de qualquer coisa, mesmo ferí-la. Poderia não mata-la, mas sabe-se lá que outros recursos ele não poderia recorrer que não a morte.

–Droga, você me sujou com esse seu maldito sangue judaico... – ele observou, ao perceber que seu terno, de cor marrom clara, estava manchado de sangue, em virtude do ferimento no braço que Esther trazia, e que ainda sangrava.

De repente, ele começou a se trocar na frente dela. Esther desviou os olhos. Um homem louco como Jeffrey poderia ser provocado por qualquer coisa. Ao perceber sua reação, Jeffrey riu.

–Há quanto tempo você não vê o idiota do seu marido? Hmm? Ouvi dizer que mulheres sentem falta... – ele disse, com tom sedutor. – Não sei o que você pensava a meu respeito, minha Sophie, mas prometo que lhe darei um pouco de prazer antes de seu derradeiro desfecho.

Esther tentava virar o rosto, em meio às lágrimas, enquanto Jeffrey começara a desabotoar a calça.

Ela fechou os olhos. Implorou à Adonai. Pensou em seu filho, ainda pequeno, em seu ventre. Pensou em Holmes, em Sigerson. Curiosamente, lembrou-se de suas caminhadas em Montpellier, da noite em que ele a salvara dos capangas de Dmitri.

Ela poderia ser salva outra vez?

–Se você ficar quietinha e se comportar, juro que não vai doer nada. – ele disse, enquanto levantava seu vestido.

Jeffrey... Por favor, não...

Notas finais
HOLMES!!! CORRE AGORA MESMO!!! AGORA!!! NÃO DEIXA ESSE LOUCO ACABAR COM A ESTHER!!! Gente, que tenso, tenso mesmo!!! Confesso que eu não queria que isso acontecesse a Estherzinha, eu juro... São meus personagens que me forçam a escrever... Acho que Moriarty assumiu os teclados enquanto eu fui buscar um copo d'água, rsrs. Ainda acho que sim. Será que eu deixei claro o suficiente quanto ao que vai acontecer? Porque eu não quis continuar essa parte por dois motivos: 1) Não tenho a mínima vontade de descrever uma cena de estrupo com a minha personagem (não sou tão má assim, viram?) 2) Eu não quero subir essa história para 18+, porque simplesmente não há necessidade. E preparem-se... Holmes está armado... Se eu fosse o Carlston, ficava esperto... Bjs e obrigada por acompanharem.