À Espada Pelo Sangue

56 Capítulo 45 - O Poder que Estava Acorrentado


Notas iniciais
VOLTEEEEEEEEEEI Ai, gente... Então, eu vou dizer que sofri muuuuiito para parir esse capítulo (como diz minha senpai CandyMadTribute), mas ele finalmente nasceu!! Eu creio que poderia ter feito melhor se estivesse em tempos melhores, mas não estou insatisfeita, então aqui está ele ^^ Meus mais profundos agradecimentos à leitora Ary, que me deu muita força com seu último comentário. Sinceramente, quase chorei com suas palavras. Obrigada mesmo. E também pela fofura da leitora Malika. Sério, tenho os melhores leitores do Nyah! ^^ Sem mais delongas...

— Droga, Daímonas, não consigo ativá-la.

O garoto me lançou um olhar casual.

Você não vai aprender assim tão rápido. — falou – Normalmente se leva anos de treinamen... – ele parou, olhando fixamente para o meu peito esquerdo. Então soltou uma risada – Ah, entendo, entendo. Você foi acorrentada. Alguém selou sua Habilidade, e fez um ótimo trabalho, por sinal. — ele encarou a parede – Por que esses caras estão demorando tanto?

— Como é?

Ele voltou seu olhar para mim. Estendeu a mão, apontou para o meu coração e fez o caminho com o dedo até minha cabeça.

A Habilidade de um Greno interliga o emocional e o racional. Ambos precisam estar em equilíbrio para que tudo corra bem: é a combinação do sentimento de perigo e do pensamento estratégico que traz a Habilidade à tona. Claro, se algum desses estiver mal, a Habilidade não se ativa, perde o controle ou funciona mal.

— Vá direto ao ponto, Daímonas. – ordenei – Não tente ganhar tempo para que eles cheguem aqui. Você disse que eu estou acorrentada? Então quebre logo essa corrente.

O sorriso sanguinário dele voltou ao seu rosto, enquanto ele expressava uma felicidade que em nada me alegrava. Eu podia ver em seu olhar o seu desejo por me consumir.

— Ah, é por isso que eu te adoro, milady! Sempre fazendo pedidos tão caros! Mais ninguém se atreveria dessa forma!

— Daímonas!

Ele se calou, assumindo uma postura séria. Eu vi o fogo em seus olhos, que brilhavam intensos, famintos. Ele estendeu a mão e atravessou o meu peito, o que me fez experimentar um momento sem ser capaz de respirar, em seguida retirando-a lentamente e exibindo para mim uma corrente. Eu de repente me vi há um mês, na varanda da Casa Grande, paralisada diante da imagem do sr. D. estendendo para mim uma corrente de prata rachada.

As palavras seguintes de Daímonas confirmaram a lembrança.

Ah, parece que alguém deixou um trabalho pela metade aqui.

Encarei a corrente na mão dele. Meu peito doía, assim como minha cabeça, mas meus pensamentos estavam a mil.

Então era isso que Dionísio estava fazendo? Ele estava quebrando o selo que me impedia de usar minha Habilidade? Mas por que...?

As mãos de Daímonas se fecharam ao redor da corrente, quebrando-a com um estalido agonizante.

Foi como sofrer um ataque cardíaco e ter a cabeça perfurada ao mesmo tempo. Lágrimas de dor correram por meu rosto, e eu caí de joelhos. Daímonas se agachou, equilibrando-se em sua estaca.

Está feito, milady. Você agora será capaz de usar a sua força.

Obriguei-me a ficar de pé, embora ainda sentisse todo o meu corpo sendo percorrido por dores no ato. Gemi, mas encarei o demônio.

— Ótimo. Obrigada, você pode ir agora.

Ele apoiou os cotovelos nos joelhos e o queixo nas mãos, seus olhos me dando a impressão de que me devoravam.

Não me agradeça, milady. Assim que eu cobrar o meu preço, você não estará mais tão feliz.

Sua forma foi recolhida pela Página. Senti um calafrio, preocupada com o que ele cobraria dessa vez, mas não tinha tempo para pensar nisso. Logo aquelas portas se abririam e eu teria que lutar.

Com o tecido que restara do vestido, envolvi a Caixa e a pendurei no ombro, já que ela não cabia mais na bolsa, que eu joguei de lado. Corri para Ian e toquei seu ombro. Ele acordou e olhou para mim com uma expressão questionadora.

— Levante. – falei – Eles estão vin...

A porta se abriu antes mesmo que eu fosse capaz de terminar de falar. Uma adaga veio voando em minha direção. Ian me puxou para si dois segundos antes de ela atingir o ponto onde antes estava o meu rosto.

Ele ficou de pé, apesar de claramente esgotado, e empunhou sua espada. Levantei, posicionando-me ao seu lado e apertando o cabo de Prostátida.

— Descobri minha Habilidade. – falei para ele – Posso contar com você em minha retaguarda?

Em resposta, ele desviou mais duas adagas.

Sorri.

Todo o meu corpo doía, o sono de dez minutos que tivera não havia tirado nem metade do meu cansaço e eu estava prestes a encarar uma horda de inimigos com um poder que eu nunca tinha usado. Mas, de alguma forma, ver que Ian lutaria comigo me fez sentir um frio bom na barriga, como a ansiedade pela batalha me dominando.

— “Oh lâmina abençoada, empreste-me novamente a força dos demônios que erradicou, e dilacere aqueles que ousam profanar esta terra”.

As vozes começaram, clamores por liberdade e vingança, mas eu as ignorei. Senti a força de Prostátida crescer junto com seu brilho. Seu peso se adequou ao meu punho, sua lâmina ficou mais afiada, a pegada mais confortável. Relaxei a mão, girei a espada, respirei fundo...

Arranquei em direção à saída. Antes mesmo de meu terceiro passo, outra adaga voava em minha direção. Eu concentrei minha visão, esvaziei minha mente e mantive o movimento. Então, tudo ficou em câmera lenta, exceto por mim, e eu agora sabia o motivo.

Segurei a adaga pelo cabo com a mão livre, girei-a, mirei e a lancei de volta pela porta, continuando na corrida. Passei pela saída, com Ian lentamente em meu encalço, fui capaz de rapidamente contar dez inimigos espalhados por o que parecia um depósito grande e abafado, com um grande portão de metal em um dos lados e caixas empilhadas pelos cantos. Atrás dos monstros que se agrupavam para nos atacar, havia outra porta semelhante à nossa. Era lá onde os outros estavam, deduzi.

Avancei contra os eidolons, ainda com tudo ao meu redor acontecendo duas vezes mais lentamente enquanto eu mantinha minha velocidade normal.

Eis o meu poder: acelerar meu próprio corpo através do tempo. Não, eu não podia viajar no tempo, mas podia alterar a percepção de sua passagem, tornando os acontecimentos à minha volta mais lentos ou mais rápidos sem alterar meu próprio corpo. Para as demais pessoas, era como se eu aumentasse minha própria velocidade, ou ficasse super lenta.

Com isso, meus inimigos não tiveram a chance de se defender apropriadamente. Eu abordei o primeiro com um chute na cabeça e atravessando seu corpo em um arco diagonal com Prostátida à medida que ele caía. Rapidamente enfiei a lâmina entre suas costelas e recitei o feitiço, sentindo a pressão da magia, e ao mesmo tempo lançando a Ian um olhar para verificar seu estado. Ele lutava com outro monstro, girando sua lâmina e usando o pé para tirar o equilíbrio do adversário, mas os demais inimigos já corriam para dar reforços aos que nos enfrentavam.

Arranquei Prostátida do corpo caído e imediatamente defendi-me de duas adagas empunhadas por outro corpo possuído. O eidolon manteve a resistência à minha força em uma das mãos e se preparou para usar a outra em um ataque por baixo, mas cada um dos seus movimentos era óbvio de mais para mim. Chutei-o entre as pernas e depois puxei seu calcanhar com o pé, buscando tirar-lhe o equilíbrio, mas ele foi capaz de se afastar antes de cair.

Ele avançou ao mesmo tempo que outros dois me alcançavam.

Trincando os dentes, chutei primeiro o abdômen desprotegido do mais próximo, atrás de mim, e então, já aproveitando o impulso, apoiei as mãos no chão em uma cambalhota para ganhar mais um pouco de distância do segundo. Ergui meu corpo, um tanto próximo do que lutava comigo anteriormente, e desviei para a direita, evitando seus golpes. O segundo corria até mim, os passos lentos ao meu ver, mas ainda perigosos, enquanto o primeiro se recuperava e se levantava.

— Abaixa! – o grito de Ian soou longo e grave, mas me colocou em alerta imediatamente, fazendo-me seguir a instrução.

Uma lâmina curta de atirar passou zunindo por minha cabeça, provavelmente carregando alguns fios do meu cabelo que caía no rosto, e fincou-se no coração do segundo eidolon, derrotando-o de vez. Sem tempo para comemorar, levantei e corri até o primeiro, que ainda se erguia, e pisei em seu rosto, usando-o como impulso para um salto que me levou a descer um arco vertical com minha lâmina no pescoço de um quarto inimigo que viera correndo.

Ele veio ao chão, mas não tive tempo para posicionar minha espada no lugar certo para o feitiço, pois o primeiro segurava minha perna, tentando me derrubar. Perdi o equilíbrio e caí no chão com força, machucando a mão esquerda que, por reflexo, apoiou a queda. Girei com mais um golpe no rosto do corpo possuído, mas eu sabia que machucar o hospedeiro não iria afetar muito o demônio, então me apressei para levantar e atravessar seu corpo com Prostátida, já recitando o feitiço.

Estava pronta para remover minha lâmina quando mais um agarrou meus cabelos e posicionou uma faca em meu pescoço. Concentrando-me para aumentar minha velocidade de forma que ele não pudesse reagir a tempo, puxei Prostátida e, girando-a na mão, acertei o abdômen do hospedeiro ao mesmo tempo que iniciava as palavras mágicas.

Senti mais energia ser sugada se meu corpo, aos poucos ficando mais exausta com o esforço dos feitiços e de manter ativo o poder. Meus olhos estavam começando a queimar, como se lhes custasse muito processar a informação que lhes alcançava. Trinquei os dentes.

“Eles dependem de mim” o pensamento alimentou minha fúria. Aqueles malditos prenderam minha equipe, machucaram meu parceiro e capturaram minha líder. Eu tinha que derrotá-los.

Desvencilhei-me do corpo agora desacordado do hospedeiro e observei os arredores novamente. Ian estava enfrentando dois inimigos ao mesmo tempo, três haviam se posicionado à porta da outra cela e mais dois vinham em minha direção.

Fácil aquilo não seria.

Ergui meu corpo e avancei, rapidamente alcançando os dois que se preparavam para me atacar. Tomei a dianteira e ataquei com estocadas diretas difíceis de desviar, que me lembravam os socos rápidos de Sean, e os dois tentaram imediatamente colocar maior distância entre mim e seus corpos, mas atingi um deles no quadril, o que o tornou impossibilitado de levantar. O outro veio em auxílio, impedindo-me de terminar o serviço, e atingiu meu lado com um bastão de ferro que carregava.

Senti a dor se espalhar, mas não lhe dei atenção, imediatamente erguendo a perna em um chute que o mandou quicando pelo chão. Desci a espada no abdômen do que estava mais próximo, e apressadamente recitei o feitiço, mesmo sabendo que isso iria me atrasar. Era o único jeito de derrota-lo definitivamente.

O outro levantou, e, com um olhar feroz, começou a correr em minha direção. Avancei também. Ele desceu o bastão em um movimento vertical, mas eu podia facilmente prever seus movimentos lentos, então desviei para o lado, girando para posicioná-lo às minhas costas, e atravessando-o com Prostátida. Foi certeiro. Ativei o feitiço mais uma vez, minha respiração se tornando mais pesada a cada instante e meus olhos ardendo cada vez mais.

Ao fim, conferi Ian novamente. Ele havia derrubado um, e agora dava conta de outro oponente. Admirei secretamente a força dele. Mesmo esgotado e machucado como estava, ele ainda era capaz de lutar com tanta eficiência.

Desviei minha atenção para os guardas da cela. Os três já se preparavam para me enfrentar, e eu busquei forças mais uma vez, pensando que estava cada vez mais perto de salvar toda a equipe.

Obriguei minhas pernas a se moverem novamente, e corri ao encontro deles, apertando com força o punho de minha espada, cerrando os olhos que agora doíam quase insuportavelmente. “Preciso acabar com isso logo” pensei.

Um deles avançou. Saltei, e girei no ar com um movimento da ginástica que me permitia uma velocidade incrível, cortando o corpo quase que imediatamente. Sem tempo para fazer o feitiço, precisei defender de uma espada que o segundo demônio carregava. Fiz uma careta ao sustentar a pressão do eidolon, mas corri a lâmina de Prostátida pela dele, do mesmo modo que Ian fizera comigo, e atingi o guarda-mão, minando sua força. Ele recuou, mas o outro avançou com uma estocada direta, usando uma lança.

“Droga” pensei, enquanto desviava para a direita, sem saber muito bem como lidar com uma arma de longo alcance. Em um reflexo louco, segurei o cabo da lança com a mão esquerda e ergui a perna, descendo-a com força. O cabo se partiu, e o demônio se desequilibrou, avançando alguns passos para frente. Eu o recebi com minha espada em seu abdômen e recitei o feitiço.

Ao terminar, joguei o corpo de lado e fitei o último eidolon, que mantinha uma expressão aterrorizada – supunha eu, mas impossível ler as expressões de um corpo possuído. Ao invés de me enfrentar, ele virou as costas e correu para longe, na direção do portão, e, abrindo uma fresta, saiu, fechando-a atrás de si.

Pensei em o seguir, mas percebi que devia primeiro abrir a cela dos demais.

Havia um painel digital do tamanho de uma mão ao lado da porta, requerendo uma senha. Sem ter ideia de qual seria o código, recorri à moda antiga: atravessei-o com minha espada. Em um som grave e pesado, a porta se abriu, revelando meus companheiros apertados lá dentro.

— Cuidado! – mais uma vez o aviso de Ian me alertou segundos antes de um objeto passar zunindo diante de meus olhos.

Olhei na direção do portão, de onde a flecha havia vindo. Dezenas de eidolons começavam a entrar, vindo em nossa direção. Ian correu para o meu lado.

Intensifiquei o aperto no cabo de Prostátida, abafando o desespero em meu peito. Eu não tinha chances contra aquela multidão, mas também não tinha escolha. Gritando para espantar a dor e a exaustão, corri de encontro aos inimigos.

Antes mesmo que eu alcançasse o primeiro, porém, o ambiente começou a escurecer, como se cada sombra se intensificasse, como se elas corressem e crescessem, como se estivessem se materializando ao nosso redor, criando uma capa de escuridão que contrastava imensamente com a luz cada vez menor das lâmpadas e do lado de fora do portão. Todos os eidolons se viraram para trás.

— Vocês machucaram a minha equipe... – uma voz carregada de furor preencheu o ambiente, fazendo-me estacar ao reconhecer a quem pertencia mesmo com a percepção do tempo lenta – Vocês prenderam e feriram aqueles que me juraram lealdade. Vocês não têm ideia da burrice que cometeram.

As sombras se concentraram no chão, e figuras começaram a emergir, ganhando forma e tamanho, até estarem prontas. Eram leões.

— Izumi. – Ian sussurrou, com a voz esperançosa.

Senti meu coração ser preenchido de alívio. Nossa líder havia chegado.

Até então, nunca havia me dado conta, mas, de certa forma, a presença de Izumi passava uma sensação de segurança. E de inspiração.

Senti um novo ânimo para lutar.

Com os leões avançando e derrubando os inimigos, posicionei-me para acompanhar minha líder na batalha... E não consegui me mover.

A dor em meus olhos se intensificou e, de repente, tudo começou a se esvair. Era como se minha vista fosse um papel tendo as bordas queimadas, aos poucos sendo consumida e substituída por uma visão morta e inerte. Meu coração acelerou, o desespero tomando conta de mim, minha respiração ofegando ainda mais.

— Ian! – gritei, em seguida berrando de dor e caindo de joelhos, com as mãos sobre os olhos.

Senti como se os perfurassem com ferro quente, a agonia me fazendo debater no chão. Meu poder desativou e o tempo voltou ao normal.

— Maya! – a voz de Ian me alcançou, mas eu não conseguia concentrar em nada.

Gritei em aflição, apertando meus olhos com força. Senti Ian segurar meus braços e afastar minhas mãos de meus olhos, e tentei fitá-lo, mas tudo estava se desfazendo. Lágrimas rolaram por minhas faces à medida que eu sentia a dor crescer.

— O que está acontecendo?! Seus olhos estão sangrando! – ele exclamou.

Não consegui responder, apenas clamar debilmente por seu nome. Então, com seu aperto em meus braços, e incapaz de aguentar mais a agonia, caí na inconsciência.

Notas finais
Eu de novo! Ain... O que acharam? Chegada épica da Izumi, não? E sobre o poder da May? Confesso que estou sem dúvida se consegui passar direito o que acontece quando ela o ativa... Por favor, contem-me tudo nos comentários! Expectativas, críticas, pedidos... Aceito até broncas! hahaha Tenho perdido leitores ultimamente, mas, aos que me acompanham até aqui, muito obrigada! Amo muito vocês, que me ajudam a realizar o sonho de escrever ^^ Bom, eu estarei viajando dia 27, então não sei se terei tempo para postar essa semana, mas vou me esforçar, prometo. Obrigada pela leitura e até mais! ♥ ♥ ♥