À Espada Pelo Sangue

45 Capítulo 36 - Planos Para Uma Festa De Gala


Notas iniciais
Hey guys! Eis mais um capítulo pra vcs ^^ Agradecimentos a Minoran, Leta Le Fay e Ary pelos comentários :3 Espero que gostem ^^ Até o final...

O olhar meio incrédulo que eles me lançaram confirmaram o que eu vinha pensando. Não era possível que tudo nessa missão tivesse algo a ver comigo ou com minha família. Eu já começava a pensar que era uma tremenda brincadeira de mau gosto.

— Não me olhem assim. – reclamei – Eu também não faço a mínima ideia do motivo pelo qual tudo o que fazemos até agora tem relação comigo, okay? E isso sinceramente é um tremendo pé no saco.

Izumi suspirou.

— Não, May-san, não se preocupe. – falou – Nós é que não deveríamos ter esperado nada menos de seu pai. Eu sempre soube que ele era incrível, mas agora tenho real noção de sua capacidade. Ele deixou todo o seu caminho preparado, e é por isso que tanto do que fazemos está ligado a você.

Sustentei seu olhar gentil, pensando que ela certamente sabia como ver as coisas de um ângulo positivo.

— Agora, conte-nos tudo.

Passei a mão pelo cabelo novamente.

— Bom, como eu disse, a mansão pertence ao meu tio, Henry. – comecei – Vocês devem saber disso até melhor que eu, já que sabiam sobre a vida que ele me mantinha escondida, mas meu pai cresceu na Califórnia, e minha avó era dona de uma escola de música renomada. Ela adotou meu tio quando ele perdeu os pais em um acidente, aos dez anos de idade. Ele era um gênio da música, então ela o trouxe para a escola. Nessa época, meu pai tinha sete anos. De qualquer jeito, meu pai deveria herdar a escola, mas ele não quis, então tio Henry é o dono agora. Nós moramos na Califórnia até pouco depois do nascimento de minha irmã, e depois fomos para Nova Iorque.

Fiz uma pausa, sorrindo com a lembrança.

— Então, JJ-sama tem um irmão... – Izumi comentou – Bom, eu já havia ouvido falar sobre isso, mas ninguém nunca deu muita atenção ao fato. Ian-kun, sabia sobre isso?

Ian me lançou um olhar rápido antes de responder algo em japonês, o que provocou em Izumi uma fala meio impaciente. Ele a olhou por alguns segundos e então disse mais alguma coisa em tom de “fim de papo”. Fiquei passando o olhar de um a outro, com a curiosidade me corroendo por dentro. Mas, só de ver a cara do neto do deus dos mares, eu sabia que era inútil perguntar. Ele parecia bem insatisfeito.

— Onii-sama... – Charlotte o cutucou – Não mude pra japonês só para que May-chan não entenda. Ela vai pensar que tem algo a esconder.

Ele a encarou como um pai olha pra uma criança que disse o que não deveria. Segurei o riso.

— Não tem problema, Charlotte. – intervim – Eu não ligo para o que o seu irmão fala.

— E eu não ligo para o que uma novata pensa. – ele retrucou.

Cruzei os braços.

— Afinal, quem não tem coragem de dizer o que pensa na frente dos outros precisa mesmo recorrer a esse tipo de artimanha. – alfinetei.

Ian me fuzilou com o olhar.

— Urusai, novata. – respondeu – Alguém que nem consegue formar um laço com uma lâmina não tem direito de falar de coragem.

Fingi surpresa.

— Ah! E quem foi que precisou da ajuda de uma novata pra enfrentar um único demônio?

Ele ergueu uma sobrancelha.

— Acho que foi a mesma pessoa que livrou o seu pescoço contra um mero Ciclope.

— Pelos deuses, vocês dois! – Izumi reclamou, mas eu consegui detectar sua vontade de rir – Estamos tratando de um assunto sério aqui.

— Eh... – ouvi Kess lamentar – Líder, você interrompeu justo quando começou a ficar interessante. Esses dois deveriam arrumar logo um quar...

Matthew tampou a boca dele.

— Arrumar logo esse comportamento, isso sim. – falou – Uma dupla precisa ser unida, e vocês dois só vivem brigando por qualquer besteira.

Cruzei os braços e Ian revirou os olhos.

— Não pedimos para ser uma dupla. – falamos ao mesmo tempo.

Nós nos encaramos.

— Tanto faz. – Izumi interrompeu – May-san, continue a falar sobre o evento.

Assenti, deixando a discussão de lado, e continuei:

— Todo ano, há um evento chamado “Show Anual dos Prodígios da Música Clássica”, que meu tio promove em sua mansão. É uma festa onde várias escolas selecionam seus melhores alunos para se apresentarem diante de musicistas renomados e figuras importantes. O dinheiro arrecadado vai para institutos dedicados ao trabalho nas periferias. Meu pai me levava todos os anos. – dei de ombros – No fim das contas, eu conheço bem a casa... Não é bem uma mansão. Ela é na verdade o campus da antiga escola reformado. Quando a escola se mudou para um prédio mais novo, meu tio reformou o antigo e foi morar lá. Se é para entrarmos lá, eu posso dar um jeito nisso tranquilamente.

Eu parei por um segundo, de repente pensando em algo.

— Mas nós só temos duas entradas. Mesmo que eu seja da família, o número de convidados é bem restrito, e tio Henry só convida quem ele conhece pessoalmente.

Izumi levou a mão ao queixo.

— Dois é suficiente. – respondeu – Assim não chamamos atenção. Himeko Nee-sama quer que Ian entregue a adaga, e May-san conhece o local, então está decidido. Vocês dois vão entrar na festa juntos.

Nós engasgamos.

— O que?!

— A questão é conseguir pegar a arma. – ela continuou, sem nos dar espaço para protestar – May-san, seu tio foi adotado, certo? Então, ambos os seus pais eram mortais?

Deixei meu ímpeto de reclamar de lado diante da pergunta.

— Ah, bem... Não é como se eu pudesse garantir alguma coisa, mas foi o que meu pai, meu tio e toda a família me contou. Ele tem até fotos dos pais biológicos dele. Eu não acho que ele seja um semideus, mas não posso ter certeza.

— De qualquer jeito, ele não é um Greno. – Matthew falou – Como irmão de JJ, se ele fosse parte da Família, com certeza nós o conheceríamos. A pergunta é: por que a Adaga está com ele?

“Uma ótima pergunta” pensei, temerosa.

Tio Henry era uma das minhas pessoas favoritas no mundo, apesar de nós termos diminuído a quase zero o contato depois que me mudei para Nova Iorque. Ele se parecia muito com meu pai, sempre altruísta, muito bem-humorado, e uma pessoa muito viva. A esposa dele havia falecido quando eu tinha cinco anos, e meus primos e eu acabamos por ficar ainda mais próximos. Nós éramos quase como irmãos, mas quando se mora do outro lado do país, fica difícil.

Apesar de Shayla e Kyle serem meus melhores amigos, não foram os primeiros. Quando eu morava em São Francisco, vivia mudando de escola, mas sempre frequentei a escola de música da minha avó. Ano após ano, eu e meus primos estávamos nas mesmas classes de música. Claro, eles tinham um talento absurdo, e eu uma dificuldade ridícula. Minha dislexia atrapalhava muito, e eu só conseguia aprender de verdade com a ajuda deles ou de meu pai. Mas aquele lugar era um porto seguro para uma criança que não sabia seu lugar no mundo.

Depois que fomos para NY, não voltei a estudar música, reservando-a apenas para o lazer. Senti saudades deles por muito tempo, e não conseguia fazer amigos. Até que Shayla apareceu, arrancando-me de uma solidão com a qual eu já havia me conformado.

“Por que ele está com a Adaga?” a pergunta ecoou em meus ouvidos. O que minha família tinha a ver com o Mago?

— Tio Henry... – comecei – Ele pula de hobbie em hobbie desde que me entendo por gente. Por algum tempo ele colecionou objetos históricos.... Mas eu sei que é coincidência de mais. – ergui o olhar – Acham que meu pai pode ter levado a Adaga para lá para escondê-la?

— Isso não faria sentido. – Matt retrucou – Se ele queria proteger a arma, o melhor lugar para isso seria nas instalações dos Greno.

Uma ideia martelou em minha mente, que trabalhava para encontrar uma explicação para aquilo.

— Mas aquele prédio era da minha avó, certo? – falei, apressada – E ela era uma Greno. Não acham que pode haver algum lugar onde ela mantinha objetos para a Família?

Izumi e Matt trocaram um olhar.

— Não é impossível. – o garoto respondeu – Mas se realmente for assim, nós não deveríamos saber disso? Digo, normalmente essas coisas são, no mínimo, informadas ao Conselho. Izumi deveria saber.

— A não ser que seja secreto mesmo para eles. Ainda assim, é uma possibilidade mínima. – Izumi completou e então me lançou um olhar doce – May-san, eu entendo você. Não quer envolver sua família, não é? Quer que eles sejam mantidos longe da Guerra e dos problemas dos Greno, certo?

Suspirei.

— Se possível, Izumi. – respondi – Eu quero acreditar que eles aproveitam uma vida normal, e que não sofrem do mesmo jeito que vocês. Do mesmo jeito que nós.

Passei o olhar pelos rostos dos outros, esperando que pudessem me compreender. Ian estava encarando o chão como se quisesse enfiar a espada nele, e eu me perguntei se ele não seria aquele que mais me entendia ali. Esse pensamento me inquietou.

Izumi deu um sorriso afetuoso.

— Então deixe-me propor o seguinte: nós não vamos excluir a possibilidade de seu tio ter algo a ver com essa situação, mas vamos deixar que você cuide disso. Vamos confiar no seu julgamento, desde que prometa que será objetiva.

Pensei por um segundo, hesitante. Ser objetiva... Eu seria capaz disso? Conseguiria colocar a razão acima dos meus sentimentos? Se tio Henry estava possuído ou tinha algo relacionado com os demônios, eu seria obrigada a lutar com ele. De fato, se ele era um mortal comum, não o feriria, mas... Eu não queria suspeitar dele. Não conseguia. Mesmo agora, meu cérebro trabalhava incessantemente para encontrar um motivo plausível para que meu tio tivesse a Adaga sem estar envolvido com a Guerra.

“Talvez ele nem saiba que está lá” pensei “Talvez meu pai deixou lá, ou talvez estava lá há gerações”. Qualquer hipótese valia, mas eu rejeitava prontamente qualquer uma que o colocasse como culpado de algo. Com o coração apertado, fui obrigada a admitir que falharia se a missão de julgá-lo me fosse confiada.

— Não. – resmunguei, o olhar baixo – Eu gostaria, Izumi, de ser capaz, mas não vou me iludir. Não conseguiria ser objetiva nisso. Não contra a minha própria família.

“... Sim, está certo” pensei “Eu disse a Shay que não me sobrara nada no mundo mortal, mas a verdade é que ainda tenho a eles. Muito distantes, mas ainda são minha família”. Lembrei do sonho que tivera na última noite. “Então foi por isso...”

— Não confiem em meu julgamento. – continuei – Eu certamente seria tendenciosa. Na verdade, acredito que Matt seja a pessoa ideal para isso.

Ergui o olhar para ele.

— Com sua habilidade, creio que ele nos traria muito mais certeza sobre a situação. E, caso meu tio esteja envolvido...

— Vamos torcer para que não esteja. – ele interrompeu – Mas se estiver, vamos fazer o possível para detê-lo sem o matar.

Deixei um sorrisinho de agradecimento brotar em meus lábios.

— Sendo assim, ainda vou precisar colocar mais dois nomes na lista, certo? – Hiro ajuntou.

— Dois?

— Bem, sim. – Izumi falou – Matt-kun vai precisar de cobertura. Tori-chan vai com ele, então.

Matt ergueu o olhar, e por um momento pensei ter visto um brilho meio desesperado, mas ele logo se controlou.

— Faz sentido. – falou – Seria perigoso deixar que May e Ian entrassem lá sozinhos, também. Se houver algum confronto, é melhor nos prevenirmos.

A fala dele trouxe de volta a lembrança de que Ian e eu estaríamos juntos. Nós trocamos um olhar.

— Então não precisamos ir juntos! – exclamamos.

Continuei:

— Charlotte pode ficar com Ian, e... – mas eu já sabia a resposta.

Izumi negava.

Suspirei, derrotada. Não era possível, de qualquer jeito. Se Matt estava entrando por que eu não tinha condições de julgar meu próprio tio, eu não podia estar por perto quando ele o fizesse. Além disso, Ian precisava ser aquele a pegar a Adaga, e eu era a melhor pessoa para guiar-lhe pela casa.

— O que nos traz a mais um tópico. – Hiro continuou – Nossa intenção é ficar de olho em Nee-sama, e descobrir o que ela quer com a Adaga. Para isso... – ele ergueu a mão, mostrando um minúsculo aparelhinho entre os dedos – Eu tenho o equipamento certo. Nee-san, se Ian e May-chan colocarem isso na Adaga, seremos capazes de ter a localização dela de qualquer lugar. Além disso, se estivermos em uma distância de duzentos metros, ele vai funcionar como uma escuta, enviando o áudio para o meu terminal.

Izumi assentiu.

— Muito bem pensado, Hiro. – elogiou e então se dirigiu a Ian – Aprenda com ele como implantar o aparelho. Desse jeito teremos como vigiar Nee-sama.

— Hai.

— Hiro, Izumi e Kess... – Matthew falou – Acho que vocês devem aguardar por nós nas redondezas. Não perto o suficiente para tornar a atração de monstros mais forte, mas não tão longe que demorem a vir em nosso auxílio. – ele fez uma pausa – Na verdade, talvez fosse uma vantagem se Hiro pudesse nos ajudar via rádio, ou algo do tipo. Acha que é possível?

O garoto girou um pauzinho entre os dedos.

— Para isso eu teria que ficar próximo de vocês. O alcance dos outros equipamentos que tenho não é o suficiente para eu contatar vocês de muito longe.

— Há um jardim ao redor da casa. – falei – Talvez você pudesse aguardar nos arredores.

— Isso não acabaria com a intensão de não chamar monstros? – Charlotte questionou.

Dei de ombros.

— Ajuda se ele ficar mudando de posição?

Hiro fez um gesto de desdém.

— Posso lidar com um monstro ou dois, sem problemas. – falou, o que levou Izumi a soltar um suspiro.

— De qualquer jeito – a líder disse – Kess e eu vamos manter certa distância. – ela lançou um olhar para os gêmeos – Vocês acham que vão ficar bem separados?

Kess sorriu.

— Algumas horinhas não vão fazer mal. – ele apoiou as costas num tronco atrás de si – Além disso, somos mais fortes juntos, mas sozinhos não somos de se jogar fora, líder.

— Mas não podem ativar a Habilidade, não é? – Hiro comentou – Não seria perigoso se houver algum combate?

— Como Kess disse – Matthew respondeu – podemos nos virar sozinhos.

— Não tem problema. – Charlotte interviu – Eu estarei com Matt-kun, e Izumi-chan estará com Kess-kun. Se houver uma emergência, dou cobertura até que eles cheguem pelas sombras, certo?

Os gêmeos se encararam, como que dizendo um para o outro: “eles não estão entendendo”.

— Nós também não vamos ficar até o fim da festa, não é? – perguntei, desviando a atenção dos dois – Quer dizer, quanto mais tempo permanecermos no mesmo local, mais perigoso.

— Hum... – Matthew levou a mão ao queixo – Himeko disse que nós tínhamos até o fim do evento para entregar a arma, mas não falou que precisamos esperar até lá. Acha que podemos entregar antes, Izumi?

A garota passou os dedos entre os longos cabelos negros.

— Eu não tenho certeza. – respondeu, em um tom aborrecido – Nee-sama não é assim fácil de entender. Ela é capaz de ficar insatisfeita com detalhes, assim como também pode não se importar.

— Daijoubu, Izumi Nee-san. – Ian disse – Eu não me importo se ela ficar irritada. Posso lidar com isso. Mas a novata tem razão: se ficarmos por muito tempo lá, corremos o risco. Seria prudente sair o mais cedo possível.

Senti vontade de rir por algum motivo. Talvez tenha sido o tom com que ele disse que eu tinha razão. Parecia de certa forma insatisfeito com isso.

Mais alguns minutos de discussão se passaram, antes que o assunto se desse por encerrado. Izumi determinou que entregaríamos a Adaga assim que a tivéssemos em mãos, e que partiríamos para São Francisco no dia seguinte, então dormiríamos no parque mesmo. Quando todos se dispersaram, eu também fiz menção de me levantar, mas Matthew segurou a manga do meu casaco.

Eu me virei para ele. Seu rosto estava vermelho.

— Matthew...?

— May... O que eu faço? – ele disse – Vou ter que ficar com Tori naquela festa, dar os braços e tudo mais.

— Dar os braços? – repeti – Isso é sério?

Ele me encarou, com uma expressão de “duh, né?”

— Você sabe que estamos disfarçados, não sabe? – respondeu – Temos que parecer um casal de verdade, seguir a etiqueta.

Neguei com a cabeça.

— Vocês vão. – retruquei – Eu não preciso. É a casa do meu tio.

Ele me lançou um olhar aflito.

— Não está ajudando.

Dei um suspiro e sentei-me à sua frente.

— Acalme-se. – falei – Tudo o que precisa é não entrar em pânico. Lembre-se: encostar em uma garota não é nada de mais. Imagine-a como sua irmã.

Matt desviou o olhar.

— Não consigo. – murmurou.

— Não seja bobo. Estava funcionando comigo, não estava? Por que não conseguiria fazer o mesmo com Charlotte?

Ele ficou mais vermelho e resmungou algo que eu não entendi.

— O que?

— Porque é ela! – repetiu – Não consigo fazer isso com Tori.

— Hein? Mas por que...? – eu me detive e então o encarei, arregalando os olhos.

Não sei como, mas ele conseguiu ficar ainda mais corado. Tentei segurar o sorriso, mas meus lábios se moveram mesmo assim.

— Você gosta dela! – exclamei.

Ele negou com força.

— Gosta sim! – ri – Ah, que fofo!

— May, por favor...! – ele disse em tom de súplica.

Dei mais uma risadinha.

— Deuses, quem imaginaria o estrategista do grupo com uma expressão tão desesperada?

Ele suspirou.

— Tudo bem, acalme-se. – falei, tocando seu braço.

Eu o vi respirar fundo, divertindo-me com o fato de ele estar tão preocupado que nem notara que eu o tocava.

— Agora vamos pensar bem numa solução. Acha mesmo que não vai conseguir se controlar com ela?

Ele apontou para si mesmo.

— Não está vendo o meu estado? Não consigo nem imaginar a situação que entro em desespero.

Cruzei os braços.

— Então por que concordou com Izumi? Você certamente encontraria argumentos para fazê-la desistir do plano. Assim não estaria nessa situação.

Ele balançou a cabeça.

— Eu não posso prejudicar a equipe ou a missão por causa dos meus problemas. Como estrategista e descendente de Atena, tenho a responsabilidade de ser objetivo.

Acabei concordando.

— Imagino que Kess não tenha a mesma habilidade de detectar mentiras, certo? – suspirei.

Ele negou, acrescentando baixo em seguida:

— E nem que tivesse. Eu não passaria a missão para ele.

— Por que não?

— Ele se aproveitaria da situação.

Eu o encarei.

— Espera aí. Quer dizer que Kess também...?

Ele cruzou os braços.

— Não sei se é sério ou se é só pra me provocar, mas ele está sempre esfregando na minha cara que consegue ficar ao lado dela tranquilamente. Está sempre um passo à minha frente.

Ergui as sobrancelhas, surpresa.

— Nossa... Pobre Charlotte. Três garotos ao mesmo tempo... E ainda com um irmão como Ian.

— Três? De quem está falando?

Eu o fitei.

— De Hiro, obviamente.

— Ah. – ele fez um gesto – Hiro não gosta dela desse jeito.

— Quê? Mas tá na cara pela forma como estão sempre juntos, e ele sempre faz o que ela quer...

Ele sorriu.

— Isso é porque eles são muito amigos, passaram muito tempo juntos desde crianças. Não sei quanto a Tori, mas para Hiro não vai além disso. Eu conheço a pessoa de quem ele gosta.

Eu lhe lancei um olhar duvidoso.

— Eu acho que você só está se consolando. – sorri – Se aqueles dois gostam um do outro, você não tem a menor chance.

Ele revirou os olhos.

— Eu não estou me consolando – retrucou – Mas isso não importa! May, estamos sérios aqui. O que eu faço nessa festa? Não posso ficar surtando durante a missão.

Eu me levantei, esboçando um sorriso.

— Não se preocupa. – falei – Você vai estar de terno, seu bobo. Não vai realmente tocar nela.

Ele me fitou por alguns segundos, como se tentando decifrar o que eu havia dito. Aos poucos, seu rosto foi ficando vermelho, até que ele o escondesse com as mãos.

— Não acredito que não pensei nisso!

Notas finais
Eu de novo! O que acharam? O que acham que vai acontecer nessa festa? Viram algum erro? Opiniões, críticas, expectativas? Deixa um comment aí me contando tudo. Amo todo tipo de comentário do fundo do meu coração ^^ Gente, logo um capítulo extra das cartas de Jack para May será liberado explicando as relações dos Greno com o mundo mortal. Vocês têm alguma pergunta que gostariam que fosse respondida? Bom, obrigada pela leitura e até mais ♥