Amor De Primavera

Um anjo do céu, que trouxe pra mim é a mais bonita


Estamos tão perto e tão longe também, que os anjos nos dizem amém...

Alice acordou, querendo jogar o celular pela janela, mas não o fez. Se vestiu com o uniforme. Ou seja, uma calça jeans e uma rasteirinha e a regata da escola. Pegou a mochila e saiu atrás do ônibus. Chegou atrasada, mas não se importava muito com isso. O primeiro período era de Sociologia, então ela não perderia muita coisa. Quando a deixaram passar, para o segundo período ela foi, passou pelo segundo ano e sentiu o coração apertar. Viu Mateus sorrindo ali dentro, escutou a voz dele, e viu ele a encarar, ela ignorou. Chegou e se sentou na sua classe. Todos a encararam, não pelo que ela havia feito ontem, mas sim pelo fato de ela ser solteira agora. Então o novo professor entrou. Ela não se virou até Sophia dizer:

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- Que professor é esse. - Com uma voz safada. Ela tinha que conferir e então se virou e quase teve um aneurisma. Ali na sua frente, os mesmos olhos azuis e cabelo moreno desalinhado. Vestia uma camiseta e uma bermuda com um chinelo.

- Ai meu Deus. - Alice disse.

- O que foi? - Mas ela não pode responder, o professor havia mandado a todos se sentarem no lugar e Sophia decidiu obedecer.

- Bem, serei o professor substituto de História. - Mateus disse. - Me chamo Mateus, então onde foi que vocês pararam com a professora Gladis? - Quando ele disse o nome, Sophia se virou para Alice, se perguntando se era esse o Mateus de ontem a tarde. Alice confirmou com a cabeça e a boca de Sophia caiu.

- Alice deve saber. - Disse Elisa. Alice queria abrir o chão e fugir. Ela ainda estava virada para janela, rezando para que ele não percebesse que ela era ela.

- Qual de vocês é Alice? - Droga, ela pensou. Eu vou matar Elisa quando puder.

- Eu. - Alice disse se virando para o professor. Ele arregalou os olhos tanto quanto ela, e sorriu.

- Bem, pode me dizer em que parte pararam? - Aquele sorriso derretia o coração de Alice.

- Fim da ditadura militar. - Ela disse, meio baixinho, mas ele escutou. Aquele foi um período em que ela fazia de tudo para não olhar para o professor, se limitava a escutar a voz e copiar quando era necessário. Todas as alunas estavam babando, e pensar que ele foi meu ontem, Alice riu com o pensamento. Quando terminou ele teriam que ir para o laboratório de Química, todos já haviam saído, menos Alice e Sophia. Quando as duas estavam saindo ele a chamou.

- Alice, posso falar com você?

- Claro, - ela disse e então se virou para Sophia. - Vai indo que já chego lá. - Ele fechou a porta e puxou Alice para seus braços. Havia sentido falta do perfume da loira, da pele dela, do sorriso e dos olhos, mas principalmente dos lábios dela. Eles se beijaram rápido, com medo de que alguém os visse, mas isso só parecia dar mais vontade aos dois. Então eles se separaram e ele sorriu:

- Parece que nos vemos novamente.

- É. - Alice disse, um pouco encabulada. Então ela pegou um papel e uma caneta, escreveu o endereço do orfanato e lhe entregou.

- Oito horas, hoje a noite, vou te esperar. - E saiu. Ela não sabia o que havia dado nela, mas ela o fez. Tinha um encontro com o professor de História.