Alice PDV

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Passei as férias inteiras na casa de uma tia; num fim de mundo qualquer, o qual nem me lembro direito o nome.

Não posso falar muita coisa, já que Forks não é nenhum conto de fadas. Mas, definitivamente, é aqui o meu lugar! Não sei o que se passou na cabeça de meus pais quando eles resolveram me mandar pra lá.

Bom, na verdade eu sei.

Mesmo eles negando, eu sei que eles nunca gostaram muito da idéia de me ver envolvida em um namoro com James. Ou seja lá o que for que aquilo seja... Então eles me mandaram pra lá, na esperança de que eu me apaixonasse por algum primo roceiro idiota, e abandonasse de vez o James.

Quando estava na sexta série, eu era perdidamente apaixonada por ele, mas depois que ele finalmente descobriu minha existência, já era tarde demais. É claro que eu não era idiota, então aceitei ficar com ele - ele era lindo demais para ser rejeitado a troco de nada -, mas nunca passou disso. Mesmo ele me afirmando que estava realmente gostando de mim, eu nunca consegui vê-lo como meu namorado; aquele, que no futuro, quando já tivéssemos terminado os estudos, iria pedir minha mão em casamento para os meus pais.

Nunca! Ele nunca seria capaz disso!

Eu sei que é um pouco precipitado de minha parte, pensar em casamento quando se tem apenas 16 anos, e ainda vai para o primeiro dia, do primeiro ano do colegial. Mas quem nunca sonhou na vida, hein?

Despertei de minhas alucinações, quando vi meus pais me esperando na entrada do aeroporto. Era tão bom estar de volta!

Assim que avistei meu pai, saí correndo e me joguei em seus braços, como uma criança de cinco anos de idade. Não me preocupei em sentir vergonha caso alguém conhecido estivesse vendo. Estava feliz em poder voltar pra casa e ser de novo a “filhinha do papai”.

- Como foi a viajem, minha fadinha? – papai disse sorridente, enquanto me dava um beijo na testa, e pegava minhas malas.

- Até que não foi tão ruim assim! Sem duvida poderia ter sido bem pior...

- Oh minha filha, senti tanto sua falta! – mamãe me abraçava, já com os olhos cheios de lágrimas.

- Ah mãe! Não chore, por favor! Estou tão feliz em estar aqui, com vocês!

Seguimos em direção a nossa casa tagarelando sobre a viajem, é claro que eles me exigiriam todos os detalhes.

Quanto finalmente consegui ficar em silêncio, meus olhos foram se fechando, pouco a pouco, até que eu adormeci completamente. Mas minha mãe fez o enorme favor de me acordar, para me dizer algo sobre “tomar cuidado com nossos novos vizinhos”, mas nem liguei. Apenas assenti e tentei voltar a dormir.

Quando papai estacionou o carro, percebi que estava tocando uma música muito alta na casa ao lado, então eu me dei conta de que esses deveriam ser os novos vizinhos que minha mãe tanto falou, mas que eu não me dei o trabalho de prestar a mínima atenção.

- Mãe – a chamei, enquanto papai levava minhas coisas para dentro.

- Sim?

- Esta é a casa com os vizinhos, a quem se referiu?

- Isso mesmo. Que absurdo! Não são nem 10 horas da manhã e eles já estão com esse som alto – ela disse balançando a cabeça negativamente.

Assenti e a segui, entrando em casa. Ainda observando a casa dos novos moradores.

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Rosalie PDV

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Passei a noite inteira dentro de um carro, espremida no banco de trás com mais duas primas e três primos. Para meu total azar, o Luca havia ido embora na noite anterior, porque seu pai havia passado mal. O coitadinho ficou louco de preocupação, pegou o primeiro táxi e foi embora.

É claro, que se ele estivesse conosco no carro, nós estaríamos um bilhão de vezes mais apertados.

Não que ele seja gordo... É que teriam sete pessoas espremidas, em um lugar que muito mal cabiam quatro. Mas mesmo assim, minha noite teria sido muito mais agradável.

Saber que só vou poder vê-lo de novo, daqui a um ano, não é nem um pouco reconfortante.

Mas por outro lado, eu o entendo. Nós não podemos assumir um namoro sério. Pelo menos, não agora! Nossos pais nos matariam, e nos proibiriam de nos ver. Nossos familiares são completamente contra namoro entre família. Pelo menos assim, ao menos uma vez ao ano nós podemos nos encontrar.

Passar a noite ali foi um desastre total. Eu já estava vendo a hora que a porta do carro iria abrir, e eu, por estar na ponta, seria a primeira a me estabacar no asfalto.

Graças a deus isso não aconteceu! Mas em compensação, eu fui a última a ser deixada em casa. Meu tio me deu uma desculpa esfarrapada de que era o melhor, já que ficaria muito contra mão, caso ele me deixasse em casa antes dos outros. Fazer o quê, né? Não agüento mais essa vida de cidade pequena, localizada no fim do mundo!

Ok, devo admitir que amo minha cidade! Mas as vezes enche o saco! A única coisa boa disso tudo foi que quando o povão começou a desembarcar, eu pude dormir em paz no carro, e quando cheguei em casa, já estava mais que descansada e pronta para começar meu dia com tudo.

Quando meu tio estacionou na porta de casa, não eram nem 08:30 da manhã ainda, então eu não pude fazer muita coisa... Apenas passei o tempo, jogando conversa fora com meus pais.

Eu já sabia que o vôo da baixinha estava programado para chegar às 9 horas, então ela provavelmente estaria chegando em casa mais ou menos umas 10 horas. Mas mesmo assim, não poderia passar na casa dela. Minha mãe me mataria! “Ela precisa ter o tempo dela, sozinha com a família. Sem falar nas malas que ela terá que desfazer. Deixe a menina ao mesmo respirar!” Sabe como é né?! Coisas de mães...

E a Bella com certeza ainda estaria dormindo. Não conheço NINGUÉM que consiga dormir mais que ela!

Resumindo: Tédio total até o meio dia!

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BELLA PDV

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Não agüentava mais minhas férias! Sempre odiei essa época do ano, agora então... Meus dias nunca foram tão péssimos! Minhas rastejantes horas se passavam através de estudo; um trabalho temporário que arrumei, mas que não fiquei nem uma semana; e horas e mais horas jogadas fora, na frente da tv!

Não achava nada melhor para fazer que não fosse comer e dormir. Graças ao bom deus, eu não tenho tendência a engordar, porque se tivesse...

Quando finalmente chegou o dia em que minhas melhores amigas chegariam de viagem, eu quase nem dormi direito de tão empolgada que estava. Bom, quase...

Acordei com o irritante barulho da campainha. A sorte é que Charlie, meu pai, estava trabalhando. Caso contrário, ele não iria gostar nada, nada de ser acordado em plena manhã, por seja lá quem fosse.

Olhei o relógio, vi que já eram 12:20.

Ok, não era mais manhã... Mas mesmo assim, ninguém merece ser acordado dessa forma!

Tentei ignorar, mas a campainha continuava tocando. Me fazendo descer as escadas enrolada em um edredom velho, descalça e completamente descabelada.

- MAS QUE DROGA! ESPERA! TÔ DESCENDO!

Não adiantou gritar para que esperassem. O irritante barulho continuava. Era como se alguém estivesse com o dedo colado na porcaria do botão.

- ESPEEEEEEEEEEEERAAAA! JÁ VOU! – gritei mais uma vez, girando a chave na porta.

Já estava preste a cortar os fios da campainha, quando eu abro a porta e vejo as doidas das minhas duas melhores amigas, sorrindo pra mim.

Não contive o sorriso e me joguei em cima delas. Era tão bom estar com elas de novo...

- Bella, você está um caco amiga! – disse a baixinha irritante.

- Bom dia pra vocês também! – disse de mau humor – E a propósito, obrigada por me acordar!

- Depois nós daremos um trato nela – piscou Rose, para Alice.

Bufei. – Estou muito bem, obrigada! – disse no mesmo tom de voz de antes.

As duas riram.

Papo vai, papo vem, e já haviam se passado três horas desde que as doidas chegaram em minha casa.

O relógio marcava quase 16 horas, e então eu resolvi fazer alguma coisa para lancharmos.

- Bellinha! – Rose, toda melosa, veio se sentar na bancada da cozinha junto com Alice.

- O que você quer? – perguntei desconfiada. Ela só me chamara assim quando queria alguma coisa.

Quando ela abriu a boca para falar, Alice foi mais rápida e a interrompeu. – Ela quer saber o que você sabe sobre os novos moradores de Forks! – ela revirou os olhos.

- Escutei dizer que eles são uns gatinhos, tá! – Rose se defendeu, cruzando os braços na frente do corpo e fechando a cara.

Eu ri. – Por que eu saberia algo sobre eles?

- Ah, você passou as férias toda aqui, né... Não é possível! Você tem que ter visto eles em algum lugar!

- Não sei porque tanto interesse! – disse Alice – Meus pais disseram que eles estão aqui apenas para bagunçar Forks. Como diz meu pai, eles são uns “marginais”!

- Não exagera, Alice! Você conhece muito bem seus pais! Tudo que é diferente de como era no tempo deles, eles acham que é errado.

- Isso eu tenho que concordar com a Rose...

- Acontece, que eles não são os únicos que estão dizendo isso, ok?! A cidade toda está comentando!

- Alice, primeiro: Forks é tão pequena, que se você soltar um peido na rua, todo mundo vai ficar sabendo. A chegada deles é novidade. Já, já o povo pára de comentar... E segundo: Meu pai nunca falou nada de ruim sobre eles... Na verdade, ele até elogiou! E olha que meu pai é o policial daqui... Se eles realmente tivessem feito algo de errado, meu pai saberia. Não tem como esconder as coisas por muito tempo, aqui. Não se preocupe! – disse.

- Não estou preocupada! – ela respondeu, áspera.

- Ok, Alice! Não vou discutir com você.

- Sabe o que eu acho? – Rose sussurrou, pra mim.

- Não começa Rose...

Ela me ignorou. – Eu acho que Allie já os viu, e essa implicância toda é porque ela está apaixonada pelos três e não quer dividi-los conosco!

Não agüentei. Comecei a rir.

A baixinha simplesmente pegou o primeiro copo – que estava cheio – que viu na frente e jogou em nossa direção.

A tarde toda se passou assim, entre risos, provocações e mais risos.

Fazia tempo que não me sentia tão feliz. Era bom estar com minhas irmãs de novo. Sim, irmãs! Essa era a única palavra que era capaz de descrever nossa amizade.

Tudo estava ótimo, até dar exatamente 18 horas e Rose vir com a infeliz idéia de irmos fazer compras.

Imaginem uma cidade pequena, com apenas um shopping, num dia chuvoso e sem nada para fazer. Estava difícil até para respirar lá dentro! Eu sinceramente não sabia o que aquelas duas achavam de tão especial naquele lugar.

Como já estava tarde, não deu para irmos a Settle. Pelo menos, os shoppings de lá eram maiores!

Estava tudo muito bom, até que Alice simplesmente empaca na frente de uma vitrine, de uma loja de roupas esportivas.

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Obrigada pelas reviews, meus amores! Foram pouquinhas, mas eu adorei! *-*

O prólogo ficou meio... mais ou menos. Mas desse capítulo, eu realmente gostei! Espero que também gostem! Capítulo dois quase pronto. Devo postar?
Mandem reviews e até o próximo!
xoxo