Tales of Star Wars

"You are going down a path I can't follow" (Darth Vader)


Havia uma multidão em frente aos destroços do Templo Jedi. Parado em frente a ampla janela daquela que seria a futura sala do trono, o homem olhava para a grande escadaria, onde clones se acumulavam. Havia um silêncio perturbador no ar, que era quebrado apenas pela sua respiração ruidosa e metálica.

Eu não te conheço mais...

Saindo do interior do Templo, alguns clones levavam um grupo de cinco pessoas acorrentadas, com as cabeças sob a mira dos blasters. Andavam de cabeça baixa, assustados, indefesos. Já haviam desistido de lutar. Há muito haviam aceitado seu destino. Não havia mais porque resistir, não havia mais porque lutar. Tudo havia acabado.

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Você era o Escolhido!

Com movimentos bruscos e violentos, os Jedi aprisionados foram forçados a se ajoelhar diante da população de Coruscant, que assistia perplexa. Imediatamente, clones se colocaram atrás deles, ainda mantendo as cabeças de seus prisioneiros sob a mira de seus blasters.

Você está indo por um caminho pelo qual eu não posso ir!

Do alto da escadaria, uma figura se adiantou, atraindo, momentaneamente, os olhares dos presentes. Maz Amedda era facilmente reconhecível em meio as pessoas. Azul, corpulento e usando aquelas roupas extravagantes. Mas, no fundo, todos sabiam que ele gostava dessa atenção que recebia.

Ani, você está partindo meu coração!

O Grão-Vizir começou a falar. De onde estava, em um dos andares mais altos do antigo Templo, o homem não conseguia ouvir o que ele dizia, mas Maz Amedda gesticulava. E nada nem ninguém precisava lhe dizer o teor daquele discurso. Em seus gestos, havia paixão e havia ódio. Um ódio que ele conseguia sentir, mesmo à distância.

Era pra você destruir os Sith, não se unir a eles! Trazer quilíbrio para a Força, não deixa-la nas Trevas!

Por fim, após alguns rápidos minutos, Maz Amedda se afastou, sendo substituído no alto da escadaria por um homem que vestia um pomposo traje militar, com inúmeras medalhas. A calvice denunciava Grand Moff Tarkin.

Eu não acredito no que estou ouvindo...

Tarkin deu a ordem. Das armas dos clones, lampejos de luz iluminaram a praça em frente às ruínas do Templo Jedi. Apenas um tiro bastaria para que a ordem fosse cumprida. Apenas um. Mas os tiros não cesssaram. Havia um certo sadismo naquilo. Uma execução sendo transformada em um espetáculo. Uam espetáculo visivelmente não apreciado: muitos dos presentes viravam seus rostos, incapazes de assistir àquela barbárie.

Você era meu irmão, Anakin! Eu amava você...

Por fim, acabou. Quase não restara nada que pudesse dizer que aquelas carcaças haviam sido, um dia, pessoas. Estavam destroçadas pelos blasters. Uma poça de sangue se formava ao redor dos cadáveres e escorria em direção às pessoas.

Eu te amo!

Apenas nesse momento, ele percebeu que havia prendido a sua respiração. Novamente, o som metálico e forçado do ar entrando em seus pulmões voltou a ecoar pelo salão. Incapaz de mostrar qualquer reação por meio de suas feições escondidas embaixo daquela máscara, Darth Vader se virou para o ambiente às suas costas. Não muito longe dele, logo à frente, havia uma figura encapuzada, olhando para ele.

— Tudo isso era mesma necessário? – perguntou.

Nesse instante, ele se arrependeu da pergunta, crente de que ela denunciaria seus sentimentos. Sabia qual seria a resposta que receberia e, pessoalmente, concordava com ela. Mas havia algo lhe incomodando com aquilo tudo. Mesmo sendo traidores, aquelas pessoas haviam crescido com ele. Ele conhecia seus sonhos, seus desejos e seus medos.

— Só assim poderemos nos vingar plenamente, Lorde Vader – respondeu Darth Sidious, mas não havia raiva em sua voz. – Deve haver dor. Deve haver sofrimento. Deve haver medo. Por cada Sith que foi morto para que nós pudéssemos chegar onde estamos agora, meu aprendiz. Não pode ser rápido, não pode ser indolor, não pode ser limpo.

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Em silêncio, Darth Vader se aproximou.

— Alguma notícia de seu antigo mestre? – perguntou o Mestre Sith.

— Não há como confirmar a informação por enquanto, mas alguns espiões acreditam que ele foi visto em Naboo logo depois que... que... – foi a resposta, mas ele não conseguia completar a frase. “... depois que eu me tronei essa coisa”? “... depois que ela morreu”? As duas era possibilidade igualmente significantes. – Depois disso, o rastro dele esfriou – não iria completar aquela frase. Simplesmente, se recusava a isso. Sidious era muito grande na Força, Vader não precisava completar aquela frase para que seu novo mestre soubesse o que ele queria dizer. – Mas estou trabalhando pra o localizar, mestre.

— Bom, muito bom – Sidious parecia satisfeito. – E quanto ao mestre Yoda?

— Nenhum sinal dele, por enquanto, mestre.

Havia um leve traço de descontentamento no rosto desfigurado de Sidious.

— Uma pena – ele disse. – Gostaria de vê-lo morto também. Mas ele já não é mais uma prioridade. A vergonha e a desonra vão impedi-lo de fazer qualquer coisa contra nós algum dia. Ele sabe que sua carreira terminou. Agora, é a hora dos Siths dominarem.

Imediatamente, assim que Sidious disse essas palavras, dois guardas imperiais, vestindo túnicas vermelhas, entraram na sala, carregando um prisioneiro, arrastando-o pelos punhos. Por fim, jogaram-no aos pés dos dois Siths.

— O que é isso? – perguntou Vader ao reconhecer as túnicas Jedi do prisioneiro, visivelmente fraco pelos dias de tortura.

— É hora dos Siths dominarem – Sidious tornou a repetir.

Imediatamente, o sabre de luz do mestre escorregou por de baixo da manga de sua túnica preta e, em um movimento lento, ele estendeu a arma para seu aprendiz. Ainda sem seu próprio sabre de luz, Vader a tomou em suas mãos. Sabia o que era esperado dele.

— Eu não quero que você o mate – disse Sidious. – Quero que sinta prazer em matá-lo. A dor dele deve ser a sua satisfação, a sua força, o seu poder. O medo dele deve ser o medo que todos irão sentir quando se oporem ao grande Darth Vader. E é esse medo que te torna poderoso. Não o amor, não a compaixão, como os Jedi tentaram lhe ensinar durante tantos anos. Com o medo, você terá respeito.

Aos seus pés, o Jedi ferido tremia. Havia uma súplica gravada em seus olhos, como se implorasse por clemência. Por detrás da máscara, Vader o observou. Ver o medo em seus olhos lhe fez entender que havia apenas uma forma de fazer com que aquele medo o tornasse ainda mais poderoso: o medo devia deixar de ser apenas daquele Jedi e Vader devia compartilhar daquela sensação.

— Você está livre – disse Vader. – Vá!

Imediatamente, o Jedi parou de tremer, olhando-o incrédulo. Nos olhos de Sidious, havia apenas a curiosidade. A mudança nos sentimentos instabilizou a Força ao seu redor: enquanto a esperança tomava o seu corpo, o medo o deixava e Vader conseguia sentir todo aquele medo. Um medo imenso que o fazia apertar suas mãos robóticas ao redor do sabre de luz de seu mestre e o fazia suar frio.

— Vá! – tornou a gritar Vader.

Ele estendeu a mão e as correntes que prendiam o Jedi se abriram.

Sem pensar duas vezes, o Jedi se levantou e disparou pela sala, afastando-se dos dois Siths e dos guardas imperiais.

Era a hora.

Das mãos de Vader, o sabre de luz foi impulsionado para frente, cortando o ar uma velocidade quase não perceptível ao olhar humano, sendo acionando em seguida de forma a empalar o Jedi fugitivo pelas costas. Mortalmente ferido, ela caiu ao chão quando o sabre foi desligado e, imediatamente, uma risada sarcástica saiu dos lábios do Imperador.

E, novamente, houve medo.

Vader não se aproximou, deixaria que aquele Jedi morresse sozinho. E quando, finalmente, isso aconteceu, todo o medo que havia retomado o coração do prisioneiro voltou a se dissipar pela sala, junto com a vida que esvaia de seu corpo.

— Bom, meu aprendiz, muito bom – Sidious o parabenizou. – Quanto mais você se alimentar desse medo, mais poderoso irá se tornar. Você me surpreendeu.

E, assim, Sidious deixou a sala, sendo seguido dos guardas imperiais e deixando Vader observando o corpo.

Havia, sim, um certo prazer. No medo que causara, na sensação de poder que isso lhe proporcionava. Mas, ao contrário do que seu mestre havia lhe pedido, não havia prazer em matar. Não havia prazer, unicamente, em acabar com aquela vida.

E ele não sabia porquê.

Você é uma boa pessoa. Não faça isso!