Tales of Star Wars

Agente duplo (Ahsoka x Lux Bonteri)


A nave pousou na plataforma e, quase que imediatamente, dois homens armados se adiantaram. Era mais do que visível que eram homens à serviço de Saw Guerrera: não havia nada em suas vestimentas que os uniformizassem, exceto pelas armas contrabandeadas que portavam. Mas não era apenas isso. Os dois tinham membros robóticos implantados nos lugares de braços e pernas perdidos nas arriscadas missões em que seu chefe lhes enviava. Mas, ao menos, Saw não era um chefe covarde, que dava ordens e mexia seus soldados no tabuleiro como peões. Ele ia ao combate também. Ele mesmo tinha membros robóticos, muito diferente do homem que ela se lembrava de ter conhecido, tantos anos antes.

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A escotilha da nave se abriu e os soldados viram quem era seu recém-chegado. Um deles, levou o punho para próximo da boca, falando ao seu comunicador.

— Chefe, é a Jedi. Ela chegou.

“Tragam ela até a minha sala”, foi a resposta de Saw.

— Entendido.

Os dois soldados se aproximaram da mulher, que se dirigiu a eles.

— Não sou Jedi – proferiu Ashoka Tano.

Os homens pareceram pouco se importar com a informação. Para eles, os sabres de luz presos no cinto de Ahsoka lhes diziam exatamente o contrário. Após ordenarem que ela os seguisse, os soldados conduziram a torguta para a porta na lateral da pista de pouso, levando-a para o interior de longos corredores metálicos no interior da montanha, o esconderijo de Saw.

Por fim, ao final de um longo corredor, eles chegaram a um elevador. Um dos soldados, abriu a porta, permitindo que Ahsoka pisasse na plataforma antes. Em instantes, o elevador começou a descer velozmente, cada vez mais para o fundo da montanha em direção ao núcleo daquela pequena lua esquecida na periferia da Orla Média.

Após longos minutos de descida, passando por incontáveis andares, o elevador parou. Diante dela, uma única porta de metal. Um dos soldados digitou uma sequência de dez (ou seriam onze?) numero em um teclado preso à parede de pedra e a porta se abriu, revelando uma ampla sala circular.

Ahsoka nunca estivera ali. Sabia que Saw Guerrera apenas convidava ao seu esconderijo pessoas que ele realmente confiava. Ou pessoas cuja ajuda ele precisava desesperadamente. E, no fundo, Ahsoka sabia que ela se enquadrava no segundo caso. Sabia que, depois do que havia acontecido a Steela, ele jamais confiaria nela a esse ponto.

No centro da sala, havia uma grande mesa circular que projetava um mapa de uma floresta densa e, em seu centro, uma grande construção metálica. Nas paredes, muitas telas projetavam dados luminosos que pisavam sem parar, cada uma sendo observada por um operador. Mas apenas quatro pessoas estavam ao redor da mesa, conversando.

Ela reconheceu Saw assim que seus olhos caíram sobre ele. Ele não só tinha uma aparência peculiar, mas também um olhar profundo e penetrante, como o de um animal selvagem prestes a dar o bote. Um reflexo da sua personalidade instável que os líderes das principais células rebeldes tanto detestavam Ahsoka se lembrava muito bem de como Hera se referia a ele: um homem egocêntrico, extremista, calculista, inconsequente e que acha que o único jeito certo de fazer as coisas era o dele.

Falando nos rebeldes, era curioso ver o senador Organa ali, conversando tão amigavelmente com ele. Ao lado do senador, Ahsoka viu alguém que ela acreditava estar morto: Cal Kestis. Não trajava mais suas vestes Jedi e não mais tinha a sua trança de Padawan, mas ainda mantinha o sabre de luz preso ao cinto. Os dois se olharam e sorriram um para o outro. Era bom saber que ele havia sobrevivido à Ordem 66, afinal.

Mas, do outro lado de Saw, havia outro homem. Ahsoka não o reconheceu de imediato, mas seu rosto lhe era familiar. Sabia que já tinham se encontrado alguma vez na vida, principalmente quando o homem viu Ahsoka e sorriu para ela, cumprimentando-a em silencio. Envergonhada por não se lembrar dele, ela sorriu de volta. Um sorriso amargo e tímido, mas que fora suficiente para que ele se contentasse.

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Enquanto caminhava em direção a mesa, Ahsoka olhava para o homem, tentando se lembrar de quem era. Talvez sem a barba... Ou com roupas diferentes daquele uniforme militar imperial...

— Bem vinda, Ahsoka – disse Saw quando ela se aproximou, sem tirar os olhos do mapa projetado sobre a mesa. – Conseguiu o que te pedi?

— Eu estou bem, Saw – ela rebateu, com uma voz educada. – Alguns ferimentos, mas nada grave. Obrigada por perguntar. E sim, eu consegui.

Do bolso traseira da calça, Ahsoka retirou um pequeno disco e o depositou sobre a mesa. Ela o impulsionou para frente e o disco deslizou até Saw, atravessando o holograma projetado. Quando Saw tinha o disco entre os dedos, Ahsoka se adiantou, aproximando-se dele.

— A planta da refinaria em Kashyyyk – ela disse quando Saw inseriu o disco na lateral da mesa e, imediatamente, a grande construção de metal no meio da floresta projetada se expandiu, sendo evidenciado detalhes de seu interior. – Consegui dados detalhados do último e do penúltimo andar. Acho que vai ser possível você mandar seus homens para distrair os stormtroopers no terraço como você havia planejado, mas manda-los por terra vai ser suicídio. Existem minas plantadas por um raio de quase um quilómetro ao redor da refinaria – nesse momento, ela apontou para pontos vermelhos que piscavam ao redor da construção. – E uma mina está no raio de explosão da outra. Se uma explodir, todas explodem e a refinaria toda vai pelos ares. Não sei o que o Império está escondendo lá dentro, mas com certeza não são só apenas wookies escravizados. Eles estão dispostos a explodir esse segredo para ninguém os tenha, mesmo que isso leve toda a refinaria junto. Seja lá como você for invadir esse lugar, vai ter que ser um plano engenhoso.

— Isso você pode deixar comigo, Ahsoka – disse Saw. Havia preocupação em seus olhos. – Obrigado. Dezessete dos meus melhores soldados morreram tentando roubar a planta dessa refinaria. Eu sabia que você era a única pessoa capaz de me ajudar. Tem certeza de que não quer participar da invasão?

— Adoraria – a ironia presente na voz da togruta. – Mas, no momento, meus serviços são solicitados em outro lugar da galáxia.

Saw não respondeu.

Quanto menos tempo ficasse perto daquele homem, melhor seria. Sem dizer mais nenhuma palavra, Ahsoka se virou, retornando pelo caminho que viera em direção à plataforma. Os soldados que a trouxeram até ali estavam entrando na plataforma com ela quando o homem irreconhecível se adiantou, subindo no elevador antes dos soldados.

— Deixem que eu acompanho ela até a saída.

Talvez, ele estivesse realmente mudado após tantos anos, mas a sua voz era a mesma. O queixo de Ahsoka caiu quando, por trás da barba que ele usava, ela reconheceu Lux Bonteri.

Antes que os soldados pudessem responder, Lux fechou o guarda-corpo da plataforma do elevador e apertou o botão lateral. Imediatamente, o elevador começou a subir.

Os dois permaneceram lado a lado por alguns instantes, em silêncio.

— Devo assumir que não tinha te reconhecido – disse Ahsoka.

— Eu imaginei – ele respondeu. – Pela forma como você me olhou quando entrou na sala.

— Você está diferente – ela tentou se explicar. – Não é a só a barba, mas você tem... um olhar diferente... Não sei ao certo. Mas é bem diferente do Lux Bonteri que eu me lembro.

— Mas você ainda é a mesma Ahsoka – ele respondeu. – Digo, está mais alta e...

— Eu não sou a mesma Ahsoka – ela rebateu.

Depois de tudo o que ela havia passado.... depois de tudo o que havia visto... depois de tudo o que havia feito... era quase ofensivo ouvir que ela ainda era a mesma Ahsoka. Mas, claramente, Lex não tinha como saber de nada disso. Não era culpa dele que Ahsoka não tivera gostado nem um pouco de ouvir aquilo.

Mas, apesar da raiva, havia outro sentimento nela. Um sentimento que fazia seu coração acelerar e suas mãos suarem. Um sentimento que a deixava inquieta e torcendo para que ele não percebesse tudo isso.

— Fico feliz que esteja bem – Lux rompeu o silêncio. – Fiquei horrorizado quando soube que os clones se voltaram contra os Jedi e você foi a primeira pessoa em quem pensei. Eu procurei por informações suas, mas não achei nada. Por muito tempo, achei que você estava morta. Até encontrar o Saw e ele me confirmar o contrário. Foi quando conheci o Cal, inclusive.

— Não foi nada fácil – Ahsoka respondeu. – Precisei me esconder por toda a galáxia. Fui caçada em mais sistemas do que eu sabia existirem e cheguei até a matar um Inquisidor. Longa história... Mas e você? – ela apontou para o distintivo imperial bordado no uniforme dele. – Agente duplo à serviço do Saw?

Lux riu.

— Como acha que o Saw é tão bem informado dos planos do Império? – ele respondeu. – Depois que o Império surgiu, eu assumi o lugar da minha mãe no Senado. E uma coisa que o Império sempre fez bem foi recompensar as pessoas leais a ele. Não demorou muito até que me nomeassem governador em Onderon.

— Uma pena que você nunca foi leal ao Império – terminou Ahsoka.

— Realmente, uma pena – Lux riu novamente.

Nesse momento, a plataforma parou e Ahsoka e Lux saíram do elevador, começando a caminhar pelos corredores em direção ao exterior da montanha.

Em silêncio, Ahsoka olhou para ele sem mover a cabeça.

Era estranho se sentir daquela forma, mesmo depois de tanto tempo. Mas ela não era uma Jedi. Não precisava mais reprimir esse tipo de sentimento. Não por ela, pelo menos, mas por ele: Lux podia não ter sabido do paradeiro de Ahsoka nos últimos anos, mas ela sabia muito bem o dele.

— E as meninas?

— Então, você já sabe? – ele respondeu.

— Mas é claro que sei – Ahsoka disse imediatamente. – Eu não conseguiria fazer o meu trabalho direito se não soubesse exatamente quem são os líderes de cada sistema, não é?

Apesar de ser uma verdade, os dois sabiam muito bem que o interesse de Ahsoka pela vida de Lux não era apenas profissional. Mas, da mesma forma, os dois podiam muito bem deixar isso apenas subentendido. Não havia necessidade alguma de verbalizar qualquer coisa sobre isso.

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— Suponho que não – disse Lux. – Elas estão bem... A mais velha é a Raveta, está com cinco anos agora. Mas você ia gostar da mais nova, a Lyra. Ele tem só três anos, mas eu tenho certeza que ela é sensitiva à Força. O jeito que ela me olha quando eu seguro ela, parece que está lendo a minha alma.

Ahsoka riu.

­— Ouvi dizer que a Lyra é a cara da mãe dela – disse Ahsoka.

— Sorte a dela não ser parecida comigo – Lux rebateu, rindo. – Se ela tinha a chance de ser parecido com a mãe, a natureza fez a escolha certa.

Por fim, estavam do lado de fora da montanha, na plataforma de pouso.

À frente, a nave de Ahsoka.

A togruta se colocou em frente a Lux, encarando-o nos olhos pela primeira vez.

— Eu fiquei feliz em te ver – ela disse.

— Igualmente – disse Lux.

O movimento dos dois foi imediato e simultâneo: os dois se adiantaram e se abraçaram.

Nesse instante, o coração de Ahsoka disparou em seu peito e ela apenas torceu para que ele não conseguisse sentir aquilo.

— Nós vamos nos ver de novo? – perguntou Lux, quando se afastaram.

Adentrando a escotilha de sua nave, Ahsoka apenas respondeu:

— Eu espero que sim. Quem sabe você não me apresenta as meninas, numa próxima oportunidade.