Tales of Star Wars

Arena (Palpatine x Anakin / Anakin x Mestre Windu)


O chanceler Palpatine caminhava lentamente pelos corredores do Templo Jedi, acompanhado de perto por mestre Yoda e mestre Windu, um de cada lado do político. Atrás dos três, uma ampla comitiva de Jedi e membros do Senado. Uma visita de costume do chanceler: ao menos uma vez a cada seis meses, ele ia até o Templo. Uma forma de manter vivos os laços que uniam os Jedi e a política, em nome da prosperidade da República, dizia ele. Uma quase completa perda de tempo, na opinião de mestre Windu. Na verdade, um gesto até muito arriscado tentar aproximar ainda mais esses dois mundos, tão filosoficamente distantes, mas que, na prática, já eram tão unidos.

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— De qualquer forma, eu fico muito satisfeito em ver que os Jedi estão conseguindo chegar em regiões mais afastadas da galáxia – disse o chanceler. – É por isso que digo que nosso trabalho deve ser feito em conjunto. Vocês estão conseguindo fazer o que o Senado não conseguiu em anos! Não foi mestra Luminara quem coordenou uma missão de pacificação em Rattatak?

— Foi – confirmou mestre Windu. – Eles sempre foram resistentes à presença dos Jedi lá, mas mestra Luminara conseguiu intervir na guerra civil brilhantemente. Um plano completamente dela.

— Eu gostaria de parabenizá-la pessoalmente.

— Infelizmente, possível não será, chanceler – disse o mestre Yoda. – Mestra Luminara em Coruscant não se encontra.

— Uma pena – disse o chanceler. – Onde ela está?

— Infelizmente, esse é um assunto sigiloso dentro do próprio Conselho – mestre Windu respondeu imediatamente. – Não quero dar a entender que duvido de sua lealdade, mas é uma questão delicada que, se discutida, pode comprometer os resultados da missão dela. Espero que entenda.

O chanceler ficou visivelmente decepcionado com a resposta. Em silêncio, mestre Windu ficou satisfeito de ter dito aquilo. Teria dado essa resposta a qualquer pessoa que o tivesse questionado sobre aquele assunto, mas ficou feliz que tenha sido o chanceler: uma resposta daquelas era útil para lembra-lo que, no Templo Jedi, a sua autoridade era muito mais simbólica do que, de fato, real.

— É claro – disse Palpatine, por fim.

— Mas no momento certo você veio – disse mestre Yoda, tentando, amigavelmente, contornar a tensão deixada no ar. – Nesse momento, em treinamento coletivo com os sabres de luz os Padawans estão. Acho que nunca presenciou isso, não é chanceler?

— Nunca tive a honra, mestre Yoda – o chanceler respondeu cordialmente. – Minha presença não será inoportuna em um momento desses?

O mestre Windu chegou a abrir a boca, mas mestre Yoda o fuzilou com o olhar, calando-o.

— De forma alguma, chanceler – ele respondeu. – Meu convidado você é.

Nesse momento, os três homens pararam em frente a um guarda-corpo de pedra, que circulava uma ampla depressão no chão, de forma muito semelhante a uma arena. Sentados no chão na periferia de todo o espaço, estavam diversos Padawans. Atrás deles, seus mestres. No centro, dois Jedi mais velhos lutavam entre si: uma demonstração para os mais jovens de uma luta elegante e digna. Os dois pareciam dançar com seus sabres de luz. Um misto de violência e poesia em cada movimento.

— Quem são esses? – quis saber o chanceler.

— A Twi’lek é Aayla Secura – explicou mestre Windu. – Recentemente concluiu com honra seus testes finais e será nomeada Cavaleira em breve. Ela está duelando com o seu mestre, Quinlain Vos.

— Muito talentosos – elogiou o chanceler. – E o pequeno Skywalker? Não o vejo daqui.

— Sentado em frente ao mestre Kenobi ele está – disse mestre Yoda.

O chanceler olhou novamente para a arena, apertando os olhos em busca de Anakin ou de seu mestre até, por fim, encontra-los.

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— Ah, claro – disse, sorrindo. – A idade está começando a afetar a minha vista... Mas vejo que ele cresceu bastante desde a última vez que o vi. Como ele tem progredido?

— Melhor do que imaginávamos – comentou mestre Windu. – Para alguém que começou o treinamento tão tarde, ele tem aprendido rápido. É um aluno muito dedicado, mas um pouco indisciplinado demais para os padrões dos Jedi.

— Um pouco menos rígido com o menino você precisa ser, meu amigo – riu o mestre Yoda. – Indisciplinado ele é, mas muito esforçado também é. Uma diferença de perspectiva sobre ele entre nós há, não acha?

Mestre Windu concordou apenas com um “uhum”.

— Será que eu poderia vê-lo lutar? – pediu o chanceler. – Lembro muito bem que fui uma das pessoas que o recebeu junto com a rainha Amidala quando ele chegou a Coruscant. Tenho um certo apego pelo menino e gostaria de ver o quanto ele tem progredido. Se não for pedir muito, é claro.

Mestre Yoda e mestre Windu se entreolharam por um instante.

— Para uma demonstração, talvez o jovem Skywalker preparado não esteja – disse o mestre Yoda.

— Mas posso conversar com mestre Kenobi – interveio o mestre Windu. – Se ele acreditar que Anakin está preparado, não acredito que haverá maiores problemas.

Ele e mestre Yoda discordavam muito sobre a capacidade do garoto, apesar de concordarem em alguns pontos. Mas, dependendo de como Anakin fizesse sua demonstração, mestre Windu teria como provar seu ponto. De que o garoto era mais indisciplinado do que brilhante, e não o contrário. De que ele nunca deveria ter começado o seu treinamento.

— Isso me deixaria muito feliz, mestre Windu – disse o chanceler.

— Peço licença.

Imediatamente, o mestre Windu se retirou, descendo até a arena por uma escada circular próxima ao guarda-corpo. Do alto, o chanceler e mestre Yoda o viram se aproximar de Obi-Wan. Enquanto Aayla e Quilain Vos ainda estavam em combate, o mestre Windu sussurrou algumas palavras próximas a Obi-Wan. Sentado ao chão e entretido com o duelo, Anakin parecia não ter idéia do que acontecia às suas costas.

Após alguns segundos, Obi-Wan olhou para o alto da arena, seu olhar caindo sobre o chanceler Palpatine. Ele se voltou para o mestre Windu e coçou a barba antes de dizer algumas palavras. “Não acho que seja a melhor hora”, mestre Yoda conseguiu, pela Força, sentir que era isso que Obi-Wan dizia. “Anakin é muito bom, mas ainda é muito inseguro com o sabre de luz. Não sei o quanto isso pode ser benéfico para ele. Ainda mais na frente de tanta gente. E, principalmente, do chanceler.”

Mestre Windu rebateu. Não se daria por vencido.

Obi-Wan ficou quieto por alguns instantes, o queixo apoiado na mão. Por fim, ele se abaixou, chamando a atenção de Anakin, que virou o rosto para conversar com seu mestre. Estava oferecendo a possibilidade ao menino. Dando-lhe a possibilidade de escolher.

Mas, pelas feições que surgiram em seu rosto, o próprio menino não parecia saber o que dizer. Mas sua indecisão durou pouco tempo: em instantes, ele fez que sim com a cabeça. Estava decidido. Um enorme sorriso de satisfação surgiu no rosto do chanceler quando o mestre Windu iniciou seu caminho de volta até o alto da arena.

— Mestre Kenobi concordou – ele anunciou.

— Muito obrigado, mestre Windu – agradeceu o chanceler, visivelmente alegre. – Vou adorar ver o quanto o menino progrediu.

— Cuidado peço em suas interpretações, chanceler – rebateu o mestre Yoda, sem retirar os olhos de Anakin. ­– Pela sua familiaridade com o sabre de luz, a habilidade de um Jedi não é medida. Mas sim pelo seu respeito à Força e à sua capacidade de diplomacia. Antes de mais nada, defensor da paz um Jedi é.

— É claro que sim, mestre Yoda – o chanceler respondeu imediatamente.

Em poucos minutos, Aayla e Quinlain Vos terminaram sua demonstração. Eles pararam um diante do outro e, após uma reverência, dirigiram-se para a periferia da arena onde Aayla, apesar de estar a poucos dias de sua nomeação, humildemente, sentou-se no chão, em frente ao seu mestre.

Imediatamente, um Padawan se levantou e se dirigiu ao centro da arena. Devia ter dezesseis ou dezessete anos, mas tinha o porte físico de um homem adulto. Era alto e forte, bem diferente do pequeno Anakin de treze anos que ia em sua direção. Nada nem ninguém precisava informar a qualquer um dos presentes que a expressão no rosto de Obi-Wan, naquele momento, era a pura tradução do arrependimento. Ele sabia que algo ruim estava para acontecer. Podia sentir na Força.

Cochichos entre os Padawans surgiam enquanto Anakin caminhava. Era um fato bem conhecido pelos Jedi que o jovem Skywalker não era muito bem recebido entre seus colegas. “Sabia que ele era um escravo?” e “Ouvi dizer que ele precisava comer areia para não morrer naquele fim de mundo” eram comentários frequentemente ditos pelos mais novos. Fofocas e mentiras que se propagavam com o vento.

E Anakin sabia de tudo aquilo.

Os outros Padawans nem sequer preocupavam em esconder que fofocavam sobre ele: cochichavam entre si enquanto o próprio Anakin olhava para eles. Mas, se eles gostavam tanto de falar sobre ele, Anakin lhes daria motivo: a melhor demonstração de duelo já vista no templo Jedi. Com raiva, o menino segurou com força o sabre de luz preso em seu cinto.

Ao ver quem era seu oponente, o Padawan mais velho olhou para sua mestra, como se achasse que houvesse algum engano na escolha de seu adversário. Mas a cavaleira Jedi lhe fez um sinal com a cabeça para que prosseguisse e, apenas nesse momento, ele se voltou verdadeiramente para Anakin. Seu sabre voou de seu cinto para sua mão.

Frente a frente, os dois fizeram uma reverência.

— Prometo pegar leve com você, garoto – o Padawan sussurrou, ainda curvado.

— Eu não – rebateu Anakin.

Em resposta, um largo sorriso se abriu no rosto do Padawan enquanto ele acionava seu sabre de luz, revelando sua lâmina verde. Para ele, o simples fato de lutar com Anakin já era engraçado. Para ele, era uma vitória certa.

Anakin acionou seu sabre.

Por um instante, os dois ficaram imóveis, observando-se. Como dois animais prestes a se atacar.

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Enfim, avançaram.

As lâminas dos sabres de luz se chocaram no ar. Uma, duas, três, quatro, cinco vezes. E Anakin caiu. O som do baque de seu corpo contra o piso foi abafada pelas risadas dos outros aprendizes. Imediatamente, a primeira reação de Obi-Wan foi avançar para frente. Iria interromper aquilo. Definitivamente, não era a hora.

Mas ele foi barrado. Mestra Depa Billaba, ao seu lado, segurou-o pela manga de suas vestes.

“Vai ser pior pra ele se você fizer isso”, sussurrou ela. “O que está feito, está feito.”

Ao longe, Obi-Wan observou Anakin se levantar. O outro Padawan sorria, confiante. Para ele, aquilo não era sequer um desafiou. Jamais poderia ser considerada uma demonstração para os aprendizes mais jovens.

Anakin brandiu o sabre de luz acima de sua cabeça e avançou.

Uma, duas, três, quatro, cinco, seis, sete vezes os sabres de luz colidiram no ar. Novamente, Anakin caiu. E, novamente, as risadas irromperam.

— Pode desistir a hora que quiser – disse o Padawan, com sarcasmo em sua voz, no momento em que Anakin se levantou.

Aquela fora a gota d’água. Do alto, o chanceler assistiu satisfeito as expressões do menino mudarem. Havia raiva. Havia ódio. Havia frustração. Havia humilhação. Tudo o que ele precisava que o menino sentisse.

O Padawan, por um instante, pareceu achar engraçado a fúria que exalava de Anakin. Mas essa realidade mudou no instante seguinte: Anakin avançou contra ele pela terceira vez. Mas, nesse momento, estava diferente. Havia uma fúria incontrolável dentro dele. Um animal que acabara de ser libertado.

A lâmina azul do sabre de Anakin desferiu golpe atrás de golpe contra seu adversário. Mais experiente, o Padawan conseguia bloquear os ataques, mas não sem que o medo ficasse evidente em seu rosto. Mas não era um duelo harmonioso e belo, como o de Aayla e Quinlain Vos. Era um duelo visceral e grotesco. Um duelo selvagem.

Apesar da pequena altura, Anakin conseguiu afastar seu adversário com um chute no abdome. Imediatamente, Obi-Wan avançou mais um passo.

— Anakin – o Jedi o repreendeu, mas sua voz saiu tão baixa que, muito provavelmente, o menino não o havia escutado.

— Ora, seu... – disse o Padawan, após recuperar o fôlego, avançando contra o menino.

Dessa vez, havia raiva em seu rosto também.

Os dois voltaram a se atacar. Um duelo ainda mais selvagem. Violento. Volátil. Como dois inimigos se enfrentando em uma luta mortal. Não havia nada de didático para os outros Padawans assistindo: os golpes eram tão velozes que não se conseguia ver movimento algum. Uma cena aterrorizante.

Mais velho e mais experiente, o Padawan conseguia fazer Anakin recuar. Na direção que seguiam, mestres e Padawans se afastaram do duelo que se aproximava.

— Chega! – gritou Obi-Wan, avançando para o meio da arena.

Ele se sentiu mais confortável quando a mestra do outro Padawan o seguiu. Não estava tão errado, afinal, em querer interromper o combate.

Mas os dois meninos não obedeceram. O duelo continuava. Nenhum dos dois pararia até que o outro estivesse no chão.

Obi-Wan e a mestra Jedi correram contra os dois, preparados para intervir.

Mas era tarde demais.

Praticamente encurralado entre seu adversário e a parede da arena, Anakin pulou, impulsionando seu corpo para trás. Há quase dois metros de altura do piso, Anakin impulsionou-se na parede, dando um mortal por cima do Padawan e rotacionando no ar. Durante esse movimento, seus sabres de luz continuaram a se chocar.

Anakin pousou atrás de seu adversário e dessa vez, era o outro Padawan que estava encurralado entre Anakin e a parede. Surpreso com o movimento de seu adversário, o Padawan apenas teve tempo de se virar antes que Anakin descrevesse seu golpe.

— Anakin, não! – urrou Obi-Wan.

Mas Anakin não lhe deu ouvidos.

A lâmina azul de seu sabre cortou o ar entre os dois meninos e estilhaçou o sabre de luz do Padawan mais velho. Antes que os fragmentos metálicos tocassem o chão, Anakin o empurrou com a Força e o rapaz se chocou violentamente contra a parede, antes de cair desacordado.

— Anakin!

Com o sangue ainda fervendo, o menino se virou, apontando o sabre para seu mestre. Obi-Wan deslizou por alguns centímetros antes de parar, quase sendo atingindo pela lâmina de plasma.

Mestre e aprendiz se encararam por alguns instantes. Instantes necessários para que a raiva sumisse do rosto do menino e ele voltasse a si. Apenas nesse momento, ele se deu conta do que havia feito. Desativou o sabre e se virou para olhar seu adversário, caído e inconsciente a poucos centímetros deles. Na periferia da arena, dezenas de mestres e Padawans olhavam aterrorizados e chocados para ele.

— Vá pra o seu quarto – Obi-Wan disse severamente. – Agora! E nem pense em sair de lá, me entendeu? Nós vamos conversar mais tarde.

Anakin apenas concordou com a cabeça, assustado e descrente do que tinha feito. Ele começou a caminhar, dirigindo-se para a saída da arena, quando a voz de Obi-Wan o chamou novamente.

— Me entregue o seu sabre de luz – ele disse.

— Mas, mestre, eu... – ele tentou protestar.

— Obedeça, Anakin!

Obi-Wan não precisou gritar, dessa vez. Havia algo em sua voz que o menino não sabia o que era, mas o fez entregar o sabre imediatamente, colocando-o na mão estendida de Obi-Wan.

Era culpa que havia na voz de Obi-Wan.

Sabia que aquela situação era culpa dele. Devia ter sido mais incisivo com mestre Windu. Devia ter negado imediatamente a proposta. Os desejos do chanceler não precisavam ser atendidos. Ele não tinha autoridade alguma naquele Templo.

Quando Anakin partiu, Obi-Wan se abaixou para ajudar a socorrer o Padawan ferido.

Do alto da arena, o chanceler e mestre Windu sorriram, ambos secretamente conseguindo o que queriam. Apenas mestre Yoda suspirou.

— Que tenha visto isso, eu lamento, chanceler – ele disse.

— Não lamente, mestre Yoda – ele ainda sorria, incapaz de conter sua empolgação. – Não lamente.