Tales of Star Wars

Treinamento (Bariss Offee x Darth Vader)


A simples presença de Darth Vader lhe causava calafrios que ela não conseguia explicar. Era um homem de poucas palavras, falava apenas o essencial. Mas, o pouco que ela ouvia sair de detrás de sua máscara preta, sempre a deixava apavorada. Como se houvesse ameaças mesmo quando elas não existiam. Apenas a imagem daquele homem a deixava em alerta, como se sua vida estivesse correndo risco. Haveria um rosto por trás daquela armadura? Ou seria apenas um droide enfeitiçado pelo Imperador para manipular o lado sombrio? Quanto de homem e quanto de máquina havia ali?

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— Você é fraca – disse a voz metálica e robótica por detrás da máscara.

— O que mais você quer de mim? – Bariss Offee gritou, levantando-se do chão e atraindo seu sabre de luz até a sua mão com a Força. – O que você pede é irreal! Eu não consigo!

— Então, você falhou – Vader rebateu, ainda mantendo sua posição de guarda, com o sabre de luz ligado. – Os Jedi que irá enfrentar não vão ser menos hostis por causa das suas limitações. Eles vão te matar antes que cumpra o seu propósito.

Novamente, Bariss o atacou. Pulou contra ele, acionando seu sabre de luz em pleno ar. Mas ela não teve tempo de sequer desferir seu golpe: Darth Vader a jogou para o lado e a garota rolou para o lado por alguns metros.

— Você é determinada, mas isso não é suficiente – disse Vader. – Você tem raiva. Você tem ódio. Mas não usa isso ao seu favor. Você se controla quando poderia deixar o verdadeiro poder explodir de dentro de você e te tornar mais poderosa do que jamais sonhou.

Ela se levantou, furiosa. Sabia que não tinha chance alguma, por isso nem sequer conjurou seu sabre de luz até sua mão. Mas marchou contra Darth Vader, sabendo que aquilo poderia significar o seu fim.

— Mas eu não tenho motivos para odiar! – ela gritou.

Era libertador poder dizer aquilo após tanto tempo.

— Você vive falando em deixar o meu ódio falar mais alto, mas eu não odeio nada e nem ninguém! – Bariss continuou. – Você me diz para odiar os Jedi, mas eu não odeio. Lamento pelo que eles se tornaram e lamento a traição que eles planejaram contra a República, mas eu não os odeio! Eu fiz o que achei ser certo e paguei pelas minhas ações.

Ela estava parada a menos de um metro de Vader. Após um rápido instante de silêncio, o Lorde sith desligou seu sabre de luz.

— Você mente – ele disse. – Você tem raiva dos Jedi pelo que eles fizeram e tem raiva do que aconteceu com você. Mas você não tem coragem de assumir para si mesma porque sabe que isso será seu ingresso definitivo no lado sombrio. E essa é a sua fraqueza. Você teme o lado sombrio. É resistente. Você teme o que ele pode te tornar, mas ignora tudo o que ele pode te dar. No fundo, você ainda tem esperanças de se tornar uma Jedi, sem pensar em todas as possibilidades que o lado sombrio pode te oferecer.

Nesse momento, Bariss se calou. Não conseguia acreditar no que ele dizia, mas algo dentro dela se perguntava se não havia algo de verdade naquilo tudo. E a dúvida caiu sobre ela com um impacto maior do que podia imaginar.

— Você diz não sentir ódio, mas eu vejo os sentimentos no seu coração – continuou Vader, rodeando a jovem. – Há rancor. Você sabe que o que fez foi errado, mas fez com a melhor das intenções. Mas eles te ignoraram mesmo assim, não te deram ao menos a chance de se explicar.

Não... Cale-se... Não era isso.

Não havia segredos que Lorde Vader não soubesse. Não havia nada que pudesse ser mantido privado. Ele entrava na mente dela e se apossava de cada pensamento, cada desejo. E usava isso a seu favor.

— Você se culpa por ter sido descoberta – a voz de Vader congelava cada nervo do corpo dela enquanto o lorde Sith traduzia a sua alma. – Você se culpa pelos furos do seu plano. Mas você também culpa... Anakin Skywalker.

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Por um instante, ele permaneceu quieto, surpreso com o que acabara de descobrir enquanto a Força lhe traduzia os sentimentos mais íntimos de Bariss.

— Sim – Vader parecia satisfeito com sua conclusão. – É dele de quem você sente tanta raiva.

— Não – Bariss rebateu. – Eu não sinto raiva. Eu... Eu só não queria que tivesse sido assim.

A mão metálica de Vader descreveu um arco no ar, esbofeteando Bariss no rosto e fazendo a jovem cair ao chão.

— Não minta pra mim! – ele gritou. – É ódio o que você sente! Você tem raiva! Você... você já sonhou em matá-lo.

Mais uma vez, Vader se calou. Estava satisfeito com o que havia descoberto.

Bariss olhou para ele, sem saber se o tapa doía mais do que a verdade.

— Tudo o que eu passei naquela cela, aguardando minha punição, foi culpa dele – ela disse, ainda ao chão. – Se ele não tivesse me descoberto, Ahsoka teria sido executada no meu lugar e eu teria terminado meu treinamento! Foi Skywalker quem acabou com o meu plano.

— Então, você não nega querer matá-lo?

Foi nesse momento, que Bariss se levantou.

— Não! – ela gritou, atraindo seu sabre de luz com a Força até sua mão. – Eu não nego! Mas de que adianta agora? Ele está morto! Ahsoka deve estar morta também! Não há mais ninguém de quem eu queira me vingar.

— Talvez, você esteja enganada.

Nesse momento, Vader estendeu a mão para Bariss.

Dor. Muita dor. Mais uma vez, ela caiu ao chão e, diante de seus olhos, ela viu Anakin. Liderando clones para invadir o templo e matar Jedi e Padwans. Matando os líderes de da Federação de Comérico. Duelando contra Obi-Wan sobre um rio de lava. Com cada centímetro de seu corpo coberto por chamas. Sendo carregado por uma maca, havendo pouco para identifica-lo como humano. Sendo operado. E, por fim, sendo vestido com uma armadura preta e uma máscara tão aterrorizante e familiar.

— Você... – ela grunhiu, olhando para Vader quando esse desfez a conexão entre os dois.

Era isso que ele queria. Nos olhos de Bariss, Vader conseguia ver toda a essência do lado sombrio. Havia raiva e um desejo incontrolável de vingança naquele olhar. Um desejo alimentado durante meses em que ela esteve presa. Um desejo que, apenas agora, ela poderia dar vazão.

Bariss acionou seu sabre, segurando-o com firmeza. Vader fez o mesmo, assumindo posição de guarda. No instante seguinte, ela se jogou contra ele.

As lâminas vermelhas dos sabres de luz se chocavam com tamanha velocidade que era impossível identificar quem desferia qual golpe. Sem as limitações do traje preto e pesado de Vader, Bariss dançava ao redor dele, mirando sua cabeça e seu coração. Vader bloqueava os ataques da garota, deixando que ela descarregasse todos os seus sentimentos sobre ele. Isso o divertia.

Bariss era jovem, determinada, habilidosa... e imprudente. Imprudente como Anakin Skywalker um dia fora. E, conhecendo essa imprudência, Darth Vader conseguiu golpeá-la. A lâmina de seu sabre desferiu um curto golpe sobre o joelho. O suficiente para que ela caísse ao chão.

Mas ela não ia desistir. Em um último e desesperado movimento, ela, do chão, mirou as pernas de Vader. Se ela caiu, ele também cairia. Mas esse desejo foi bloqueado pelo sabre de Vader que, no instante seguinte, pisou sobre a mão dela até que ela soltasse seu sabre de luz.

— Anakin Skywalker está morto – disse Vader. – Eu seu lugar, eu nasci. Mas é essa fúria que eu quero ver em você quando for lutar contra um Jedi. Anakin Skywalker foi apenas o estopim de uma roleta de traições. Mas todos eles abandonaram você. Todos eles traíram você. Todos eles merecem morrer da mesma forma. E eu estou te dando a chance de se vingar. Aceite-a!

Consumida pela dor e pela raiva, Bariss hiperventilava.

Vader se abaixou ao seu lado, olhando em seus olhos a poucos centímetros de distância.

— Faça como eu – ele disse. – Deixe Bariss Offee morrer para que a Segunda Irmã possa nascer. E, então, me ajuda e matar os Jedi e vingar o Imperador pela traição deles.

Vader estendeu a mão para Bariss, oferecendo-se para ajudá-la a se levantar.

— Está comigo, Segunda Irmã? – ele perguntou. – Ou eu mesmo terei que matar Bariss Offee?

Por alguns instantes, a jovem olhou para Vader e sua mão, pensando se morrer naquele lugar não poderia ser a melhor alternativa. Mas ela sabia que, no fundo, Vader tinha razão sobre ela. Sempre tivera. Ele a conhecia melhor do que ela mesma. Talvez, vingança não fosse algo tão errado, afinal.

Um brilho mortal surgiu no rosto dela. O brilho furioso e indomável de um animal antes de atacar sua presa. Sim, ela aceitava a oferta.

No instante seguinte, a Segunda Irmã segurou a mão de Darth Vader.