Tales of Star Wars

Tocado pelo lado sombrio (Obi-Wan x Yoda)


A sala do Conselho Jedi estava vazia. O sol do fim de tarde tingia o céu de Coruscant com uma tonalidade rosada que, em qualquer outra condição, fariam com que Obi-Wan Kenobi se sentasse em uma das cadeiras e apreciasse a vista por uma das janelas. Mas não era o caso. Em sua inquietude, ele caminhava de um lado para o outro, sentindo as mãos frias e o coração bater em seu peito como se quisesse sair de seu corpo. E, como se não lhe bastasse a incapacidade de se controlar, ele temia como esse comportamento seria interpretado quando o Mestre Yoda chegasse ao local.

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Sem sabe ao certo o que estava fazendo, ele se obrigou a se sentar em uma das cadeiras. Cruzou as pernas e fechou os olhos.

“Controle suas emoções”, pensou para si mesmo e respirou fundo.

Completamente inútil. A única coisa que conseguira em quase um minuto fora apenas ter uma percepção ainda mais clara dos batimentos de seu coração que, àquela altura, parecia uma bomba prestes a explodir.

— Me chamar mandou, Mestre Kenobi?

Obi-Wan abriu os olhos com um susto, como se tivesse sido pego em flagrante. À sua frente, Mestre Yoda o olhava com um misto de atenção e curiosidade.

— Mestre! – Obi-Wan se levantou em um salto, nem sequer sabendo se podia se sentar em uma daquelas cadeiras, uma vez que não era um membro do Conselho. – Mandei... Me desculpe, eu...

Enquanto Obi-Wan gaguejava em busca de palavras, Yoda se dirigiu até o seu próprio acento e se sentou. Com Obi-Wan parado à sua frente e incapaz de continuar sozinho, o líder da Ordem Jedi achou que seria melhor ajuda-lo.

— Um grande conflito sinto em você, Mestre Kenobi – começou Yoda.

Mas não era necessário ser o mestre Yoda para deduzir aquilo. Qualquer forma de vida na galáxia, por mais primitiva que fosse, conseguia ver isso claramente.

— Sim, Mestre – Obi-Wan engoliu em seco. – Eu... Eu não sei por onde começar...

— Sobre Anakin quer falar?

— Não... Quer dizer, sim... Quer dizer, em parte...

Yoda, vendo que o nervosismo de Obi-Wan não o levaria a lugar algum, indicou o acento ao seu lado.

— Por que não se senta?

Obi-Wan permaneceu imóvel por alguns instantes e com o olhar perdido. Porém, adiantou-se para o acento e se sentou. Nesse momento, uma gota de suor frio escorreu pela sua têmpora.

— Por que tão nervoso está?

— Não estou nervoso, Mestre – ele rebateu, incapaz de olhar nos olhos de Yoda. – Estou envergonhado.

— E por quê?

Novamente, Obi-Wan engoliu em seco.

— Tenho pensado muito sobre os últimos acontecimentos – ele respondeu. – Sobre o que aconteceu em Naboo, sobre a morte do Mestre Qui-Gon... E temo estar chegando a uma conclusão que me assusta.

— E que conclusão seria?

Percebendo o mal-estar de Obi-Wan, o próprio Yoda evitava olhar para ele.

— Venho pensando sobre como consegui derrotar Darth Maul – contou Obi-Wan. – Tento repensar os meus sentimentos naquele momento e só consigo me lembrar de sentir muito medo... muita raiva... E... E eu tenho medo de ter conseguido derrotar Maul apenas por causa desses sentimentos. Eu... Eu queria que ele tivesse o mesmo medo de mim que eu tinha dele. Eu sentia raiva. Eu... Eu queria vê-lo morto acima de tudo. Eu não tinha a intenção de derrotá-lo e levá-lo como prisioneiro. Eu acho... Acho que, mesmo que ele tivesse se rendido, eu o teria executado...

Yoda permaneceu em silêncio por alguns instantes. Para Obi-Wan, cada segundo era torturante. Temia que o Mestre Yoda o estivesse julgando.

— Raiva e medo um caminho para o lado sombrio são – disse Yoda, por fim.

— Sim, Mestre – disse Obi-Wan. – E esse é o meu medo. Eu não o venci porque sou um bom Jedi. Eu o venci porque deixei minhas emoções falarem mais alto. Foram elas que derrotaram Maul, não eu.

— Tem razão – rebateu Yoda. – Em parte. Está certo em dizer que suas emoções Maul derrotaram. Mas está errado quando um bom Jedi diz não ser.

Pela primeira vez, Obi-Wan levantou o rosto e olho para o Mestre Yoda que, em resposta, também voltou seu olhar para ele.

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— Lutar contra Maul um teste foi – continuou Yoda. – Seu último teste como Padawan. Um flerte com o lado sombrio foi. Mas recorrência houve? Não. No lado sombrio você não se manteve. No limite das emoções você estava e ainda apenas um Padawan era. Infalível nós não somos, Mestre Obi-Wan. Aprender com nossos erros, devemos. Tocado pelo lado sombrio você foi, mas reconhecer o erro soube. E tão bom Jedi é que evergonhado se sente.

Dessa vez, foi Obi-Wan quem permaneceu em silêncio.

— Mas não é apenas isso que o traz aqui – Yoda adicionou.

— Não, Mestre – disse Obi-Wan, ainda letárgico enquanto tentava processar o que o Mestre Yoda havia lhe dito. – Quanto mais eu penso sobre o que aconteceu, mais eu me sinto incapaz de ensinar Anakin. Ele é rebelde e um pouco indisciplinado, mas um aluno que aprende rápido. E é determinado. Mas como posso eu ensinar alguém tão jovem nos caminhos Jedi se eu mesmo, ao fim de meu treinamento, ainda cometi um erro desses?

— Se exponha – respondeu Yoda, como se a resposta fosse óbvia. – Da mesma forma que me contou, ao seu Padawan conte. Conte a ele o seu erro. Conte a ele o que com ele você aprendeu.

— Então, você não me acha a pessoa errada para treinar Anakin?

— De forma alguma – foi a resposta. – Na verdade, melhor mestre não haveria. Um erro grave, o seu. Mas um erro que de lição para você e seu aprendiz irá servir.

Obi-Wan ainda estupefato com o rumo que a conversava havia levado. Esperava que o Mestre Yoda lhe punisse de alguma forma ou que o mandasse meditar mais. Chegou até a cogitar que Yoda pudesse considerar expulsá-lo da Ordem Jedi.

— Permita-se em paz ficar, Mestre Obi-Wan – Yoda concluiu. – Um bom Jedi você. Um mestre ainda melhor, você será.

— Obrigado, Mestre – Obi-Wan disse após engolir em seco. – Obrigado pelo seu tempo.

Ele se levantou e, a passos lentos, saiu da sala do Conselho Jedi.