POV Bella

As palavras de Rosalie foram como se mil facas tivessem me atingindo no peito. Minha visão pareceu ficar turva ao mesmo passo que meu mundo se escureceu. Dor? Nunca pareceu tão intensa como naquele instante. A dor da transformação parecia brincadeira de criança perto do que eu sentia.

Fiquei paralisada, sem saber o que fazer. Meu maior pesadelo, meu maior medo, minha maior relutância em me tornar vampira sempre foi real, só eu não percebi isso. O que seria de mim agora?

Como pude fazer isso? Como pude acreditar que eu era importante para Edward? Eu fui egoísta o suficiente para não perceber que eu era uma diversão para ele, nada mais que isso, e eu o amarrei, não permiti que ele vivesse a vida dele direito. Provavelmente ele só me aceitou até agora porque eu engravidei. Como pude fazer isso com ele? Por que ninguém me contou nada disso? Por que Alice não foi amiga o suficiente para me dizer a verdade?

Senti um buraco se abrir no meu peito. Um buraco mil vezes maior do que senti quando Edward me deixou pela primeira vez. Então tudo aquilo... Então aquela vez... Então... Então... Então se eu não tivesse ido atrás dele na Itália... Se ele não tivesse visto meu estado ele não teria voltado?

Ele...Ele...Ele teve PENA de mim? – Uma adaga afiada transpassou meu peito. - É isso então? Ele me atura até hoje por PENA? Mas e o casamento? Por que ele me pediu em casamento se ele só estava comigo por pena? Por que? Não fazia sentido...

Foi então que uma compreensão me tomou...

Dolorosa e cruel, a verdade recaiu sobre mim. Edward havia usado psicologia reversa; ele sempre soube a minha opinião a respeito de casamentos, então ele me pediu em casamento esperando que eu rejeitasse? Ele QUERIA que eu rejeitasse? – Mais uma vez, o mundo pareceu escurecer a minha volta.

Como pude ser tão idiota? Como não percebi? Por que ninguém me contou? Senti meu coração petrificado se apertar, isso não era justo. Nem comigo e nem com ele mesmo.

Quanto mais eu pensava, o buraco em meu peito se tornava maior, se em meus olhos ainda houvessem lágrimas eu já teria sucumbido em meio a elas. Se meu coração pudesse sangrar ele já teria morrido. Se eu pudesse voltar no tempo... Nada disso teria acontecido.

-CALA A BOCA! – Ouvi Edward gritar ferozmente para, provavelmente, Rosalie, mas não fazia sentido. Porque se importar? Porque gritar com ela? Rose fora a mais amiga até agora e a única boa o suficiente para me dizer a verdade.

Ele percebeu que eu descobri tudo. Pude ver em seus olhos que ele havia percebido.

Eu não tinha esse direito, não podia continuar prendendo-o daquela maneira. Edward merecia muito mais que isso.

Sem pensar nem mais um segundo e nem olhar para ninguém, tirei minha aliança e coloquei-a em cima da mesa, eu queria sentar e conversar, entender e talvez até recriminá-lo dizendo que ele deveria ter sido honesto, mas eu não tinha forças para isso; Edward poderia ser feliz, mas eu jamais seria e eu não era altruísta o suficiente para desejar-lhe felicidade pela vida a fora.

Eu precisava sair dali.

Infantil e talvez precipitada, sai correndo para minha casa. Quer dizer, a casa do Edward. Eu não ficaria muito tempo, apenas o suficiente para juntar algumas coisas.

O caminho até em casa foi curto, mas o suficiente para pensar nos últimos acontecimentos, em todas as descobertas, eu não queria enfraquecer, eu não queria padecer, mas eu era fraca e sem nem mesmo perceber, eu soluçava alto, enquanto as lágrimas imaginárias rolavam por minha face.

O que eu faria agora? Eu não podia continuar ali, vivendo com os Cullens, eu não pertencia aquele lugar e permanecer ali só causaria desconforto para todos. Para onde eu iria? Voltar para Charlie? Eu não podia fazer isso. Eu precisava arrumar um lugar para Nessie e eu e...

Foi então que a realidade me atingiu com uma bofetada. Renesmee. Por todos os deuses! Em meio a toda dor eu havia me esquecido de minha menina! Nós tínhamos que partir, mas Alice nos viria e me impediria de levá-la.

Eu não podia partir sem minha filha. Mas eu conhecia os Cullens. Mesmo Edward sendo um ser de espírito livre e não se prender a nada, os Cullens eram viciados em Renesmee, Rosalie principalmente. Nunca me deixariam levá-la, mesmo sendo eu a mãe.

"Você só vê o que eu permito que você veja..." A voz da guardiã passou pela minha mente como uma brisa, dando-me a resposta para minhas angustias.

Rapidamente peguei meu celular e disquei o número que tinha visto no cartãozinho que Carlisle tinha ganhando da guardiã. Eu não sabia se poderia confiar nela ou não, mas naquele instante, eu estava desesperada.

Como se já esperasse minha ligação, no primeiro toque, Clara atendeu.

-Alô?

-Clara?Sou eu Bella Cul... - Não consegui dizer de primeira aquele sobrenome, aquele não era meu sobrenome afinal, ou era? Engoli em seco e completei. - Cullen. – Sendo ou não meu nome, era assim que ela me conhecia.

-Ah. Oi Bella, tudo bom? - Clara perguntou simpática e feliz.

-Clara... Eu preciso de sua ajuda, por favor. - falei aflita enquanto entrava em casa.

-O que houve, Bella? - ela pareceu alarmada.

-Por favor, me de sua proteção, não permita que ninguém use seus poderes em mim... Não permita que Alice veja meu futuro... – Não demorou mais que um segundo para Clara por seu manto de proteção sobre mim.

-Você esta sobre minha proteção Bella, - seu tom era sério e composto, assumindo a postura de guardiã. – Agora, me diga o que aconteceu?

-Não tenho tempo para explicar agora... –contrapus, tentando na verdade escapar daquela conversa, eu não poderia lidar com aquilo, não agora.

Clara ficou um breve momento em silêncio. - Problemas com os Cullens? – Perguntou ela delicadamente, mas pelo seu tom percebi que ela já sabia a verdade.

-Sim... – confessei sentindo um nó se formar em minha garganta. Eu não podia quebrar, não agora.

Clara suspirou levemente. - Venha passar um tempo comigo, - ofereceu ela delicadamente. E antes que eu pudesse dizer alguma coisa ela completou. - Ninguém a seguirá. – garantiu. - Aqui você poderá me contar o que aconteceu com calma, esfriar sua cabeça e juntas podemos tentaremos resolver tudo da melhor maneira possível.

Eu não devia aceitar, eu mesmo havia expressado, ou ao menos tentado expressar meus temores quanto as reais intenções da guardiã, mas não tinha para onde ir e na verdade, não tinha nem mesmo nada a perder.

Se eu fosse para a casa de Charlie ou Renné, Edward me acharia em questão de meia hora e tomaria minha filha de mim. Eu não podia correr esse risco. Renesmee era a última coisa que me restava.

-Então eu pegarei o primeiro vôo... – Concordei por fim e comecei a fazer uma mala básica. Era hora de partir. Edward merecia isso.

-Ótimo... – Clara voltou a seu tom suave. - O próximo vôo para São Paulo sai daqui a meia hora de Seattle, acha que consegue?

-Sim... – Afirmei com convicção enquanto fechava minha mala.

-Ok, vou reservar a passagem para você. – Senti meu coração sangrar com aquelas palavras, esse era o fim. - Até daqui a pouco, Bella.

Meu peito se apertou e tudo que consegui fazer foi sussurrar em resposta. - Até... - Em seguida a ligação caiu, larguei o celular e fui para o quarto de Nessie, comecei a arrumar a mala dela apressadamente, nós não tínhamos muito tempo, foi quando eu vi...

A foto de Renesmee e Jacob ao lado da cama dela. Os dois estavam sorrindo, ela no colo dele, envolvida por todo o amor e felicidade que ele esbanjava.

Meu coração se partiu em mil naquele instante, então eu soube que não podia fazer isso com ela; Jacob a amava e Renesmee correspondia esse amor. Tirá-la de perto dele, iria matá-la.

Não era porque eu não tive uma verdadeira historia de amor, não era porque eu jamais feliz que eu tinha o direito de tirar isso dela também. Ela merecia coisa melhor do que a vida que me esperava. O que eu poderia oferecer, afinal, além da incerteza?

Eu amava demais a minha filha para fazer algo assim.

Soluçando, peguei um papel e uma caneta e comecei a escrever uma carta para Nessie, eu jamais teria coragem de me despedir pessoalmente.

Os soluços eram cada vez mais altos, e o buraco em meu peito era cada vez maior. Agora eu não tinha mais nada. Mais ninguém. Eu estava dizendo adeus ao maior tesouro. Ao menos eu sabia que ela seria bem cuidada e teria um futuro feliz.

Assim que terminei a carta coloquei-a próxima a foto de Renesmee e Jacob. – Adeus, meu bebê... – sussurrei tocando levemente seu rosto na foto. – Espero que possa me perdoar... – Reprimi um soluço tapando minha boca com a mão.

Meus ouvidos captaram os passos de Edward, eles estavam chegando. - Hora de partir... - disse a mim mesma, peguei minha mala e corri o mais rápido que pude, sem olhar para trás.

Estava deixando para trás tudo que era de mais importante para mim: minha filha, meu marido, minha família.

Este é o último capítulo disponível... por enquanto! A história ainda não acabou.