Não só eu como todos os Cullen esfregaram os olhos para ver se estávamos enxergando direito, mas o cheiro de sangue e o barulho de corações batendo, não deixava margem para dúvidas, era verdade, não sei como nem quando isso aconteceu, mas sei que naquele milésimo de segundo que olhei para Clara ela havia transformado os trinta e sete vampiros mais poderosos do mundo em humanos.

Até meu próprio coração pareceu voltar a bater ao ver um fio de esperança que surgia, talvez existisse uma chance, talvez conseguíssemos sair desta batalha, vivos. Ninguém foi capaz, ou melhor, ninguém ousou reagir, assustado, impressionado receoso demais...

-E agora? Vocês não parecem mais tão ameaçadores – Clara debochou, contudo, sua voz não parecia realmente divertida, estava séria, como se estivesse verdadeiramente desempenhando seu trabalho.

Clara esticou a mão direita na direção deles, fazendo com que um circulo de fogo se formasse em torno do clã Volturi, encurralando-os, amedrontando-os de uma maneira que nunca julguei ser possível. Jane mantinha os olhos vidrados nas chamas, agarrada as vestes do irmão, apavorada.

Clara riu amargamente da situação, embora sua voz continuassem sem o devido divertimento assumindo em seguida uma voz firme e levemente ameaçadora. – Aprendam a ter mais respeito com uma guardiã!

-Que você fez conosco? – perguntou atônico, Aro. Ele olhava para cada um de seus soldados sem conseguir compreender, sem conseguir acreditar. A tensão emanada deles era densa, quase palpável, o desespero de alguns os quais não passam de crianças em sua adolescência despertava um sentimento de pena dentro das mulheres do nosso lado, mesmo assim, ninguém ousava interceder por eles.

-Os transformei em humanos... – Clara não parecia nervosa ou feliz com aquilo, estava totalmente imparcial, como se fosse algo frívolo em questão. Tal idéia me fez estremecer, afim, bem ou mal era vidas. - O fim de vocês chegou...

Houve um profundo silêncio, alguns se desfaleceram em silenciosas lágrimas, outros estavam estáticos, incapazes de reagir diante do fim. Olhei para Bella e ela me olhou, pude ver a compaixão em seus olhos, sua mão apertou a minha e eu a trouxe mais para perto desejando passar-lhe calma.

-Então você vai nos matar? – Novamente era Aro quem falava, sua voz não estava assustada, nem raivosa, seu corpo se encontrava em perfeita serenidade conformado com o destino que o aguardava.

Os lábios da guardiã se uniram em uma linha, ela não respondeu de prontidão, ponderando a pergunta feita. Eu podia ver que ela não hesitava quanto a retirar todas aquelas vidas, mas uma questão obscura para mim pairava em seu olhar.

-Eu deveria... – Declarou ela por fim. – Contudo, se fizer isso terei que procurar outro grupo de vampiros para garantirem o segredo. – Ela andou na direção do clã, lívida, sem esboçar expressão alguma. – Sinceramente? Isso me dará muito trabalho e eu tenho assuntos mais importantes a resolver.

Uma sombra de esperança nasceu no rosto daqueles humanos, mais o sorriso maldoso que surgiu nos labiosa da guardiã fez tal esperança morrer. Mais do que tortura física, Clara os torturava psicologicamente, brincando com suas fraquezas, deixando incerto o futuro.

-Entretanto. – declarou ela novamente. – Não posso ignorar o abuso de poder que vocês estavam exercendo; também não posso ignorar todos os danos físicos e psicológicos causados à esta família. – ela gesticulou a nós, contudo nem mesmo nos olhou. – Em função disso vou deixar que os mais prejudicados nessa história decidam.

Clara se virou para nós, uma expressão gentil, muito diferente da utilizada com os Volturi, a guardiã fitou cada um de nós intensamente, avaliando-nos. – Acredito que Carlisle seja o líder de vocês... – apenas assenti com a cabeça, confirmando sua teoria. – Então, Carlisle, qual o veredito?

Carlisle olhou para o rosto de cada um de nós, vi sua mente buscar em nossas expressões a decisão certa a tomar, era uma responsabilidade muito grande, eram vidas, boas ou ruins, ainda faziam com que todos os valores de Carlisle fossem severamente afetados caso ele concordasse, contudo, ainda era a segurança de sua família em jogo.

-Se os Volturi não forem mais nos incomodar – Carlisle foi firme e decidido. - Como a senhorita havia dito no inicio, acho que não há necessidade de chegarmos a extremos.

Sorri levemente para Carlisle, apoiando em sua decisão, orgulhoso por tê-lo próximo a mim. Clara balançou a cabeça e sorriu, compreendendo sua decisão:

-Vocês são piedosos demais... – Sua frase não passou de um murmúrio, mas foi audível o suficiente para que os Volturi ouvissem. Ela voltou a encará-los, assumindo a posição fria de antes. – Vocês concordam Aro? Concordam com a condição proposta?

No olhar de Clara estava visível o alerta de que uma nova chance não lhes seria dada e eu pude ver Aro enxergar isso também. - Sim. – Aro respondeu firmemente, disposto a nos esquecer e apenas voltar para a Itália.

Clara estendeu a mão esquerda para eles e uma água apagou o fogo que rodeava os Volturi. A fumaça foi se dissipando lentamente; Clara nem mesmo se moveu, sua expressão novamente ameaçadora.

-Estarei de olho em vocês, Aro! – alertou ela. - É bom que fique claro para todas as criaturas que uma guardiã vive... – sua fala era mais uma promessa universal. - E ela vai cumprir seu dever neste mundo. – Ela ergueu o queixo, autoritária e apontou para o clã italiano. - Os Volturi não são ninguém a partir de agora! Serão apenas guardiões do segredo! Nenhum vampiro inocente deve mais temê-los!

O olhar da guardiã se cerrou, fixo no clã e segundos depois os Volturi voltaram a possuir uma aparência deslumbrante, pele fria e um olhar vermelho, sedento por sangue; eram vampiros novamente. - Agora vão embora de uma vez antes que eu perca a paciência e eu mude de idéia. – ela ameaçou com uma voz mortalmente calma.

Não foi preciso mandar duas vezes e os Volturi se retiraram, cabisbaixos, ainda assustados e atordoados com todos aqueles acontecimentos. Um silêncio recaiu sobre nós enquanto víamos o clã mais poderoso do mundo sumir em meio as árvores. Uma gargalhada brutal de Emmett quebrou o som do vento batendo nas árvores.

-Eles perderam toda a moral agora! – Debochou ele de uma maneira tão Emmett de ser, tão fiel a natureza dele em aliviar o clima tenso que nós rimos com ele. Distraídos em meio as brincadeiras e comemorações, não percebemos que Nessie saía das costas de Jacob e ir correndo ao encontro de Clara até que fosse tarde de mais:

-Obrigada! - Renesmee gritou transbordando alegria e abraçou a perna da guardiã que ainda se encontrava no mesmo lugar.

O pavor dominou a cada um de nós, em especial Bella e eu, temeroso com o que poderia acontecer a nossa menina, desejando poder ter tempo de fazer qualquer coisa, mas nos vimos presos no medo incapazes de conseguir se mover.

-NESSIE NÃO! - Todos gritamos ao ver aonde ela ia, mas já era tarde pra fazer algo. Renesmee já estava abraçada a guardiã.