Blood

O sangue do caçador.


Jace poderia ter dito não. Sim, ele poderia.

Mas, antes que Clary e Alec iniciassem uma nova briga, ele decidiu aceitar o pedido dela e ir fazer uma visita social até a casa de Simon.

Jace visitando Simon era, sem dúvida alguma, uma frase que não se ouviria com frequência. Ou melhor, jamais seria usada em um diálogo saudável. Mas, como foi dito, ele queria fugir daquele clima pesado que rolava no instituto, antes que sua cabeça explodisse. Ou ele explodisse alguém.

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Pelo desespero de Clary, alguma coisa séria estava acontecendo. Jace pediu todos os detalhes, pois, dependendo da gravidade, precisariam de um reforço. Mas a única pista que Clary podia dar eram os tuites que Simon havia postado três dias atrás. Além dele estar trancado em sua casa, sem querer ver ninguém desde então.

Ele não queria ofender Clary, dizendo que não se importava com o que Simon fazia de sua vida mundana patética. Aliás, foi exatamente isso que ele falou. Então Clary fez aquela carinha triste, que durou pouco, seguido de um discurso sobre a missão dos shadowhunters sobre cuidar dos humanos. O que não fazia mais sentido, pois Simon havia se transformado em vampiro. Então ele não deveria se sentir mal quando Clary falasse com ele naquele tom.

Alec se doeu, é claro que sim, ele não deixaria barato. E no fim, Jace decidiu que a companhia de Simon era melhor do que a daqueles dois trocando farpas. Afinal de contas, não custava nada ele fazer um favor para Clary, depois de toda a ajuda que ela vinha oferecendo.

Ao chegar na casa de Simon, não havia ninguém para recebê-lo. Pelo que Clary informou, a mãe dele deveria estar no trabalho e sua irmã não morava mais ali. Jace então forçou a porta, estava fechada, mas não foi complicado abrir.

— Olá! Tem alguém aí? — Jace resolveu fechar a porta, antes que algum vizinho curioso visse ela abrir e fechar sozinha. — Simon, eu vim só para ver se está tudo bem. Clary insistiu muito. Ela queria estar aqui, mas parece que você a assustou e mandou-a embora.

A casa estava em um silêncio absoluto. Jace caminhou pela sala, olhando os porta-retratos, a decoração típica de uma família normal. Os mimos de viagens, coisas que não o interessava. Ele acessou a segunda sala através de um corredor e havia outro para a cozinha, virou a direta e encontrou o banheiro e mais três portas. Uma delas deveria ser a porta misteriosa, onde continha um vampiro recém transformado.

Jace abriu a primeira porta. Estava vazio. A segunda era todo cor de rosa. Nada contra o gosto das pessoas, mas riu imaginando um vampiro dormir naquela cama cheia de ursinhos de pelúcia.

Ele abriu a terceira porta e encontrou um quarto escuro.

Bingo.

— Saia daqui. — Foi o que Jace ouviu, quando entrou no quarto. — Saia logo daqui.

Havia medo na voz de Simon. E isso não abalou Jace, ele estava acostumado a encarar coisas muito piores.

— Eu curti a decoração gótica. Você vem trabalhando bem esse seu lado vampiresco. — Jace pisou em um porta-retratos no chão. Ele pegou, criando uma luz com sua pedra para poder ver. — Clary está linda na foto, você, um tanto estranho.

— Me deixe sozinho. Vá embora. — Simon estava encolhido ao lado da cama. Jace não poderia ter imaginado uma cena mais patética do que aquela.

— Eu não tenho pressa. Podemos levar o tempo que for necessário. — Jace comentou, sentando na cama. — Mas eu prefiro que não demore muito.

— Do que você está falando?

Jace esticou o pescoço, para ver a situação deplorável de Simon.

— Você está sem comer a quanto tempo? — Ele perguntou, esticando o braço para ver se aquela mancha em cima da escrivaninha era sangue. — Você é um vampiro. Para sobreviver, é preciso se alimentar. De sangue, para ser mais exato. Foi por isso que você não deixou a Clary entrar, não é?

Jace olhou para Simon, que concordou balançando a cabeça timidamente.

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— As coisas estão ficando cada vez mais difícil. Minha mãe pensa que eu estou usando drogas, a Clary acha que eu preciso de uma babá...

— Se você não precisasse, eu não estava aqui agora. — Jace bateu a mão em cima do colchão. O quarto estava uma bagunça, mas ele evitava julgar a maneira que os vampiros viviam. — Senta aqui.

— Por que você está sendo legal comigo? Achei que não se preocupava com o que acontecesse comigo. Deixou claro isso da última vez que nos vimos.

— É, eu costumo ser bem franco com as pessoas. Mas, pensa por outro lado, se acontecer alguma coisa com você, Clary vai ficar muito triste.

— Sim, claro. Esqueci que você tem um bom coração. — Simon levantou-se, vestia uma camiseta azul marinho e por cima uma camisa xadrez. Ele parecia a mesma pessoa, fora toda aquela palidez no rosto.

— Você está horrível. — Jace o analisou dos pés até a cabeça, depois, tirou a jaqueta de couro e a camiseta preta que vestia, as runas em seu corpo eram evidentes com a pouca luz que entrava no quarto.

— O que você está fazendo? — Simon deu um passo para trás.

— Não quero que suje de sangue minha roupa. Dá muito trabalho limpar, e eu gosto muito dessa roupa, por isso nem pensar em jogá-la fora só porque você não soube se controlar.

Simon estava colado as costas na parede, não havia mais para onde ele se afastar. Era um pouco assustador o que ele sentia naquele momento. Tudo piorou quando Jace inclinou o pescoço e deixou livre a veia pulsante.

— E-eu não posso. — Simon gaguejou, ele sentia um desejo insano de avançar sobre o corpo de Jace para se alimentar do sangue dele.

— Se você demorar muito, vai ser bem difícil explicar isso para sua mãe. — O sorriso de Jace era irritante.

Simon caminhou devagar até a ponta da cama, onde o caçador estava sentado. Suas mãos tremiam, a fome dentro de si era devastadora. Com a mão, ele tocou a pele do pescoço de Jace, sentindo a veia. O toque era perturbadoramente excitante. Simon avançou com a cabeça para frente, sentindo o cheiro de loção pós barba, shampoo e sabonete. Podia ouvir o coração de Jace bater, mas não tão acelerado quanto o seu, ainda.

Antes mesmo de fincar seus caninos no pescoço de Jace, o vampiro já podia sentir o prazer pessoal naquela refeição.

Simon segurou o pescoço de Jace, forçando-se para não agir como um maníaco desesperado. Ele tocou a ponta da língua na região mais desejada e então enfiou seus dentes direto na veia. O sangue escorreu por entre seus lábios, ele o sorveu com ansiedade.

Jace segurou Simon com as duas mãos na cintura dele. Fora treinado para todos os tipos de situações, e, por isso, ele tinha certeza de que, caso Simon pirasse totalmente, ele iria poder controla-lo. Obviamente Simon sentia medo de perder o controle e atacar as pessoas por aí, sugando todo o sangue delas.

No fundo, bem lá no fundo, Jace não gostava muito de imaginar Simon naquela situação. Ninguém merecia se transformar em um vampiro contra a vontade. Não havia romance algum nisso.

Simon continuava sugando o sangue de Jace, lambendo o pescoço dele para aproveitar tudo o que podia.

— Vai com calma. — Jace alertou. — Respira, Simon.

Simon enfiou os dedos nos cabelos loiros e puxou para trás. Sua força havia aumentado absurdamente desde que ele se transformara em vampiro. Ainda estava pegando o jeito nisso. Mas, por algum motivo, Jace não achou que ele estava fazer sem querer.

A língua de Simon serpenteava pelo pescoço do caçador de sombra. Ele arfava e gemia. A força de Simon era bastante desafiadora, mas Jace também era forte. Ele poderia puxar o vampiro com força para o lado, poderia matá-lo em alguns segundos. Mas não o fez.

Simon buscava cada gota de sangue com desespero, subindo em cima do corpo de Jace, chupando a pele dele com afinco. Simon lambeu seus lábios sujos de sangue, aproximando-se dos de Jace. Poderia ter esperado qualquer coisa, menos que fosse correspondido no beijo.

Foi no mínimo intenso o bastante para fazer a cama mexer do lugar. Ele estava sentado sobre o colo de Jace, segurando-o pelos cabelos, trocando um beijo avassalador.

As coisas haviam passado um pouco do limite e Jace sabia cortar o clima como ninguém. Por isso, puxou-o para o lado, quase fazendo Simon cair no chão.

Simon despertou daquele transe insano, olhando o corpo de Jace, seu sangue escorria do pescoço para o tórax, cobrindo as runas desenhada em sua pele. Agora, com o corpo revitalizado, ele podia ter mais noção das sensações.

— Obrigado. — Simon falou.

— Não se acostuma, você precisa aprender a se alimentar. — Jace se levantou. — Se importa de eu tomar um banho? — Ele apontou para o corpo sujo de sangue. — Você fez uma bagunça. Tem que aprender a comer de boca fechada.

Simon riu. Apesar de sentir vontade de socar Jace. Então estava tudo certo, porque ele sentia aquela vontade sempre.

— O banheiro fica nesse corredor. Eu posso pegar uma toalha.

— É, eu sei. — Jace saiu do quarto, levando sua camiseta e a jaqueta. Ele retornou ao quarto somente para falar mais uma coisa. — A propósito, você deveria tomar um banho também.

— Um banho? — Simon deu um sorriso abobalhado.

— Não comigo, seu tarado. Depois que eu terminar. — Jace deu uma piscada, e saiu gargalhando.

Simon respirou fundo, sentindo um leve desconforto dentro das calças. Desejando que aquela excitação fosse única, e exclusivamente, pelo sangue delicioso de Jace.

Este é o último capítulo disponível... por enquanto! A história ainda não acabou.