Skater Girl

Capítulo Quinze: De volta.


Bella Pov

A campainha tocou dez minutos depois. Eu corri até a porta de uma forma boba e adolescente, quase esperando que ele voltasse só para dormir comigo.

- Sabia que ia esquecer alguma coisa, cabeça-de-vento. O que foi dessa vez? - eu a abri convicta de que era Edward a tocar, por isso não liguei para vestir qualquer coisa ou ver pelo olho-mágico.

Congelei com a porta aberta. Ele estava todo encharcado dos pés a cabeça, tinha a expressão triste e cansada e carregava sua mochila sem ânimo nenhum nas costas.
Não pensava em vê-lo de novo em muito tempo.

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- Oi. - James murmurou.
- O que faz aqui? - consegui perguntar um tempo depois.
- Vim conversar, Bella. Coisa que não fizemos naquele dia. - levantou seus olhos claros, me avaliando de cima à baixo - Eu posso entrar?

Eu não soube o que responder de imediato, só fiquei lá sem ter reação de ódio ou de receptividade, esperando que ele fizesse algo, esperando que alguém fizesse algo por nós ou que um simples raio caísse sobre minha cabeça. Só depois de um ou dois minutos pensando e o avaliando é que pisquei os olhos devagar para acordar para a realidade e saí da frente da porta.

- Espere só um minuto. Eu vou trocar de roupa, pode entrar. - murmurei tudo depressa demais.

Aproveite que a mala ainda estava aberta, peguei a primeira roupa que vi e me tranquei no banheiro. O reflexo no espelho não parecia com o meu. Era uma espécie de máscara fria e retorcida de pavor. Eu não sabia o que falar, o que esperar, ou o que não esperar. Sabia o que ele queria e ao mesmo tempo aquele assunto tinha se tornado de novo um mistério para mim. Jamais pensei que James entraria por aquela porta com tanta boa vontade e atenção para falarmos sobre aquilo, principalmente depois do resultado final da primeira conversa na oficina. Depois que já estava vestida, voltei para sala o mais silenciosa o possível.

Ele estava sentado no chão, encarando friamente meu colchão e as roupas de cama desarrumadas por mim e por Edward, enquanto sacudia o cabelo e espalhava gotas de água a sua volta.

- Vi Edward saindo do prédio. - disse num rompante como se fosse a forma mais natural para começar a conversa - Ele tinha um enorme sorriso no rosto. - respondeu sem deixar de encarar a cama.

Tive vontade de chutá-lo para fora do apartamento ou coisa parecida, mas ele continuou:

- Engraçado como algumas pessoas que acabam de entrar em nossas vidas podem atrair uma confiança tão imediata maior até do que outras que já conhecemos bastante. Quero dizer, ele já sabia que a Nessie era minha filha, não sabia? - pela primeira vez, ele olhou para mim e notei que seu olhos estavam fundos e cansados.
- Eu não pensei que fosse mais importante para você saber quem já conhecia a verdade do que conhecer a história toda.
- Porque ele mereceu saber antes de mim, Isabella? Porque não confiou em me contar que eu tinha uma filha? Que nós tivemos uma filha? Linda, perfeita, inteligente, fruto daquilo que aconteceu com a gente naquela época. Porque você fugiu de mim? Porque não me contou? Porque não contou para... ela?
- Abaixe o tom de voz, eu não quero você dentro da minha casa para discutir.

Ele se levantou, jogando a mochila no canto, levou as mãos até a cabeça e perguntou:

- Porque não me deixou ser pai?
- Porque nem mesmo eu pude ser mãe. Ou você nunca notou que para todos os efeitos Nessie é minha irmã? Seu idiota!

- Isso não é desculpa. Se tivesse me contado, eu assumiria a criança, eu trataria ela como minha filha, cuidaria dela, a amaria e, principalmente, teria deixado você ser mãe.
- Você não sabe do que está falando. A garota branca do Brooklyn grávida aos quatorze anos do filho do mecânico da esquina. Que chances você via nisso, James? Não faça esse discurso todo, você não teria competência para assumir duas crianças: eu e minha filha.
- Nossa filha.
- Minha filha. Eu amamentei, eu cuidei, eu ensinei, criei, limpei, ajudei, acordei nas noites de cólica para niná-la de novo. Você não sabe o que é isso nem com seu próprio filho, ainda mais com a criança que estava na barriga da pobre coitada e idiota da sua namoradinha infantil e virgem.
- Cala a boca. Você não sabe o que está falando. Eu te amava e você se lembra bem disso. Jamais te deixaria sozinha com um filho meu na barriga, mas ao invés de confiar em mim você preferiu entregar nosso bebê nos braços do seu pai.
- Era isso ou um aborto, seu imbecil. Amor não alimenta. Como você ia me ajudar a criar um bebê com dezenove anos?
- Eu teria dado meu jeito.
- Que jeito? Venderia um rim? - ri sem humor, e abaixei a cabeça sem forças para encará-lo.
- Se você me amasse, teria confiado em mim. Assim como confiou em Edward. Assim como eu queria que fizesse comigo... nesse exato momento.

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Ergui a cabeça assustada, sem querer ter ouvido aquilo de verdade.

- O que disse, James?

- Você entendeu muito bem. Quantas vezes quer que eu repita?

A única vez que tinha visto James chorar foi quando sofreu o acidente, aquele tombo, e recebeu a notícia que não poderia mais praticar o skate. Aquela tinha sido a primeira, pensei que a última vez também, mas então ele estava ali com lágrimas nos olhos parado na minha frente sem proteção alguma. Sua mão tremia, enquanto tentava encaixar as palavras numa ordem que eu entendesse.

- Isabella, você desistiu de nós dois por pensar que eu não suportaria uma criança e eu desisti de nós dois por pensar que você não me suportaria. Foi esse o erro que eu cometi? Quero dizer, não ter dito o quanto te amava? Será que não estava na cara o suficiente? Você era tudo para mim. Você foi embora, me abandonou, só voltou um ano depois e eu passei aquele ano todo pensando qual erro eu tinha cometido para ter te perdido. Por isso quando soube que você ia voltar a única coisa que consegui pensar foi em te ter de volta, mas você... Era uma situação completamente diferente, você só conseguia pensar na sua irmã, na nossa filha, sua mãe estava morta, e tinha a Victoria. No final de tudo, ela estava lá e eu sabia que só estava com ela para te esquecer, para te fazer sentir alguma espécie de ciúme, na verdade eu nem sei porque estava com ela, porque fiquei com ela, porque casei com ela. Que merda, Bella!

Seus pés vacilaram, caminhando até mim, como se fosse difícil demais para ele se aproximar, falar ou até respirar o mesmo ar que eu. Sua expressão era mesmo de dor quando segurou meu braço e me puxou para mais perto.

Não pude me mover, dizer qualquer coisa, muito menos uma rejeição. Estava completamente paralisada com tudo aquilo que ele dissera, por isso quando James tocou meu rosto, não reagi. Só assisti bestializada ele chegar cada vez mais perto.

- Eu te amo, Isabella. Amo e sempre amei. - seus dedos envolveram minha nuca, me puxando para um beijo.

Seus lábios tocaram muito de leve aos meus, roçando nossas peles, até que os selou. Foi como se o mundo girasse ao contrário, voltasse no passado e agora eu tinha quartorze anos de novo. Ele se moveu, pedindo permissão, mas quando pensei já tinha a cedido.

Era muito difícil entender o que me contara. Então, James jamais me abandonou, foi tudo um mal entendido vindo de mim. Eu tinha sido a culpada de tudo desde o início por ter ido embora, por ter escondido a gravidez, por tê-lo deixado. Não acreditava que toda a história com Victoria fora apenas um tapa buraco, uma tentativa de provocar ciúmes, porque ele me amava e ainda me ama.

- Eu pensei... - murmurou ainda nos meus lábios - Pensei em tudo que me contou e eu acredito em você, dentro de mim sei que é verdade, só neguei na hora por medo. Me perdoe? Quando tudo isso acabar, eu quero você e minha filha também. - me beijou mais apaixonadamente.

Ele queria nossa filha? Como assim? E a vida que tinha lá fora com a esposa e seu menininho Joseph? Além disso, eu também tinha outra vida, eu tinha Edward. Quando pensei nele, tive forças o suficiente para empurrar James.

Edward se arriscara por mim com Jacob, com a família, com os amigos, dedicou todo seu tempo a mim desde a primeira vez, graças a ele estava me tornando uma pessoa melhor. Ele não só tinha realizado meu sonho de viver do skate, como também me amava de verdade por eu ser o que era. Eu o amava também, ele era tudo para mim agora, não teria coragem de responder assim aos seus sentimentos.

- Não. - sussurrei, encarando seus olhos azuis ainda molhados - Não, James, isso não.
- Então é isso? - a voz de Edward me fez girar assustada.

Ele estava parado na porta, nos observando com um olhar incrédulo.

- Edward?
- Foi para isso que você queria contar a verdade?
- Edward, não é isso que você está pensando. - ele entrou no apartamento com rispidez, passou por nós e pegou o celular ao lado do colchão - Edward? - segurei seu braço para que não fosse embora.

- Não quero ouvir suas justificativas. Fique com o pai da sua filha. - arrancou minha mão, me empurrando na direção de James, antes de sair do apartamento às pressas.
- Edward? - meu peito apertava de dor - Eu te amo. - sussurrei aquilo que devia ter dito há muito tempo, mas ele já estava muito longe.
- Bella? - James me chamou.

Levei as mãos à cabeça, a apertando, pressionando com toda a força que tinha. Tentando fazer com que os malditos pensamentos fossem arrancados de mim. A expressão decepcionada de Edward, o beijo de James, porque meu mundo estava assim de cabeça para baixo? Qual crime eu tinha cometido dessa vez?

Alguns segundos depois percebi que eu só precisava parar de pensar e correr atrás dele, mas quando tentei, James agarrou meu braço. Seus olhos estavam arregalados, pedindo uma resposta.

- Me solta, James.
- Bella?
- Preciso ir atrás do Edward. Solta me braço agora, por favor? - me encarou por alguns segundos, mas me libertou, deixando seu braço cair salto ao lado do corpo.

Corri pelo corredor, desci as escadas de dois em dois degraus e encontrei Edward saindo do prédio, mas só o alcancei na calçada.

- Pára, por favor? A gente precisa conversar. - deu passos ainda mais largos.
- Não, não precisamos.
- Não aconteceu o que você está pensando, Edward. - agarrei seu ombro.

Ele se virou, quebrando o nosso contato com brutalidade, seus olhos estavam fulmegando de raiva quando encontrou os meus.

- Não me toca. - sussurrou.
- Isso que você viu. Ele só entrou lá para falarmos da Nessie. Eu não o beijei, foi ele.
- Você não o beijou assim como ele também não disse que te ama. Ah, Bella, era isso que você queria desde o início, porque está se importando de vir atrás de mim? Sua paixão infantil frustrada está te esperando lá em cima, porque não sobre e se joga nos braços dele?

Me olhou de cima a baixo uma última vez e partiu embaixo de chuva. Não sei quanto tempo depois, mas James também passou por mim na mesma direção.

Eu tinha conseguido o impossível: estragar a única coisa perfeita na minha vida que era estar com ele. As lágrimas rolaram pelo meu rosto sem que pudesse segurar enquanto cambaleava de volta para casa.

Deitei o corpo pesado no colchão, sentindo minha garganta apertar com dor, sentindo cada grito de ódio voltar pelo meu peito e me sufocar. Bati a cabeça várias vezes contra o colchão, mas não me causou a dor que eu queria sentir para me distrair das outras. Quando eu ia conseguir ser feliz e em paz?

Edward Pov


Ouçam 'Too much to ask - Avril Lavigne' nesse trecho.

- Onde vai? - Alice perguntou quando passei por ela às pressas pelo corredor.

Eu só precisava urgentemente ficar sozinho e engolir tudo.

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- Não te interessa, Alice. Cala a boca. - entrei no meu quarto, bati a porta com toda a força, só parando para ouvir tudo ali dentro vibrar.


It's the first time I've ever felt this lonely
Foi a primeira vez que senti esta solidão
I wish someone would cure this pain
Eu queria alguém que pudesse curar esta dor
It's funny when you think it's gonna work out
É engraçado quando você pensa que está tudo bem


Meu corpo não conseguia absorver a dor de uma vez. A imagem dele a segurando, dizendo que a amava e a beijando se repetia várias e várias vezes na minha mente.

Mas não era exatamente essa parte da cena o que estava me causando toda aquela angústica, aquele ódio e aquela dor. Bella tinha aceitado, tinha o escutado, o deixado tocá-la. Não importa se ela disse que ele a tinha beijado, porque ela também o beijou.

Como pude me iludir tanto essa tarde achando que seu beijo e seu olhar estavam diferentes?

Every time I try to make you smile
Toda vez que tento fazer você sorrir
You're always feelling sorry for yourself
Você sempre sente pena de você mesmo
Every time I try to make you laugh,
Toda vez que tento fazer você rir,
You can't
Você não consegue
You're too tough
Você é tão difícil
You think you're loveless
Você acha que você é desamável
Is that too much that I'm askin for?
Eu estou pedindo muito?

Bella não sentia nada, nunca me disse nada. O que eu guardava dentro de mim, o amor, não era recíproco. Eu fiz papel de idiota todo esse tempo achando que um dia poderia tê-la de verdade. Sempre tentei fazê-la feliz, mas nada tinha importância para ela. Como pude não ver isso antes?

Sem conseguir respirar, apoiei as mãos nos joelhos e inspirei fundo.

Eu desencadeei aquele beijo, pois fui eu quem apoiou Bella e quem moldou a idéia na sua cabeça de procurar James. Será que ele não se contentava com mulher e filho? Mas que diabos. Ela mentia para mim, para si mesma, sempre mentiu.


Can't you see that you lie to yourself?
Você não consegue perceber que mente para si mesmo?
You can't see the world through a mirror....
Não se pode ver o mundo através de um espelho
It won't be too late when the smoke clears
Não será tarde demais quando a fumaça passar
Cause I, I am still here
Pois eu, eu continuarei aqui

But every time I try to make you smile
Mas toda vez que tento fazer você sorrir
You always grow up feelling sorry for yourself
Você sempre sente pena de si mesmo
Every time I try to make you laugh
Toda vez que tento fazer você rir
You stand like a stone
Você permanece como uma rocha
I'm alone in your zone
Eu fico sozinho com você
Is that too much that I'm askin for?
Eu estou pedindo muito?


- Maldito! - ele sabia que nós namorávamos e mesmo assim se aproximou dela - Maldita! - tinha entregado tudo na mão daquela garota como nunca fiz com ninguém.

Não deveria ter saído de lá, devia ter passado a noite ao seu lado, com ela nos meus braços, evitaria a presença dele. Mas isso não a faria sentir algo por mim. Me sentei na cama, me esforçando para pensar. Se eu pudesse, voltava no tempo, não teria a procurado, teria fugido como pediu, não teria me apaixonado.

Teria ficado no meu lugar e a deixado no dela de onde nunca devia ter saído. Mas agora eu prometi a mim mesmo: não cobraria mais nada de Isabella.

Fim do trecho com música.

Bella Pov

- Como está? - Andrew perguntou.
- Não muito bem. - respondi sem ânimo.
- Espero que não seja nada sério. Sua cara não está das melhores. Mas, bem, vamos melhorar isso?
- Porque tanta animação?
- Porque o Phill me contou as novidades. Bem, ele disse que vinha aí para te ver. Vai treinar e a gente se fala depois, tudo bem? - dei de ombros.

Passei pela grade, entrando na grande quadra. Tentei obrigar meu corpo a fazer qualquer coisa, mas tinha sido assim por todo o final de semana, eu só tinha vontade de sentar, olhar para o teto e esperar. Esperar que ele me procurasse, que viesse até mim e dissesse que queria ouvir minha versão da história. Nada podia ficar daquele jeito.

Pela primeira vez em toda minha vida, eu sentia medo até de respirar, pelo simples fato de Edward não estar mais ali. Porque eu tinha que transformar em lixo tudo o que eu tocava?

Como era esperado, não consegui me concentrar direito e levei um tombo ao descer pela segunda vez. Me inclinei demais, o skate foi para a esquerda, mas na posição que eu estava era quase impossível cair com jeito para não me machucar. Bati primeiro o cotovelo, sentindo toda a pressão vir para o meu ombro, e depois choquei a testa na madeira.

O skate seguiu até cair da rampa, só esperava que a truck estivesse inteira. Tentei sentar, precisei da ajuda do outro braço, por isso demorei um pouco. Então duas mãos estavam me erguendo.

- Uau, Bê. Essa foi muito boa. - Phill debochou.
- Cala boca.
- Você cortou a testa. - disse erguendo as sobrancelhas.
- Como? - toquei de leve no canto direito e senti o líquido quente - Que merda.
- Calma, garota, sempre acontece. Não é a primeira vez que cai.
- Merda. Merda. - soquei o chão e chutei o tênis que saíra do meu pé o mais longe que pude - Sou uma idiota.
- Tudo bem, eu concordo se me disser porque se acha tão estúpida.
- Não viu meu tombo?
- Vi, mas não é por isso que está assim. - olhou bem nos meus olhos.

Só tive vontade de chorar de novo.

- Temos uma enfermaria em algum lugar daqui. Posso te ajudar? - assenti com a cabeça.

Phill me ajudou a ficar de pé e me levou para um pequeno posto médico que eu nem sabia que existia. Me sentei numa maca, então uma moça vestida de branco veio me ajudar.

Ela tocou meu ombro, massageou meu braço, pediu que me movesse de várias formas possíveis para identificar alguma lesão no ombro ou no cotovelo, mas não estava doendo tanto assim. Depois com uma gase limpou todo o corte, passou remédio e colocou dois band-aids.

- Ficará bem. Só cuide do curativo quando chegar em casa. - ela jogou fora o que não precisava mais, guardou algumas coisas e antes de sair de despediu de Phill com os olhos brilhando.
- Vamos procurar seu skate? - perguntou animado.
- Vou ter que subir nele de novo?
- Eu adoraria ter compaixão nesse seu momento de dificuldade, mas é com profunda alegria que eu digo: Sim, você vai subir nele de novo. Quero você melhor do que nunca para quando precisarmos.
- Eu sei. - dei de ombros - Era só uma vã esperança.

Ele caminhou ao meu lado até pararmos de frente para a rampa onde eu tinha levado o tombo.

- Eu vou dizer uma só palavra e você vai me dizer se tem alguma coisa a ver com o que está acontecendo, tudo bem? - assenti - Edward.

Suspirei derrotada. Estava escrito na minha testa. Respirei fundo para não lacrimejar, então olhei nos olhos de Phill e disse:

- Sou tão óbvia assim?
- Não. É só que um coração partido sabe identificar outro até mesmo numa multidão.
- Não foi nada demais. Eu juro. Não vai me atrapalhar. Vou só esperar uns minutos e volto lá para treinar.
- Não, você pode esperar quanto tempo quiser. Sei como é isso.
- Vou procurar meu skate. - quando eu ia saindo, ele segurou meu braço.

- Sei que se você quisesse algum conselho, pediria. Não para mim, é claro, mas pediria a outro. Ainda assim, não aguento ver você com essa cara de cão arrependido. - dei uma risada fraca - Não sei o que aconteceu de verdade, mas depois de tudo que vi quando você desceu do avião naquele dia, depois de todas as vezes que já vi vocês dois juntos, seria um perfeito idiota se não te estimulasse a procurá-lo.
- Mas-
- Não está realmente esperando que ele apareça de repente aqui no treino ou na sua casa com um sorriso tímido e um pedido de desculpas, não é?
- Claro que não.
- Pois então vai atrás dele. Qual o problema? Você é uma garota independente, faz o que quer, só vença seu orgulho.
- Não é questão de orgulho. É medo da reação dele.
- Falando como seu amigo: isso você nunca vai saber se não for até lá. As pessoas surpreendem. E falando como seu chefe: pelo menos assim você tira isso da sua cabeça e fica menos atrapalhada.

Dei uma risada. Ele bagunçou meu cabelo, depois me empurrou de novo para a rampa.

- Vai lá, garota.

Achei meu skate, procurei por algum arranhão, então depois que minha cabeça parou de girar e latejar voltei a treinar. Não dei tudo de mim, ainda estava pensando em muitas coisas, mas pelo menos agora também havia outra idéia martelando.

Edward era assim, uma pequena tempestada como eu. Algum tempo passara, devia estar mais calmo. Eu poderia pedir ajuda à Rosalie para nos encontrarmos e se for direto do treino para a casa dele com certeza teria tempo suficiente para conversarmos sem nos preocuparmos com seus pais.
Estava decido. Contaria tudo o que aconteceu de verdade e ficaríamos bem.

Mas, então, antes que o otimimo pudesse crescer dentro de mim, me lembrei que antes de qualquer coisa a outra ponta da história precisava de um fim.
Teria que procurar James, conversarmos sobre o que aconteceu, terminar com qualquer assunto que ainda pudesse me prender a ele, assim Edward confiaria em mim de novo.

Jacob Pov

Os olhos eram idênticos, a mesma cor, o mesmo formato, até a mesma maneira de revirá-los quando estava cansada. Seus pés batiam impacientes no chão úmido e sujo de lama que se formava com o resto da neve derretida.

- Deveria estar dentro da escola. - Jared sussurrou.
- Você é da patrulha dos corredores agora? - ri da minha própria piada, enquanto ele dava de ombros.

A menina virou o rosto para a esquina, ficou na ponta dos pés para ver se o irmão vinha lá de baixo. Seus cabelos eram mais cacheados que o de Bê, mas a tonalidade era a mesma. Jamais imaginei que mãe e filha pudessem ser tão idênticas.

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- Juro que ainda não entendi porque estamos aqui.
- Eu quero ver a garota, posso? - rosnei.
- Mas você mesmo disse que sequestrar ela seria perda de tempo. A gente ia ter que deixar uma pessoa no cativeiro, uma a menos para o assalto. Então porque estamos aqui?
- Jared, porque não cala a porra da boca? Vai ficar questionando minhas ordens? Vai se fuder. Eu quero ver a irmã da Bê antes de começar tudo.
- Tudo bem, eu não estava questionando.
- Melhor para você.

Me apoiei de novo no poste. A menina enrolou um fio de cabelo no próprio dedo e modelou um cacho. Tinha que ter alguma coisa que eu ainda não tivesse pensado, alguma coisa que a faria se aproximar, alguma coisa que atraísse Bella para a isca.

A menina ficou na ponta dos pés de novo e sorriu. Sorriu o sorriso da mãe, com as mesmas covinhas, o mesmo formato do lábio. Me lembrava como se Bella estivesse na minha frente. Depois de tanto tempo, era só ela, mas então preferiu aquele filho-da-puta mauricinho. Os dois teriam o que merecem em breve. Muito em breve.

O irmão mais velho de Bella se aproximou do portão correndo. Ele parou em frente à Rennesme, apoiou as mãos nos joelhos e deu de ombros. Parecia estar se desculpando pelo atraso, mas a garota não se importou. Deu a ele sua mochila, segurou sua mão e os dois começaram a andar na direção do ponto de ônibus.

A idéia nasceu.

Bella Pov

Entrei na oficina com a minha chave. Eu não aguentaria ter que esperar na porta até que James viesse abri-la. Quando bati a porta, ouvi um gemido de dor vindo de trás de um carro. James se levantou com a mão na cabeça e os olhos arregalados. Ele tentou não sorrir quando me viu, mas não conseguiu.

- Você está bem? - perguntei vendo que sua mão pressionava o supercilho.
- Bati quando ouvi a porta. Acho que estou bem sim. - quando parou de pressionar o lugar vi de longe um pequeno inchaço vermelho.

Agi involuntariamente. Fui até o escritório na parte de trás, abri a pequena geladeira e peguei três pedras de gelo na mão. As coloquei dentro de uma toalha de rosto jogada sobre a mesa dele e voltei para a oficina.
James estava sentado sobre um capô, massageado a testa.

- Coloque aí. - joguei para ele que agarrou no ar e suspirou de alívio ao colocar o pano frio sobre a pele.
- Obrigado, Bells.
- Não. - eu soltei sem pensar, o deixando confuso.
- Não o quê?
- Não é não, James. Meu Deus, eu jamais pensei que conseguiria ser tão direta assim, mas precisava muito jogar fora tudo que está me sufocando. Eu mal consigui pensar nos últimos dias em qualquer coisa além de mim, Edward e você. - ele assumiu uma expressão cansada, colocou a toalha sobre o capô e suspirou.

- Eu também, Bella. Acho que fui um estúpido. Eu não deveria ter te forçado a fazer nada, não deveria ter me aproximado daquela maneira, eu sabia que não podia fazer e fiz. Me culpei tanto porque no fundo fiquei feliz quando vi que ele tinha me visto te beijando.

- O que? - o interrompi - O que disse?

- Não me culpe, Bella. Como acha que eu poderia me sentir? Te amo em segredo por cinco anos, tendo que conviver com você todos os dias, eu finalmente tinha dito tudo o que eu mais queria. O que acha que eu poderia sentir? Mas eu me culpei por isso também, Bella. Eu sabia que era errado. Me desculpe?

Não sabia o que responder, não sabia ao menos o que sentir em relação a isso.

- Sei que não tinha o direito de pedi-la de volta, mas é a coisa que mais quero, me entende?
- Isso é impossível, James. - sussurrei.
- Porque impossível? - perguntou se levantando e dei um passo na direção oposta.
- Quando te procurei para falar da nossa filha foi porque me senti culpada todos esses anos por não te contar sobre a existência dela. Eu não tinha mais nada a perder, já estava fora de casa, não poderia continuar com aquele remorso. Quando te contei sobre Nessie não queria voltar no tempo, não queria ter quatorze anos de novo, eu só queria que você pudesse ser pai porque um dia, não sei quando, mas um dia eu vou ser mãe dela. Quando te contei foi por amizade, por carinho, mas amor é algo que não existe mais, James.

- Como você pode saber se nem parou para pensar nisso?
- Porque eu amo o Edward, droga. Não adianta dizer nada, eu sei tudo o que quero e uma dessas coisas é não te magoar, mas também preciso não me magoar.
- Você não pode fazer isso. Bella, eu estou disposto a largar a Victoria, disposto a fazer de tudo para ficar com você.

Fechei os olhos, apertando a ponte do nariz bem forte entre meu indicador e o polegar. James se aproximou, tocou meu rosto com uma das mãos e colou nossas testas.

- Não é possível que não sinta o mesmo que eu. - pegou minha mão e a repousou em seu peito.
- Só posso te oferecer minha amizade. Eu sempre vou te amar assim. Somente assim. - me puxou num abraço.

Eu sentia meu coração quebrar ao meio.

- Não pode ser, Bella. Nós temos uma filha afinal, tantos anos, e é por ele que...
- É por mim. É a primeira vez que faço alguma coisa na vida por mim.

Tive também a impressão de nunca mais conseguiria tirar aquele momento da minha memória, assim como todos os outros que vivi ao lado de James, mas por um motivo diferente.

Com certa dificuldade, o afastei e tentei não olhar de novo em seus olhos, pois me despedaçaria ainda mais se o fizesse. Dei um passo para trás, acabando de vez com o contato e tentando não gaguejar disse:

- Vivi esse tempo todo mentindo, sofrendo, enganando para o maior conforto dos outros. Não posso fazer de novo. É por mim que quero ir atrás dele. - James tentou tocar minha mão, mas a puxei - Preciso ir. E só para deixar uma coisa clara, quero que saiba que pensei, James. Pensei sim se um dia poderíamos voltar atrás, mas o tempo me mostrou que não. Espero sinceramente que te mostre também. Quanto a Victoria, acho que deve tentar recuperar a amizade dela, por Joseph. - James balançou a cabeça achando que era impossível - Eu... espero que tenha entendido, me perdoe um dia e guarde esse segredo de Nessie por mais um tempo. Prometo que assim que tudo se resolver, contarei a ela a verdade, inclusive sobre você.

Não sabia quando esse tempo chegaria, mas talvez depois de conversar com Edward e assim que a confusão com o skate passasse, talvez fosse a hora perfeita. Poderia mostrar para o meu pai que podia ser bem sucedida naquilo que gostava de fazer e que poderia tomar conta da minha filha. Ficaria tudo bem sem dor e sem ressentimentos.

- Adeus James. - murmurei depois de um segundo.

Ele não me impediu de sair da oficina. Lá fora caía um chuvisco fino e frio que deixei molhar meu rosto por bastante tempo. Atravessei meia Nova Iorque formando palavras e explicações na minha cabeça, sentindo meus ombros mais leves. Fui tão sincera ao dizer que aquela era a primeira coisa que fazia por mim, então só me restava rezar para dar certo.

Edward Pov


Vesti toda a roupa, menos a camisa. Meus olhos no espelho ainda pareciam recém-abertos ou como se tivesse me envolvido numa briga recentemente. Passei um pouco mais de água gelada no rosto, melhorando o aspecto momentaneamente, sequei e baguncei os cabelos.

Quando apoiei a toalha sobre a pia, esbarrei num vidro de perfume que caiu no chão e quebrou. Era meu perfume preferido, o que minha mãe me dera, mas o cheiro estava insuportável. Soquei a bancada antes de me agachar para catar todos os cacos e secar o líquido. Pediria que alguém viesse limpar melhor mais tarde.

- Imbecil, preste mais atenção - rosnei para mim mesmo, mas me interrompi quando o som da porta chamou minha atenção.
- Edward. - Rose chamou do quarto.
- Já estou indo. - peguei minha camisa sobre a pia e saí para o quarto.

Fechei a porta do banheiro e fui direto para a cama sem ao menos olhar para a porta.

- O que houve, Rosalie? Sabe que eu estou de saída.
- Só queria conversar um pouco. - sua voz me pegou de surpresa.

Minha roupa caiu no chão, perdi as forças para segurá-la. Ao mesmo tempo, um sentimento subiu pelo meu peito queimando, incendiando, sufocando. Me virei devagar para encarar seu sorriso.

- O que faz aqui? - rosnei.

Rose a empurrou para dentro e fechou a porta com pressa. Bella mordeu o lábio, apertou ainda mais a manga do casaco entre os dedos parecendo muito ansiosa e caminhou bem devagar até estar de frente para mim.

Seu rosto e cabelos estavam molhados, alguns fios grudados nas bochechas até a boca que insistia em sorrir. Respirei fundo, desprendi nossos olhares para criar forças e vesti a camisa. Quanto mais rápido fosse embora, mais rápido me sentiria melhor. Não poderia dar espaço para ela falar, pois como tinha prometido a mim mesmo não pediria mais nada para Isabella, inclusive explicações.

- Sua irmã disse que você não se incomodaria se eu subisse e precisava mesmo conversar a sós com você, por...
- Sobre? - a notei encolher os ombros.
- Sobre aquele dia, Edward. Eu vim aqui para dizer que tudo o que você viu foi um grande mal-entendido que já foi resolvido.
- Bom saber. Era só isso? - usei minhas máscara mais fria.

Bella hesitou por alguns segundos, enquanto avaliava meu rosto e gradativamente ia fechando os lábios. Me cansei de esperar até que percebesse que a conversa estava terminada.

- Se terminou, pode ir. - apontei para a porta - Rosalie pode te levar até a porta.
- Não faz assim, me escuta.- suplicou.
- Mas eu fiz isso. Escutei você dizer que foi um mal-entendido e que está resolvido, agora você deve se perguntar o quanto resta do meu interesse nesse assunto. A conversa está fascinante, mas preciso sair.
- Me deixa explicar. Eu procurei James e coloquei as cartas na mesa. Nós...
- Bella, chega. - dei o sorriso mais cínico que pude mesmo maltratando minha sanidade.

Era difícil saber que ela o tinha procurado. A dúvida entre Bella estar aqui para dizer que tinha voltado com James ou que queria ficar comigo era sufocante, por isso a interrompi. Talvez não saber a resposta fosse melhor para mim, para nós dois, para nós três.

- Olha, concordo com você sobre ter existido um equívoco, mas não estamos falando sobre o mesmo. Vou dizer que o que aconteceu entre nós não deveria nunca ter ido tão longe. Pensei muito nesse final de semana que não nos falamos sobre o que vi e ouvi, pensei sobre o que passamos e cheguei a grandiosa conclusão que você está certa.
- Certa?
- Sim, sempre insistiu em me advertir que nossos mundos são diferentes demais. Mas pelo menos agora não vou me sentir tão culpado assim porque quando você voltar para casa ele estará te esperando como sempre quis. Entendidos?

- Não está dizendo isso. Por favor, você sabe para que eu vim aqui hoje. James não está me esperando em lugar nenhum porque fiz minha escolha e ela é você. - o nó na minha garganta aumentou - Pare com essa idiotice, Edward. O beijo foi um erro, admito, mas...
- Eu não quero mais. É muto difícil para você entender? - rosnei - De volta ao assunto: hora de parar com essa palhaçada.
- Você está mentindo. - acusou com lágrimas nos olhos - Porque está fazendo isso? Vamos consertar as coisas, tá? - se aproximou até tocar meus ombros - Nós...
- Para. - gritei.

Empurrei suas mãos, agarrei seu braço e a sacudi. Algumas lágrimas transbordaram molhando ainda mais suas bochechas frias. Ela parecia tão pálida. Porque não podia simplesmente acreditar que não queria mais vê-la ou escutá-la e ir embora? Ao contrário, Bella se agarrou na idéia de que eu estava mentindo, então sua reação foi segurar ainda mais forte minha camisa de novo e nos aproximar.

- Precisa me deixar terminar, Edward. Eu te amo. - não era necessário me esfaquear daquele jeito.
- Não precisa dizer isso só para me forçar a te ouvir, pois não vou. Sai da minha casa antes que te coloque para fora.
- Estou dizendo isso porque quero, porque é a verdade. - insistiu.
- A verdade de quem? - seus olhos se arregalaram assustados.

Nem eu mesmo reconheci minha voz dura e toda aquela rispidez.

- Nossa verdade, pensei. - sussurrou vacilante.
- A sua, Bella. - meus lábios quebrariam se continuasse mentindo assim - Agora, vá. - ela negou com a cabeça e num súbito puxou minha camisa e colou nossos lábios.

Meu rosto pegou fogo em contraste as suas lágrimas geladas. Ao mesmo tempo que sentia todo aquele nojo e aquela vontade me consumirem com um só gesto. Com dificuldade, a empurrei, sentindo o ar faltar aos meus pulmões.

- Não devia ter feito isso. - rosnei - Aprenda a ganhar um não assim como ganhei vários seus. - a olhei nos olhos para ser claro o suficiente - Vou encontrar uma pessoa agora e você vai para sua casa. Você vai esquecer que eu existo, não vai me procurar ou insistir nessa história completamente impossível. Desculpa se estou sendo muito sincero, mas você sabe o quanto foi divertido só que agora está começando a atrapalhar as coisas para mim, então adeus. Você já me deu o bastante do que eu realmente queria. - toquei seus lábios para deixar claro.

Seus olhos se encheram de água antes de me esbofetear.Foi um tapa só, certeiro e libertador. Era a minha certeza de que não voltaria.

Bella saiu chorando do quarto, mas eu já tinha perdido minha vontade de sair ou de tentar esquecer aquela cena. Me joguei sentado na cama, ouvindo minhas próprias palavras se repetirem na minha cabeça e agradecendo por ter sido convincente o suficiente.

Fechei os olhos cansados e a vi de novo repetindo cegamente: "Precisa me deixar terminar, Edward. Eu te amo." Eu a amava e muito, mas passaria.

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